Irreligiosos

Se você não sabe, aceita e não questiona, embota-se e acaba virando crente.

A saga de um pastor honesto... o que acontece quando resolve abandonar o ministério?

Abaixo encontra-se um depoimento comovente e verdadeiro (mais um) de um caso que os membros mais antigos desta comunidade tiveram a oportunidade de acompanhar, desde a sua fase embrionária: a desconversão religiosa do pastor Álvaro Santos (Josimar Álvaro dos Santos).

José Álvaro filiou-se à nossa comunidade no início de 2012, quando ainda era pastor, mas já em dúvida e em conflito entre o que sentia e o que pregava. Naqueles momentos, era afligido por uma dúvida angustiante: Que caminhos deveria seguir, o mais seguro, o mais sábio ou o mais honesto? Sendo impossível contemplar os três na mesma decisão, optou por abandonar a segurança e priorizar a sabedoria e a honestidade. Para isso, longos meses de debates, aqui e em outras comunidades, foram consumidos, além da leitura de vários livros e da revisão dos conceitos que aprendera.

Finalmente, criou coragem, assumiu os riscos e tomou a decisão: não poderia mais continuar pregando aquilo em que ele mesmo já não acreditava - abandonou o ministério e tornou-se agnóstico. A partir daí, sofreu inúmeros contratempos, com reflexos negativos em sua vida particular e na de sua família. Passados dois anos, a tempestade cessou e hoje ele é um vencedor, navegando em águas mansas, sendo agora um empresário bem-sucedido e muito mais feliz. Sua trajetória, um exemplo para os que não têm coragem de abandonar a fé, foi contada na mensagem "Eu, um ex-pastor" (publicada aqui) e, agora, no depoimento abaixo, que nos enviou para ser submetido à apreciação dos colegas e, quem sabe, servir de motivação e exemplo para outros crentes indecisos:

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Caros amigos irreligiosos:

Acredito que todos ou a maioria dos membros do irreligiosos conhecem um pouco da minha história, mas para resumir, fui missionário e pastor presbiteriano por 16 anos, até que um dia, levado pela frustração em relação à igreja, comecei a questioná-la e, consequentemente, questionar meu ministério. Minha crise levou-me a procurar respostas em outros setores do conhecimento, como a ciência e a filosofia. Embora sendo uma busca relativamente superficial, foi suficiente para abrir meus olhos e ver o quanto eu estava enganado sobre quase tudo.

Após essa longa desconstrução “espiritual”, decidi abandonar tudo e recomeçar minha vida. O apoio que tive dos membros do Irreligiosos me fortaleceu e me encorajou a tomar decisões importantes para minha vida e de minha família. Deixei a igreja e o ministério para trás e parti em busca de algo novo. No início foi difícil, os membros das igrejas que pastoreei e alguns amigos, descobriram um depoimento que fiz para o Irreligiosos, dando início a uma fase muito difícil e perturbadora. Alguns revoltados publicaram meu depoimento no jornal de uma das cidades onde fui pastor, com direito a foto na capa com uma manchete que dizia mais ou menos o seguinte: “Pastor presbiteriano renega a fé e vira ateu”. Também distribuíram panfletos com minha foto e meu depoimento pelas ruas da cidade. Senti na pele a dor do preconceito. Perdi quase todos os “amigos” que eu tinha na igreja. Muitos deles me desviam até hoje quando nos encontramos.

Alguns meses antes de largar a igreja, decidi montar uma revista e saí em busca de anunciantes. Mesmo com poucas páginas e pouco lucro, lancei minha primeira edição. Isso já faz três anos. Quando deixei definitivamente o ministério pastoral e me declarei agnóstico, me vi completamente perdido, deprimido e com dívidas, pois as perdas vieram tudo de uma só vez, como um tornado levando quase tudo. Para dar a volta por cima e superar mais esse trauma, procurei um psiquiatra, que me ajudou a suportar a má fase, e saí pelas ruas em busca de mais parceiros para a revista, algo muito difícil de se fazer, principalmente para mim que sou fóbico social e nunca trabalhei com publicidade. Foi uma aventura difícil mas muito enriquecedora. Hoje a revista é uma realidade, posso dizer que é um sucesso. É claro que não estamos ricos, mas estamos muito bem. Tudo o que precisamos nós temos. Os lucros da revista e o salário da minha esposa, como professora do ensino médio, nos proporciona mais do que imaginávamos que poderíamos ter. Minha esposa e meus filhos foram a minha maior força, nunca me cobraram nada, pelo contrário, me apoiaram incondicionalmente.

Fui acolhido pela Liga Humanista Secular – LiHS, a qual me proporcionou desenvolver um outro trabalho que gosto muito, as cerimônias humanistas. Já fiz quatro cerimônias de casamento, em Assis, Poços de Caldas, Ubatuba e Florianópolis. Hoje sou diretor de cerimônias humanistas da LiHS. Ganhei novos e bons amigos através deste trabalho e do Rotary Club de Assis do qual me tornei membro também.

Posso dizer com satisfação que valeu muito a pena ter decidido por seguir minha consciência. Nada pode substituir o prazer de vivermos livres e fiéis às nossas próprias convicções.

Obrigado pelo apoio e a amizade

Álvaro Santos

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Companheiros do Irreligiosos.

Esse depoimento do nosso amigo Alvaro, nos dá bem a dimensão dos riscos de tornar-se ateu.

Não desejamos o que o Alvaro sofreu, para ninguém.  A ignorância, a cegueira do ser humano, é muito cruel com aqueles que se divorciam e não mais compartilham de suas crenças.

O Alvaro é um belo exemplo de superação. Mas será que, por exemplo, o Erijosé viesse a se tornar um descrente,conseguiria ele superar as dificuldades que certamente advirão ? Sinistro, incognoscível.

Mas tomar conhecimento,pesquisar, como o nosso amigo Alvaro o fez, não tira pedaço de ninguém, tampouco precisa sair gritando pelas ruas  : "eu sou ateu "  ou como os gays gostam de fazer : " eu sou a rainha da rua" (rsrs).

Em nome do amor próprio, recomendo aos senhores religiosos: estudem, analisem, pesquisem e guardem para si o que encontraram. ninguém precisa alardear o que encontrou, a menos que deseje participar de um fórum ateu, como nós aqui, mas aí é outra história e cada um sabe de si.

Saudações irreligiosas.

Essa história do ex-pastor é mais uma PROVA de que a vida religiosa é para OS CHAMADOS verdadeiramente por Deus. 

Ele próprio declara em uma entrevista (link abaixo) que, ainda no segundo ano da faculdade de teologia, foi acometido por muitas dúvidas com relação a sua fé. Mesmo assim por necessitar do EMPREGO, resolveu insistir em pastorear enquanto que um amigo seu, diante das mesmas dúvidas, abandonou a fé já a partir daquele momento. Na minha opinião, ele deveria ter feito mesmo; mas como a minha intenção aqui NÃO é julgar as atitudes alheias, vou considerar que ele, a despeito de suas descobertas sobre suas dúvidas, ainda tenha mantido a ilusão de que tudo isso poderia mudar com o exercício do pastoreio.

O fato é que as coisas inerentes à fé não funcionam pela insistência, nem pela vontade própria de simplesmente querer que a fé se sobreponha à razão. As DUAS coisas devem caminhar juntas! A fé somente se desenvolve numa alma destituída de dúvidas. Se alguém não consegue racionalizar a própria fé, desista! porque essa não é a sua verdadeira vocação.

Contudo, esse não é um caso isolado, pelo contrário, acontece muito comumente. E a reação de seus ex-pastoreados também é compreensível, mesmo que não seja aceitável. Afinal, sentiram-se enganados e, convenhamos que ninguém tolera ter sido enganado quando tem certeza do engano, especialmente num caso dessa natureza.

Sinceramente, desejo que esse senhor seja muito feliz na sua nova vida.

Sigurd:

Ele já está sendo feliz. Sofreu por muitos meses, mas superou e fundou uma bem-sucedida revista, que agora é referência na cidade. Declarou-nos que o sentimento de liberdade e de estar em paz com a sua consciência é uma coisa que não tem preço.

E quanto a esta sua afirmação "Se alguém não consegue racionalizar a própria fé, desista! porque essa não é a sua verdadeira vocação.", não podemos concordar porque a fé religiosa é, em sua natureza, é irracional. Para desistir dela e renegar tudo em que acreditava, iniciando uma nova vida, é preciso coragem, estudo e determinação, coisa que a maioria dos crentes não têm e nem fazem questão de ter. 

Você diz também que a reação de repúdio dos fiéis é compreensível, mesmo não sendo aceitável, quando alguém se sente enganado, porque "ninguém tolera ter sido enganado quando tem certeza do engano". eu escreveria ela de outra forma: "ninguém tolera ter sido enganado quando tem certeza do engano ou suspeita que possa estar sendo enganado". Para que esperar a confirmação (que não deixarão ou dificultarão para o fiel) e permanecer na dúvida? Por que não agir antes e investigar para ter certeza e tomar a decisão correta? É PRECISO CORAGEM E VONTADE.

Certo ou não, é como vejo.

Saudações Irreligiosas!

E quanto a esta sua afirmação "Se alguém não consegue racionalizar a própria fé, desista! porque essa não é a sua verdadeira vocação.", não podemos concordar porque a fé religiosa é, em sua natureza, é irracional. Para desistir dela e renegar tudo em que acreditava, iniciando uma nova vida, é preciso coragem, estudo e determinação, coisa que a maioria dos crentes não têm e nem fazem questão de ter.

Fiz questão de reproduzir esse trecho porque aqui está revelado o GRANDE EQUÍVOCO dos irreligiosos quanto à natureza da fé. 

A chamada "fé cega" que poder-se-ia considerá-la "irracional", ainda assim é POSITIVA porque é o começo do melhor que há de vir. Porém, a fé somente se torna ADULTA quando perfeitamente racionalizada. E isso NÃO é tarefa simples! Muitos passos precisam ser dados, há tropeços, quedas, enfim, toda a sorte de dificuldades, e tudo isso tem que ser superado.

Porém, imagino que o senhor não queira aprender, e prefira viver na ilusão de que para descrer seja necessário alguma manifestação de "coragem" e força de "vontade".



Ivo S. G. Reis disse:

Sigurd:

Ele já está sendo feliz. Sofreu por muitos meses, mas superou e fundou uma bem-sucedida revista, que agora é referência na cidade. Declarou-nos que o sentimento de liberdade e de estar em paz com a sua consciência é uma coisa que não tem preço.

E quanto a esta sua afirmação "Se alguém não consegue racionalizar a própria fé, desista! porque essa não é a sua verdadeira vocação.", não podemos concordar porque a fé religiosa é, em sua natureza, é irracional. Para desistir dela e renegar tudo em que acreditava, iniciando uma nova vida, é preciso coragem, estudo e determinação, coisa que a maioria dos crentes não têm e nem fazem questão de ter. 

Você diz também que a reação de repúdio dos fiéis é compreensível, mesmo não sendo aceitável, quando alguém se sente enganado, porque "ninguém tolera ter sido enganado quando tem certeza do engano". eu escreveria ela de outra forma: "ninguém tolera ter sido enganado quando tem certeza do engano ou suspeita que possa estar sendo enganado". Para que esperar a confirmação (que não deixarão ou dificultarão para o fiel) e permanecer na dúvida? Por que não agir antes e investigar para ter certeza e tomar a decisão correta? É PRECISO CORAGEM E VONTADE.

Certo ou não, é como vejo.

Saudações Irreligiosas!

Sim, concordo mais uma vez com você e reafirmo: 'É PRECISO CORAGEM E FORÇA DE VONTADE". Sem isso, alguém que sempre teve o cabresto do jugo religioso e que acreditou em toda a sua infância, juventude e parte da vida adulta no que lhe ensinaram nas igrejas, em seus lares, no convívio social, não se liberta com facilidade e sem ter de pagar um alto preço. Há quem prefira ficar no conforto da mentira e da ilusão, a ter de sofrer as vicissitudes de quem tem coragem e se arrisca.

Por isso, o exemplo do nosso colega Álvaro Santos é dignificante e que achamos deva ser seguido pelos indecisos e/ou com falta de coragem.
 
T. P. Sigurd disse:

E quanto a esta sua afirmação "Se alguém não consegue racionalizar a própria fé, desista! porque essa não é a sua verdadeira vocação.", não podemos concordar porque a fé religiosa é, em sua natureza, é irracional. Para desistir dela e renegar tudo em que acreditava, iniciando uma nova vida, é preciso coragem, estudo e determinação, coisa que a maioria dos crentes não têm e nem fazem questão de ter.

Fiz questão de reproduzir esse trecho porque aqui está revelado o GRANDE EQUÍVOCO dos irreligiosos quanto à natureza da fé. 

A chamada "fé cega" que poder-se-ia considerá-la "irracional", ainda assim é POSITIVA porque é o começo do melhor que há de vir. Porém, a fé somente se torna ADULTA quando perfeitamente racionalizada. E isso NÃO é tarefa simples! Muitos passos precisam ser dados, há tropeços, quedas, enfim, toda a sorte de dificuldades, e tudo isso tem que ser superado.

Porém, imagino que o senhor não queira aprender, e prefira viver na ilusão de que para descrer seja necessário alguma manifestação de "coragem" e força de "vontade".



Ivo S. G. Reis disse:

Sigurd:

Ele já está sendo feliz. Sofreu por muitos meses, mas superou e fundou uma bem-sucedida revista, que agora é referência na cidade. Declarou-nos que o sentimento de liberdade e de estar em paz com a sua consciência é uma coisa que não tem preço.

E quanto a esta sua afirmação "Se alguém não consegue racionalizar a própria fé, desista! porque essa não é a sua verdadeira vocação.", não podemos concordar porque a fé religiosa é, em sua natureza, é irracional. Para desistir dela e renegar tudo em que acreditava, iniciando uma nova vida, é preciso coragem, estudo e determinação, coisa que a maioria dos crentes não têm e nem fazem questão de ter. 

Você diz também que a reação de repúdio dos fiéis é compreensível, mesmo não sendo aceitável, quando alguém se sente enganado, porque "ninguém tolera ter sido enganado quando tem certeza do engano". eu escreveria ela de outra forma: "ninguém tolera ter sido enganado quando tem certeza do engano ou suspeita que possa estar sendo enganado". Para que esperar a confirmação (que não deixarão ou dificultarão para o fiel) e permanecer na dúvida? Por que não agir antes e investigar para ter certeza e tomar a decisão correta? É PRECISO CORAGEM E VONTADE.

Certo ou não, é como vejo.

Saudações Irreligiosas!

Isso aí, eu sinto na pele, até hoje. . .

Dizem que não, mas, no Brasil, o ateu é discriminado, sabotado e perseguido, sim. . .

Principalmente o ateu ex-religioso, como é o meu caso.

O melhor mesmo é "fechar a boca" e ficar com o ateísmo só para si mesmo.

Porque, caso contrário, tem que ter muito tesão pra aguentar.

Depoimento:

by @ 22:37 on 18 agosto 2008. AteísmoPessoal

"Muito pelo contrário! Quem é limitado é aquele que constrói sua cosmovisão com base numa fé, qualquer que seja ela. Este aceita, sem crítica, como verdade, proposições apresentadas sem fundamentação em provas e evidências. As “Sagradas Escrituras” (Bíblia, Corão, Vedas, Talmude, Torá, Mahabharata, Zend Avesta, os livros de Allan Kardec etc) nada mais são do que compilações de lendas mitológicas, formuladas de modo inteiramente gratuíto (ou puras doxas, como o espiritismo), desde tempos ancestrais, em resposta a indagações fundamentais, então não respondidas por nenhum conhecimento bem estabelecido. Qualquer um que se dedique sinceramente e com afinco a estudar de modo abrangente e profundo todas as questões ligadas às origens do Universo e da vida e ao significado dessas coisas concluirá que não há razão alguma para postular a existência de qualquer entidade sobrenatural responsável pela criação e provimento do mundo, bem como de nenhuma substância imaterial para sediar a mente. Também concluirá pela total ausência de razão e propósito para o mundo e a vida. Então sim, compreendendo esta verdade, adotará o ateísmo e se libertará de toda fé, que, afinal de contas, não pode servir de critério de verdade para coisa alguma, já que existem diferentes versões de fés, não podendo serem todas verdadeiras. O ateu é, assim, o ser humano inteiramente liberto e de horizontes ilimitados. É a fé e não a sua ausência o fator limitador.

Há crentes e ateus que são vaidosos ou modestos, orgulhosos ou humildes, egoístas ou altruístas, bondosos ou malvados, sinceros ou mentirosos, honestos ou desonestos, justos ou injustos, generosos ou sovinas, valentes ou covardes, e assim por diante, com respeito a qualquer vício ou virtude que se imaginar. Todavia, ouso afirmar, pelo conhecimento que tenho das pessoas, que, na média, ou ateístas declarados são mais virtuosos que os crentes, mais verdadeiros, honestos, sinceros, solidários, amigos, justos, honrados, nobres de caráter, tolerantes, trabalhadores, enfim, de um modo geral, melhores pessoas que a média dos crentes.
Pelo que posso perceber, a conclusão pela não existência de deus é fruto de grande reflexão e estudo, como foi o meu caso, que já fui católico praticante de ir à missa, comungar, rezar um rosário, fazer meditação e penitência todo dia. Só que me dediquei a estudar em profundidade a doutrina católica, não só a Bíblia, mas os doutores da Igreja, como Agostinho e Tomás de Aquino e, enquanto isto, também estudava muita ciência: física, matemática, cosmologia, filosofia e história, bem como as outras religiões, como o espiritismo, o budismo e o islamismo. A conclusão a que cheguei, aos 19 anos de idade, foi de que a fé é uma coisa inteiramente sem cabimento. Então deixei de ser católico e me tornei inicialmente agnóstico e depois ateu.
Não me considero nem um pouco limitado em comparação com a média da população, exceto no que se refere a esportes, que não aprecio. Mas intelectual e culturalmente vejo, sem vaidade, que estou acima da média.
O testemunho de meus amigos e todos que me conhecem atesta que, absolutamente, não sou uma pessoa orgulhosa e nem vaidosa e que pauto minha vida por altos padrões de comportamento ético e solidário..."

Leia opinião completa em:

http://www.ruckert.pro.br/blog/?p=2138

Saudações Irreligiosas,

Oiced

Minha opinião completa em:

http://livrodeusexiste.blogspot.com.br/#uds-search-results



Ivo S. G. Reis disse:

Sim, concordo mais uma vez com você e reafirmo: 'É PRECISO CORAGEM E FORÇA DE VONTADE". Sem isso, alguém que sempre teve o cabresto do jugo religioso e que acreditou em toda a sua infância, juventude e parte da vida adulta no que lhe ensinaram nas igrejas, em seus lares, no convívio social, não se liberta com facilidade e sem ter de pagar um alto preço. Há quem prefira ficar no conforto da mentira e da ilusão, a ter de sofrer as vicissitudes de quem tem coragem e se arrisca.

Por isso, o exemplo do nosso colega Álvaro Santos é dignificante e que achamos deva ser seguido pelos indecisos e/ou com falta de coragem.
 
T. P. Sigurd disse:

E quanto a esta sua afirmação "Se alguém não consegue racionalizar a própria fé, desista! porque essa não é a sua verdadeira vocação.", não podemos concordar porque a fé religiosa é, em sua natureza, é irracional. Para desistir dela e renegar tudo em que acreditava, iniciando uma nova vida, é preciso coragem, estudo e determinação, coisa que a maioria dos crentes não têm e nem fazem questão de ter.

Fiz questão de reproduzir esse trecho porque aqui está revelado o GRANDE EQUÍVOCO dos irreligiosos quanto à natureza da fé. 

A chamada "fé cega" que poder-se-ia considerá-la "irracional", ainda assim é POSITIVA porque é o começo do melhor que há de vir. Porém, a fé somente se torna ADULTA quando perfeitamente racionalizada. E isso NÃO é tarefa simples! Muitos passos precisam ser dados, há tropeços, quedas, enfim, toda a sorte de dificuldades, e tudo isso tem que ser superado.

Porém, imagino que o senhor não queira aprender, e prefira viver na ilusão de que para descrer seja necessário alguma manifestação de "coragem" e força de "vontade".



Ivo S. G. Reis disse:

Sigurd:

Ele já está sendo feliz. Sofreu por muitos meses, mas superou e fundou uma bem-sucedida revista, que agora é referência na cidade. Declarou-nos que o sentimento de liberdade e de estar em paz com a sua consciência é uma coisa que não tem preço.

E quanto a esta sua afirmação "Se alguém não consegue racionalizar a própria fé, desista! porque essa não é a sua verdadeira vocação.", não podemos concordar porque a fé religiosa é, em sua natureza, é irracional. Para desistir dela e renegar tudo em que acreditava, iniciando uma nova vida, é preciso coragem, estudo e determinação, coisa que a maioria dos crentes não têm e nem fazem questão de ter. 

Você diz também que a reação de repúdio dos fiéis é compreensível, mesmo não sendo aceitável, quando alguém se sente enganado, porque "ninguém tolera ter sido enganado quando tem certeza do engano". eu escreveria ela de outra forma: "ninguém tolera ter sido enganado quando tem certeza do engano ou suspeita que possa estar sendo enganado". Para que esperar a confirmação (que não deixarão ou dificultarão para o fiel) e permanecer na dúvida? Por que não agir antes e investigar para ter certeza e tomar a decisão correta? É PRECISO CORAGEM E VONTADE.

Certo ou não, é como vejo.

Saudações Irreligiosas!

Analisemos os aspectos práticos da vida, em vez de ficarmos discutindo quem é "livre", tem "coragem" e força de "vontade". Para isso, basta que os próprios ateus reflitam sobre isto: o que os DESCRENTES podem, devem ou conseguem fazer, e que os CRENTES não podem, não devem ou não conseguem fazer?

Se algum ateu quiser postar aqui o resultado da sua reflexão, eu também coloco o que penso a respeito. Daí, sim, qualquer pessoa que ler, mesmo que apenas medianamente 'letrado', compreenderá claramente as diferenças que colocam os ateus de um lado, e os crentes de outro; afora a fé, é óbvio.

A semente de meu ateismo começou, um dia em que, lendo a Bílbia continuamente, ao passar, do Livro de Jó, para o Salmo 1, sem querer, deparei-me com a primeira "contradição de inspiração” da Bíblia, pois, esse Salmo já começa falando: “ Bem-aventurado o varão que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.” Ou seja, o “Deus” descrito, nas páginas do Livro de Jó, faz exatamente o oposto – Quando “andou” segundo o conselho do próprio Satanás, foi obrigado a deter-se em seu caminho, deixando Jó visivelmente prejudicado, e, depois, ainda “escarnece” de Jó, devolvendo-lhe em dobro, tudo o que tinha antes, (ou seja, subornando-lhe); dando-lhe, inclusive, outros filhos e filhas em número exato daqueles que perdeu, porque, em suas próprias palavras, “ele é “Deus” e pode errar e reparar seus erros da maneira como bem entender. Ninguém estava aqui quando ele começou o seu divino projeto, e ninguém tem o direito de dar palpites em sua maneira de agir . . .”

Depois descobri que Adão e Eva tiveram tudo, menos paz, naquele pseudo-paraíso onde foram aprisionados até que errassem e pudessem assumir a culpa de tudo.

Depois descobri a sonegação dos apóstolos na distribuição dos bens que lhes eram colocados aos seus pés, para a justa distribuição entre os cristãos primitivos e de como assassinaram, com palavras, a Ananias e Safira, que, possivelmente, sentindo o drama, não deram tudo, mas guardaram parte para si.

E, por último, (pois até aí eu ainda era crente. Não queria “olhar para o homem” e sim, para Jesus). Foi quando eu vi, em plena “Ceia de despedida”, o “Salvador-do-Mundo”, aquele das 99 ovelhas, lembram-se? Vira-se para Judas, e “detona” a seguinte frase de amor, perdão e compreensão: “O que tens para fazer, faze-o depressa”.

Lembro-me, como se fosse hoje. Foi nesse exato momento que o “Cristianismo”, “Deus-bíblico”, “Salvador-do-mundo”, acabou para mim.

Não exite nada nem neste mundo e nem fora dele, que justifique essa atitude de Jesus Cristo. Acabou, acabou. Não tenho mais condições técnicas de dizer que sigo a um homem que teve a coragem de fazer isso. Jesus Cristo, para mim, não é nada mais.

Depois, descobri que não existe absolutamente nada que “comprove”, ou que, pelo menos, tente comprovar a existência histórica de Jesus que, no mínimo, não esteja sob fortíssima suspeita de fraude dolosa.

Lendo todos os argumentos contra e a favor da existência histórica de Jesus Cristo, vi tentativas de falsificações, embustes, farsas, SOMENTE DO LADO DOS QUE TENTAVAM PROVAR SUA EXISTÊNCIA, então, por simples questão de bom senso, percebi que o próprio Jesus era, em si mesmo, uma fraude histórica.

Fui crente. De crente, passei a ser teísta, e, de teísta, pulei direto para o ateísmo.

.

Até agora, ainda não escutei nada de novo ou sério que pudesse mudar minhas conclusões.

Senhor T. P. Sigurd,

Penso que o que está aqui em causa é o facto de um ser humano ao abandonar o grupo a que pertencia viver uma experiência pessoal, a experiência que ele vive é única na sua forma, mas também é comum a todos os seres humanos que abandonam os grupos a que pertenciam para integrarem outros.

É aqui neste ponto, no ato de abandonar o grupo, que surgem questões ligadas à tradição e que estas vão entrar em conflito com o equilíbrio do indivíduo. E nesta parte do percurso penso que é necessária sim, muita coragem e muita dedicação para um ser humano alcançar o equilíbrio físico e psicológico que o mantenha lúcido para avançar na construção dos seus ideais.

Quantos amores ficaram e ficam por viver por causa dos costumes? Há milhões de romances que nos dão conta disso. Mulheres e homens que vivem vidas infelizes apenas por obediência às regras do grupo onde nasceram. Poucos destes seres humanos têm a coragem e a força de vontade para arriscar o bem-estar da aceitação do seu grupo e passarem a integrar outro. O ter sobrepõe o ser. E não é só o ter material é também o conforto psicológico de não ter que procurar “casa” que melhor se adapte ao seu ser. Isto acontece para qualquer grupo, religiosos-ateus, ricos-pobres, conservadores-revolucionários e muitos, muitos outros.

Neste caso concreto o colega Álvaro Santos deve ter tido muita coragem e força de vontade para deixar o grupo a que pertencia e enfrentar o desconhecido, por isso, do meu ponto de vista ele é merecedor de todo o meu apreço e respeito.

O senhor T. P. Sigurd perguntou, “o que os DESCRENTES podem, devem ou conseguem fazer, e que os CRENTES não podem, não devem ou não conseguem fazer?”

E eu respondo: nada, tanto descrentes como crentes são seres humanos e dentro dos seus grupos podem e devem fazer coisas inerentes ao grupo a que pertencem. Quanto a conseguir fazer isso já depende da habilidade e motivação de cada pessoa dentro do seu próprio grupo.

Repare-se que descrentes e crentes são grupos completamente distintos, mas dentro de cada um destes grupos as pessoas podem e devem fazer coisas que são específicas do grupo. Um crente crê em Deus segundo as regras do seu grupo, isto é, segue determinados preceitos e normas, sejam eles ditados pela Bíblia, Alcorão, ou outros, um descrente não crê em Deus e segue outras regras, como por exemplo a moral e ética filosóficas.

Portanto, dentro de cada grupo cada pessoa pode fazer e deve fazer o que está de acordo com as regras do mesmo. Se consegue ou não fazê-las, isso só vai depender das suas próprias crenças e do que motiva a sua permanência no grupo.

O que acontece é que as pessoas que compõem de cada um dos grupos acreditam que as suas regras e normas são melhores do que as regras e normas do outro grupo. Esta crença leva inevitavelmente a que cada um dos grupos veja o outro do seu ponto de vista e daí surgem as questões. Por exemplo, eu (não crente) não penso que um crente se considere menos livre do que um não crente, mas acredito que um crente é menos livre do que um não crente. Ou seja, penso que um crente dentro do seu grupo se sente tão livre como eu dentro do meu, mas do meu ponto de vista crítico, ou seja, quando olho do meu grupo para o grupo dos crentes acredito que os crentes estão emparedados entre dogmas e regras obsoletos que os fazem menos livres do que eu. O mais certo é um crente pensar exatamente o mesmo em relação a mim e isso é legítimo. Não só é legítimo como é um bem que os seres humanos felizmente preservam, imagine-se que jamais alguém tivesse contestado do grupo dos nazis!

Saudações!



T. P. Sigurd disse:

Analisemos os aspectos práticos da vida, em vez de ficarmos discutindo quem é "livre", tem "coragem" e força de "vontade". Para isso, basta que os próprios ateus reflitam sobre isto: o que os DESCRENTES podem, devem ou conseguem fazer, e que os CRENTES não podem, não devem ou não conseguem fazer?

Se algum ateu quiser postar aqui o resultado da sua reflexão, eu também coloco o que penso a respeito. Daí, sim, qualquer pessoa que ler, mesmo que apenas medianamente 'letrado', compreenderá claramente as diferenças que colocam os ateus de um lado, e os crentes de outro; afora a fé, é óbvio.

Luísa L. disse:

Senhor T. P. Sigurd,

Penso que o que está aqui em causa é o facto de um ser humano ao abandonar o grupo a que pertencia viver uma experiência pessoal, a experiência que ele vive é única na sua forma, mas também é comum a todos os seres humanos que abandonam os grupos a que pertenciam para integrarem outros.

É aqui neste ponto, no ato de abandonar o grupo, que surgem questões ligadas à tradição e que estas vão entrar em conflito com o equilíbrio do indivíduo. E nesta parte do percurso penso que é necessária sim, muita coragem e muita dedicação para um ser humano alcançar o equilíbrio físico e psicológico que o mantenha lúcido para avançar na construção dos seus ideais.

Quantos amores ficaram e ficam por viver por causa dos costumes? Há milhões de romances que nos dão conta disso. Mulheres e homens que vivem vidas infelizes apenas por obediência às regras do grupo onde nasceram. Poucos destes seres humanos têm a coragem e a força de vontade para arriscar o bem-estar da aceitação do seu grupo e passarem a integrar outro. O ter sobrepõe o ser. E não é só o ter material é também o conforto psicológico de não ter que procurar “casa” que melhor se adapte ao seu ser. Isto acontece para qualquer grupo, religiosos-ateus, ricos-pobres, conservadores-revolucionários e muitos, muitos outros.

Neste caso concreto o colega Álvaro Santos deve ter tido muita coragem e força de vontade para deixar o grupo a que pertencia e enfrentar o desconhecido, por isso, do meu ponto de vista ele é merecedor de todo o meu apreço e respeito.

- CONCORDO plenamente com a sua explanação!

Ocorre, senhora Luísa - e é contra isso que me insurjo - que as coisas por aqui NÃO foram colocadas dessa forma. O que se estabeleceu, em comentários anteriores, foi uma ERRÔNEA concepção de que tal "coragem" e "força de vontade" somente são percebidas em atos de crentes que se tornam DESCRENTES! E o contrário, também não seria uma atitude valorosa??? Então, em quê distingue o "ex" pastor que se tornou ateu, de um ateu que que se converteu ao cristianismo? Ambos não tiveram que abdicar de seu grupo anterior???

São esses "dois pesos e duas medidas", senhora Luísa, que não engulo de jeito nenhum, e isso incomoda alguns debatedores por aqui que devem estar habituados a debater com principiantes.

O senhor T. P. Sigurd perguntou, “o que os DESCRENTES podem, devem ou conseguem fazer, e que os CRENTES não podem, não devem ou não conseguem fazer?”

E eu respondo: nada, tanto descrentes como crentes são seres humanos e dentro dos seus grupos podem e devem fazer coisas inerentes ao grupo a que pertencem. Quanto a conseguir fazer isso já depende da habilidade e motivação de cada pessoa dentro do seu próprio grupo.

Repare-se que descrentes e crentes são grupos completamente distintos, mas dentro de cada um destes grupos as pessoas podem e devem fazer coisas que são específicas do grupo. Um crente crê em Deus segundo as regras do seu grupo, isto é, segue determinados preceitos e normas, sejam eles ditados pela Bíblia, Alcorão, ou outros, um descrente não crê em Deus e segue outras regras, como por exemplo a moral e ética filosóficas.

Portanto, dentro de cada grupo cada pessoa pode fazer e deve fazer o que está de acordo com as regras do mesmo. Se consegue ou não fazê-las, isso só vai depender das suas próprias crenças e do que motiva a sua permanência no grupo.

- Mais uma vez, PERFEITO o seu comentário!

O que acontece é que as pessoas que compõem de cada um dos grupos acreditam que as suas regras e normas são melhores do que as regras e normas do outro grupo. Esta crença leva inevitavelmente a que cada um dos grupos veja o outro do seu ponto de vista e daí surgem as questões. Por exemplo, eu (não crente) não penso que um crente se considere menos livre do que um não crente, mas acredito que um crente é menos livre do que um não crente. Ou seja, penso que um crente dentro do seu grupo se sente tão livre como eu dentro do meu, mas do meu ponto de vista crítico, ou seja, quando olho do meu grupo para o grupo dos crentes acredito que os crentes estão emparedados entre dogmas e regras obsoletos que os fazem menos livres do que eu. O mais certo é um crente pensar exatamente o mesmo em relação a mim e isso é legítimo. Não só é legítimo como é um bem que os seres humanos felizmente preservam, imagine-se que jamais alguém tivesse contestado do grupo dos nazis!

Saudações!

- Nada mais a acrescentar! Saudações, senhora Luísa.



T. P. Sigurd disse:

Analisemos os aspectos práticos da vida, em vez de ficarmos discutindo quem é "livre", tem "coragem" e força de "vontade". Para isso, basta que os próprios ateus reflitam sobre isto: o que os DESCRENTES podem, devem ou conseguem fazer, e que os CRENTES não podem, não devem ou não conseguem fazer?

Se algum ateu quiser postar aqui o resultado da sua reflexão, eu também coloco o que penso a respeito. Daí, sim, qualquer pessoa que ler, mesmo que apenas medianamente 'letrado', compreenderá claramente as diferenças que colocam os ateus de um lado, e os crentes de outro; afora a fé, é óbvio.

Maior ameaça à religião? Pessoas do Clero Tornando-se Ateus
AlterNet / Por Greta Christina -

Uma explosão de atenção da mídia vem-se concentrando em ateus de uma lista inesperada — membros do clero. Poderia a falta de crença do clero mudar a forma como vemos a religião?
O que acontece quando uma pessoa do clero — um pastor, um padre, um bispo, um rabino, um imã – percebe que não acredita em Deus?
E o que acontece quando ele diz isso em voz alta? O que acontece quando eles se encontram; quando eles apóiam uns aos outros ao lidar com suas crises, quando eles ajudam uns aos outros com recursos e assistência prática de aconselhamento de emprego ou outro tipo de assistência? O que acontece quando eles incentivam uns aos outros a sair do armário?
Isso poderia afetar mais do que apenas essas pessoas do clero e seus seguidores? Poderia mudar como a sociedade como um todo pensa e sente sobre religião?
Isso é o que o Projeto Clero o está descobrindo. Nos últimos meses e anos, ateus têm estado nas manchetes. Mas, durante as últimas semanas, uma explosão de atenção da mídia tem sido focada em ateus de uma lista inesperada: membros do clero. E em particular, a atenção está indo para o Projeto Clero, um local de reunião on-line e grupo de apoio que existe especificamente para estas adições inesperadas às fileiras dos sem-deus. O Projeto Clero é uma comunidade on-line confidencial para clero / líderes religiosos profissionais e ex que não possuem crenças sobrenaturais. O Projeto Clero lançou no dia 21 de março de 2011
O projeto foi inspirado pelo estudo-piloto de 2010 realizado por Daniel C. Dennett e Linda LaScola, “Pregadores que são descrentes” (PDF), que expôs e explorou o fenômeno surpreendentemente comum do clero descrente. A necessidade de dar suporte a essas pessoas – e se possível, uma estratégia de saída — foi imediatamente reconhecida na Comunidade ateísta e acionador de partida de financiamento para o Clergy Project foi rapidamente fornecido pela Fundação Richard Dawkins para a Razão e a Ciência. Fundado em Março de 2011, com 52 Membros, o Projeto Clero tem atualmente mais de 270 Membros – e desde que histórias de notícias recentes sobre o assunto começaram a aparecer, em veículos desde a MSNBC, a NPR , o Religious News Service e a CNN, pedidos de adesão vem aumentando a um ritmo ainda mais dramático.
O objetivo do Projeto Clero é apoiar os membros que se movem além da fé. Membros discutir livremente as questões relacionadas com a sua transição do crente descrente incluindo:
• Lutando com questões intelectuais, éticas, filosóficas e teológicas
• Lidar com a dissonância cognitiva
• Dirigindo-se sentimentos de ser preso e temendo o futuro
• À procura de novas carreiras
• O compartilhamento de recursos úteis
• Viver como um descrente com cônjuges religiosos e familiares
• Usar o humor para amenizar a dor
• Encontrar um caminho para sair do ministério
• Ajustar a vida depois que do ministério

A cascata de notícias começou quando a Pastora metodista Teresa MacBain veio à Convenção dos Ateus Americanos logo após a Passeata da Razão de Março último – e fez uma aparição não programada dramática no pódio, para anunciar que ela era atéia. “Estar em um grupo de pessoas com quem eu poderia compartilhar abertamente sem receio de perseguição me deu a coragem para me revelar,” ela me disse. “A oportunidade de estar diante da multidão, revelar-me como ateu e compartilhar sobre o Projeto do Clero era boa demais para deixar passar. Eu estava no fim de minha corda e eu sabia disso. Era agora ou nunca para mim. Enquanto eu caminhava para o podium, eu senti medo como nenhuma outra vez. “
MacBain vinha questionando sua fé desde sua adolescência, quando ela deparou com contradições na Bíblia. “Eu procurei meu pai para as respostas”, disse ela. “Ele simplesmente disse que os caminhos de Deus são muito maiores do que nossos caminhos e que não podemos entender tudo na Bíblia. Nossa resposta deve ser a fé, não a dúvida. Ele então me disse que duvidar era um pecado. Eu saí naquele dia e suprimi aquelas perguntas. Esta prática seguiu-me por décadas.”
Mas, com o tempo, as perguntas tornaram-se demasiadas. Ela abandonou seu literalismo bíblico, que, pela primeira vez a ajudou a resolver suas dúvidas sobre contradições bíblicas – mas isso logo abriu espaço para que outras perguntas a pressionassem.
“Coisas como a Teodiceia [o problema do sofrimento e do mal], a questão do inferno, a onipotência de Deus e, ao mesmo tempo, a falta de intervenção em eventos hediondos, a historicidade de Jesus… tudo isso borbulhava até a superfície e exigia serem respondidas,” disse ela. “Meu trabalho para responder a estas perguntas começou com o pensamento de que à medida que eu descobrisse a verdade, eu criaria uma fé mais forte e daria respostas confortadoras àqueles em minha Igreja que estavam lidando com as mesmas questões. Em vez disso, a verdade que eu encontrei levou-me para longe da fé.”
Esta experiência é comum entre os membros do Projeto Clero. As pessoas do clero, quase que por definição, são pessoas que levam a sério a sua fé. Elas tendem a pensar cuidadosamente sobre religião. Muitas vezes (mas nem sempre) elas estudam cuidadosamente a sua religião. Ao contrário de muitos crentes, elas realmente lêem a Bíblia, ou a Torah ou o Corão, seja qual for o texto sagrado de sua religião. Elas pensam muito sobre questões que os crentes mais casuais estão dispostos a deixar passar. Afinal de contas – este é seu trabalho.
Mas, como muitos ateus lhe dirão, pensar cuidadosamente sobre a religião é exatamente o que os levou a abandoná-la.
Quando você pergunta a ateus, “o que fez você se tornar um ateu? ” ler a Bíblia é um dos itens mais altos na lista. E quando eu perguntei a Jerry DeWitt – diretor executivo de Recuperando-se da Religião, pós-graduado do Clergy Project e novo membro pesquisador do CP – quais os tipos de idéias e experiências que mais comumente levam membros do clero para questionar e eventualmente abandonar sua fé, ele respondeu simplesmente, “A incapacidade da religião de responder a ou aliviar o sofrimento humano.”
Lawrence Hunter compartilha esta experiência. Um antigo pastor adjunto da denominação Pentecostal Negra da Igreja de Deus em Cristo, ele diz que um casamento ruim “permitiu-me ver como vida realmente era, ao invés das versões de contos de fada defendidas a cada domingo… perguntas sobre o bem e mal, a Bíblia, casamento, sofrimento, dízimos, corrupção de Igreja e inferno encheram minha mente. Eu percebi que precisava expandir meu entendimento.”
Ele acrescenta que as falhas da religião em atender às necessidades humanas básicas – e as falhas de líderes da Igreja em viver segundo os padrões morais que eles exigem de seus rebanhos – contribuíram para seu questionamento. “Enquanto pregador”, diz ele,
“eu podia ver que orações não estavam curando as pessoas e apesar de pregar sobre a riqueza, as únicas pessoas a enriquecer eram os pastores. Eu podia ver que muitas, muitas pessoas estavam mentalmente perturbadas com uma série de problemas. Sem mencionar os escândalos e o adultério. Isso me levou a olhar mais profundamente e realmente descobrir a verdadeira essência da minha fé, e por que o espírito santo não estava ativo como supostamente esteve nos dias da Bíblia. O resto é história.”
E Catherine Dunphy, um dos 52 membros originais do Projecto Clero, concorda. “Eu sempre fui curiosa sobre a Bíblia,” ela me disse, “e lê-la, apesar do fato de que a Igreja e seus sacerdotes dissessem, ‘não se dê o trabalho’. Nela eu encontrei histórias ridículas que só favoreceram minha confusão.” Dunphy, ex católica, também teve sua fé abalada pelos escândalos generalizados de estupro de crianças na Igreja Católica – e pela resposta inexplicável da Igreja a eles. “O bispo de minha diocese, um imbecil chamado Colin Campbell, emitiu uma declaração dizendo que as vítimas eram responsáveis, pois elas continuavam voltando aos sacerdotes predatórios!”
Mas para Dunphy, o prego final no caixão da sua fé foi perceber que autoridades religiosas altamente treinadas não tinham qualquer razão melhor para suas crenças do que qualquer outra. “Lembro-me quão frustrada eu ficava em classe,” ela disse, “já que ele não me parecia que meus professores tivessem qualquer autoridade maior do que eu tinha!… Eu vim a perceber que nós éramos todos cúmplices em criar essas coisas durante a vida. “
Para muitas pessoas, questionar e eventualmente abandonar a religião pode envolver conflitos profundamente emocionais e psicológicos. Ateus comumente dizem que sentem alívio, até mesmo libertação, quando finalmente renunciam à dissonância cognitiva que a religião exige, mas o processo é muitas vezes difícil. Isso é, muitas vezes, ainda mais pronunciado em pessoas do clero… que, mais uma vez, tendem a levar a religião mais a sério do que o crente médio comum.
Mas, para as pessoas do clero, esta luta interna é apenas o começo. Para as pessoas do clero, perder a religião não significa apenas fazer perguntas como, “Como eu aceito a permanência da morte?” e “Qual é meu lugar no universo?” Significa fazer a pergunta, “Como eu vou pagar o aluguel?” Para a maioria dos membros do clero, revelar-se como ateu significa a perda automática do seu sustento. Mas, ficar fechado no armário sobre seu ateísmo significa viver uma mentira. Como MacBain disse, “Assim que eu percebi que minha fé tinha ido embora, comecei procurando uma nova saída. Minha consciência me atormentava continuamente, mas eu sentia que as necessidades da minha família exigiam que eu trabalhasse meu caminho lentamente. Eu aceitei um trabalho temporário (que me fazia trabalhar 80 horas por semana) para pagar algumas contas que tornariam mais fácil a transição. À medida que as semanas passavam, a turbulência aumentou exponencialmente.”
E membros do clero que deixam sua fé não são apenas confrontados com a perda de seus meios de subsistência. Eles estão propensos a perder o status e o respeito que os líderes religiosos recebem comumente. E embora alguém que se revele um ateu possa ser alvo de hostilidade e fanatismo, o veneno pode chegar ao máximo quando ela é um membro do clero. Quando Teresa MacBain voltou para sua casa, da Convenção Americana de Ateus, “A liderança da Igreja trocou as fechaduras da Igreja e levei quase dois meses para recolher meus pertences. Meu servidor de e-mail, caixa de correio e mensagens de voz eram lotados diariamente com ameaças veladas, pronunciamentos cheios de ódio de minha desgraça iminente e mensagens francamente desagradáveis. Um cavalheiro afirmou que ele não podia esperar até que chegasse ao céu e olhasse para mim no inferno enquanto a carne de meu corpo queimava!”
Esta é exatamente a razão pela qual o Projeto Clero foi fundado. Nesta comunidade on-line confidencial, os membros podem discutir livremente os desafios que eles enfrentam para deixar o Ministério e estabelecer uma nova vida. Isso envolve apoio psicológico e emocional, é claro – ajuda na luta com questões éticas e filosóficas que muitas vezes surgem com o ateísmo; aconselhamento sobre como se revelar como ateu à família e aos amigos, e assim por diante. Mas, também pode envolver aconselhamento prático e apoio: os membros podem compartilhar idéias sobre como encontrar um caminho fora do Ministério e procurar de novas carreiras, e podem compartilhar recursos de que os recém-chegados ao ateísmo podem não estar cientes.
Neste exato momento, o Projeto Clero é essencialmente um grupo de apoio aos membros. Mas, a organização está trabalhando para expandir seu alcance, fornecer assistência mais tangível que as pessoas do clero atéias tão desesperadamente precisam. Eles estão se preparando agora para lançar um grupo de recursos que inclui preparação para reemprego – preparação de currículos, técnicas de entrevista, firmas de recrutamento que trabalharão com os membros para fornecer indicações — assim como aconselhamento secular, trabalhar Projeto Terapeuta para oferecer serviços de conselheiros seculares que estão doando seu tempo aos membros do Projeto Clero. E estão planejando — em breve, eles esperam — oferecer capacitação profissional, empréstimos de curto prazo e alojamento temporário para os membros do clero ateus que queiram deixar o clero.
Mas, eles não podem ter seu trabalho interrompido. Ninguém sabe ao certo quantos membros do clero são secretamente ateus (ou estão secretamente em cima da muro, com sérias dúvidas sobre sua religião). Mas, quase todo mundo com quem falei no Projeto Clero suspeita fortemente que os números são elevado — mais altos do que qualquer um poderia esperar. MacBain diz, “É definitivamente mais comum do que qualquer um pensa”. DeWitt concorda: “Minha experiência diz que é muito comum. Em mais de 25 anos de Ministério, testemunhei muito poucos exemplos de outra coisa que não fosse os pastores vivendo vidas ‘normais’ independentemente de suas reclamações sobrenaturais. Eles têm que ver a desconexão.” E Dunphy concorda: “Antes que eu descobrisse o Estudo LaScola, eu pensava que era algum tipo de esquisitice. Quero dizer, quem é que entra em teologia e sai um ateu? E parece que acontece com um monte de gente.”
O aumento do interesse no Projeto Clero parece confirmar isso. Desde que Teresa MacBain se revelou na Convenção de Ateus Americanos em Março, 77 novos membros aderiram ao projeto– e enquanto este artigo é escrito, há mais 86 candidatos aguardando entrevistas. Como diz MacBain: “Isso parece indicar que existem centenas, senão milhares, que estão presos na armadilha do púlpito.”
Então o que significa isso tudo? Por que este assunto, não só para o próprio clero ateu, mas para qualquer um que se preocupa com religião?
É importante porque, se membros do clero começam a abandonar publicamente a religião, todo o castelo de cartas poderia desmoronar.
Para a maioria dos crentes, religião não é algo sobre o que eles pensam com muito cuidado. A maioria dos crentes permanece em qualquer religião em que eles tenham sido educados enquanto crianças. A maioria dos crentes está apenas tentando continuar com suas vidas cotidianas, e caso lhes ocorram perguntas difíceis ou complicadas sobre suas fés, eles muitas vezes presumem que seus líderes religiosos sabem as respostas… da mesma maneira como presumimos que os pilotos sabem como manter aviões no céu. Como Lawrence Hunter disse, muitos crentes “são simplesmente incapazes ou não querem se dar o trabalho de ler e pesquisar sobre suas crenças e outros aspectos de suas vidas. É mais fácil se alguém diz em que acreditar, em quem votar, de quem comprar, etc. A religião é o bálsamo que acalma perguntas difíceis.”
Mas, se autoridades religiosas começam a reconhecer que eles também não sabem? Se as autoridades religiosas começam a reconhecer que eles têm exatamente as mesmas dúvidas e não encontraram boas respostas? Se as autoridades religiosas começam a reconhecer que elas tem apenas inventado à medida que prosseguem? Se as autoridades religiosas começam a abandonar o acordo tácito entre si de que estas questões e dúvidas devem ser mantidas entre elas e não devem ser compartilhadas com seus seguidores? Se as autoridades religiosas começam a dizer em voz alta, que a melhor resposta que encontraram para estas perguntas foi “Deus não existe”? Se as autoridades religiosas começam publicamente a abandonar sua religião? E se eles começarem a fazer isso em números significativos?
Vai ser muito, muito mais difícil para os crentes comuns se agarrar às suas crenças.
Eu estava na platéia na Convenção Americana de Ateus quando Teresa MacBain se revelou. Foi um dos momentos mais dramáticos, mais poderosos que jamais experimentei. Não há muitas pessoas no mundo que têm aquela coragem, aquela integridade, aquela paixão feroz pela verdade. Não há muitas pessoas no mundo que estão dispostas a arriscar perder suas famílias, suas comunidades, seu status, os fundamentos emocionais e filosóficos de suas vidas, e até mesmo sua própria subsistência… porque priorizam a verdade sobre seu bem-estar pessoal.
Estas pessoas são uma inspiração. Independentemente do que você pensa sobre religião ou ateísmo, elas são uma inspiração. E há, claramente, um lugar na nossa sociedade para elas.
Ouçam Lawrence Hunter:
“Se eu fosse um pastor, que tivesse controle completo sobre minha Igreja, eu retiraria o título de “igreja” [e o alteraria] para «centro comunitário.» Eu não pregaria a Bíblia, eu citaria numerosas fontes da literatura e da sabedoria. Como um afro americano eu enfocaria questões de vizinhança, tais como pobreza, falta de educação e um monte de outros males. Jogaria fora os rituais bobos de batismo e comunhão. Há tanta coisa que igrejas podem e devem fazer para ajudar suas comunidades, mas elas preferem ignorá-las.”
Há claramente um lugar na nossa sociedade para essas pessoas. E o Projeto Clero está tentando criá-lo.
Artigo dedicado ao estimado irmão Ricardo Pedrosa e tantos outros, que tiveram a coragem de ser um homem mais livre e que não está sozinho nessa decisão. Agora relaxe e aproveite a descrença honesta, a vida, aqui e agora.
Saudações,
Oiced Mocam

Artigo traduzido. Leia mais de Greta Christina em seu blogue.
http://clergyproject.org/
http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=h...

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