Irreligiosos

Se você não sabe, aceita e não questiona, embota-se e acaba virando crente.

Uma sociedade inteiramente organizada segundo princípios científicos, na qual a mera menção das antiquadas palavras “pai” e “mãe” produzem repugnância. Um mundo de pessoas programadas em laboratório, e adestradas para cumprir seu papel numa sociedade de castas biologicamente definidas já no nascimento. Um mundo no qual a literatura, a música e o cinema só têm a função de solidificar o espírito de conformismo. Um universo que louva o avanço da técnica, a linha de montagem, a produção em série, a uniformidade, e que idolatra Henry Ford. Essa é a visão desenvolvida no clarividente romance distópico de Aldous Huxley, que ao lado de 1984, de George Orwell, constituem os exemplos mais marcantes, na esfera literária, da tematização de estados autoritários. Se o livro de Orwell criticava acidamente os governos totalitários de esquerda e de direita, o terror do stalinismo e a barbárie do nazifascismo, em Huxley o objeto é a sociedade capitalista, industrial e tecnológica, em que a racionalidade se tornou a nova religião, em que a ciência é o novo ídolo, um mundo no qual a experiência do sujeito não parece mais fazer nenhum sentido, e no qual a obra de Shakespeare adquire tons revolucionários. Entretanto, o moderno clássico de Huxley não é um mero exercício de futurismo ou de ficção científica. Trata-se, o que é mais grave, de um olhar agudo acerca das potencialidades autoritárias do próprio mundo em que vivemos.

Gostaria de compartilhar com vocês as questões impostas nesta excelente obra publicada em 1932.

"Nós não pertencemos a nós próprios mais do que nos pertence aquilo que possuímos. Não fomos nós que nos fizemos, não podemos ter a jurisdição suprema sobre nós mesmos. Não somos senhores de nós. Pertencemos a Deus. Não é para nós uma felicidade encararmos as coisas desta maneira? Será, por qualquer razão, uma felicidade, um conforto, considerarmos que pertencemos a nós mesmos? Aqueles que são jovens e os que estão em estado de prosperidade podem acreditá-lo. Esses podem acreditar que é uma grande coisa poder realizar tudo de acordo com os seus desejos, como eles supõem, não depender de ninguém, não ter de pensar em nada fora do alcance da vista, não ter de se  preocupar com a gratidão contínua, com a oração contínua, com a obrigação contínua de atribuir à vontade de outrem o que fazem. Mas à medida que o tempo se escoa apercebem-se, como todos os homens, de que a independência não foi feita para o homem, que ela é um estado antinatural, que pode satisfazer por um momento, mas que não nos leva em segurança até ao
fim" 

Temos aqui um pouco de explicação sobre a tendência religiosa  (algo já debatido aqui) que todo ser humano carrega com si, e a dependência religiosa  na qual os pastores como Silas Malafaia, "bispo" Macedo, Valdemiro Santiago e  muitos outros criam em seus fiéis através do condicionamento e manipulação e o calcanhar de Aquiles de todo ser humano. Temos carência de segurança, todos precisamos de um preenchimento no vazio existencial, para encararmos os problemas da vida no geral, assim a religião surge como uma falsa e ilusória forma de conforto para as pessoas. 

"Envelhecemos, temos o sentimento radical da fraqueza, da atonia, do mal-estar devido ao peso dos anos, e dizemo-nos doentes, embalamo-nos na ideia de que este estado penoso é devido a uma causa particular, de que esperamos curar-nos como nos curamos de uma doença. Vãs cogitações! A moléstia é a velhice, e ela é miserável. Precisamos de nos resignar... Diz-se que se os homens se tornam religiosos ou devotos com o avançar dos anos é porque têm medo da morte e do que a deve seguir na outra vida. Mas tenho, quanto a mim, a consciência de que, sem nenhum terror semelhante, sem nenhum efeito de imaginação, o sentimento religioso se pode desenvolver à medida que avançamos em idade, porque, tendo-se acalmado as paixões, a imaginação e a sensibilidade menos excitadas ou excitáveis, a razão é menos perturbada no seu exercício, menos ofuscada pelas imagens ou afeições que a absorviam. Então Deus, Supremo Bem, sai como das nuvens, e a nossa alma sente-O, vê-O, voltando-se para Ele, fonte de toda a luz, porque, tudo desaparecendo no mundo sensível, a existência fenomenológica deixando de ser sustentada pelas impressões externas e internas, sentimos a necessidade de nos apoiarmos em qualquer coisa que permanece e não engane, numa realidade, numa verdade absoluta, eterna. Porque, enfim,
este sentimento religioso, tão puro, tão doce de sentir, pode compensar todas as outras perdas..."

Teria a religião surgido através do medo da morte e do que (supostamente) vem depois dela?

No vídeo abaixo, o autor da obra fez um discurso em 1962 pouco antes de sua morte. 

https://www.youtube.com/watch?v=2cF-GW0TQkI

"Mas se você conseguir que as pessoas concordem com o estado das coisas nas quais elas vivem, o estado de servidão, o estado de ser, bem, isso parece para mim que a natureza da revolução final que estamos enfrentando agora é precisamente esse – que estamos em um processo de desenvolvimento – de uma série de técnicas que farão com que a oligarquia controladora, que existiu e possivelmente sempre existirá, levem as pessoas a amar sua servidão. 

Pode-se fazer as pessoas gostarem do estado das coisas que de outra forma elas não concordariam. E esses métodos, eu acho, são um refinamento real sobre outros métodos de terror porque combinam métodos de terror com métodos de aceitação.

Bem, então existem vários outros métodos que podem ser usados. Há por exemplo o método farmacológico. Esse é uma daquelas coisas sobre as quais eu falei em Admirável Mundo Novo e o resultado seria que você pode imaginar uma euforia que faria as pessoas muito felizes, mesmo nas circunstâncias mais abomináveis.

Quero dizer, essas coisas são possíveis."


Ao meu ver, a oligarquia controladora, não se diz apenas ao estado político, mas muito sobre a religião, onde as pessoas são manipuladas e condicionadas a amarem o estado de servidão, a não questionar e sim aceitar o que vivem com a ridícula justificativa de que "é a vontade de Deus" ou a palavra do mesmo. 

Tragam suas interpretações e pensamentos sobre o tema e as questões impostas acima.




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Paulo Rosas Moreira disse:  

Sem sombra de dúvidas, somos seres que apesar de "racionais" (até certo ponto...), somos sensíveis. Essa questão do que leva o homem a voltar-se para a religião, uma crença, é muito profunda, complexa e interessante. 


A liberdade, em primeiro lugar, depois voltamo-nos para a informação, que leva ao conhecimento, que leva a sabedoria, que leva a verdade e a verdade, é a libertação!  Devemos nos dedicar a muitos caminhos, muitos assuntos, jamais permitir que sejamos limitados. Limitação é só escuridão e ignorância! 

De fato, o que está a volta do ser humano, forma o ser humano. Família é um dos pés dessa formação, uma vez que ela é uma das coisas que conduz a religião e a crença. 

Concordo sobre o envelhecimento, envelhecer é bom demais. Consumir mais todo o conhecimento sempre. E para voltarmos a "formação", esta causa também leva as pessoas a certa idade a procurarem crença e religião para conforto.

Isso sem dúvidas. Mas afinal, como evitá-la? O que realmente podemos fazer sobre isso? Há chances de mudar? 

Agradeço muito pelo retorno, caro Paulo, o prazer é todo meu. 

Paloma Rangel !

Toda a carga que recebemos da sociedade em que vivemos, descrita por você, leva sim, o ser humano a conformar-se com o que a sociedade como um todo, aceita como sendo verdade e a põe em prática. Vejo um rebanho de gado indo para o matadouro. Essa a impressão que me passa a situação que encontramos.

Existem seres humanos que pensam, analisam e põem em prática suas conclusões, neste caso encontram-se a maioria dos irreligiosos, já os crentes religiosos, entregam-se nas mãos da fantasia religiosa, tão cômoda ao sonho, como o de ganhar uma loteria esportiva. Vejo neste fato, um paralelo sem igual, apenas com uma diferença crucial : o prêmio da loteria sai para o ganhador.

Quanto ao envelhecimento, ele é como o vinho, se não tomasse o cuidado devido, o vinho estraga, vira vinagre, contudo se tratado e acondicionado, convenientemente, apurar-se-á cada vez mais.

Sou pretencioso, tenho o como objetivo aperfeiçoar-me, trocando ideias, expondo meu pensamento, que certo ou errado, poderá ser aceito ou refutado, não importa, o que importa é o que eu faço de mim, lendo, estudando, procurando ser útil, a sociedade em que vivo, quiçá àhumanidade no auge dos meus quase 76 anos.

Saudações irreligiosas



Paloma Rangel disse:



Paulo Rosas Moreira disse:  

Sem sombra de dúvidas, somos seres que apesar de "racionais" (até certo ponto...), somos sensíveis. Essa questão do que leva o homem a voltar-se para a religião, uma crença, é muito profunda, complexa e interessante. 


A liberdade, em primeiro lugar, depois voltamo-nos para a informação, que leva ao conhecimento, que leva a sabedoria, que leva a verdade e a verdade, é a libertação!  Devemos nos dedicar a muitos caminhos, muitos assuntos, jamais permitir que sejamos limitados. Limitação é só escuridão e ignorância! 

De fato, o que está a volta do ser humano, forma o ser humano. Família é um dos pés dessa formação, uma vez que ela é uma das coisas que conduz a religião e a crença. 

Concordo sobre o envelhecimento, envelhecer é bom demais. Consumir mais todo o conhecimento sempre. E para voltarmos a "formação", esta causa também leva as pessoas a certa idade a procurarem crença e religião para conforto.

Isso sem dúvidas. Mas afinal, como evitá-la? O que realmente podemos fazer sobre isso? Há chances de mudar? 

Agradeço muito pelo retorno, caro Paulo, o prazer é todo meu. 

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