Irreligiosos

Se você não sabe, aceita e não questiona, embota-se e acaba virando crente.

Deus é um grande problema, se você considerá-lo sob um ponto de vista generalista, pois é abstrato demais para ser refutado. Abstrato do tipo em que se pode inferir paradoxos, insolúveis por natureza filosófica e matemática, como parte de uma realidade criada pelo deus em questão. Normalmente esse é o último recurso utilizado, especialmente usado quando o discurso da fé passa por problemas, este por sua vez ainda o é difícil pela subjetividade que, mesmo não atingindo pontos importantes do debate, consegue minar argumentos gerais e principalmente materiais.

A fé como uma explicação social é descartada pela subjetividade com que é frequentemente expressada, mesmo que se tenha amplas evidências, nos termos da antropologia, de que heranças socioculturais de povos dominados ou que dominaram definiram todas as sociedades formalizadas, exercendo influência até mesmo no comportamento social da civilização. Mas, claro, alegar que a fé possui um viés social mais do que sobrenatural é incompatível com a grandeza subjetiva e esplendorosa do sentimento humano, de tal forma inexplicável que obtém resultados positivos sem uma explicação material. Tudo bem, nesse ponto faltou estatística para a Religião, mas principalmente uma pequena atualização da psicologia, que está trabalhando duramente para entender tais resultados, mas enquanto isso ainda fica difícil tentar quebrar tanta utopia, que mesmo diante de um mundo distópico, possui um tom irrefutável pela sua natureza desconhecida. Mesmo diante da insistência é a distopia, o grande problema de deus.

Primeiramente, o deus tratado não é o deus abraâmico ou muçulmano, por exemplo... esses são fáceis de refutar por sua natureza notadamente humana, junto a um arcabouço de ignorância naturalística que a Ciência deixou para trás e um entendimento do comportamento social pífio, extremamente inferior ao iniciado após o século XVIII e amplamente desenvolvido no século XX, por... humanos. Deus como ser onipotente, aquele desconhecido e eterno, incompreensível e demasiado complexo ao entendimento humano, o deus irrefutável a quem devemos tamanha complexidade no universo, de modo que uma aleatoriedade seja descartada. Portanto, fenômenos naturais não explicam o Criador, da mesma forma que um algoritmo de inteligência artificial não demonstra toda a natureza do indivíduo que o criou, apenas alguns traços de sua personalidade, mas jamais sua inteira inteligência e capacidades. Este deus não pode ser compreendido pelo método científico, limitado ao experimento, pois não pode ser falseável, mesmo os limites da fé não o compreendem. A sua magnitude apenas delineia as religiões que se esforçam para entende-lo, mas não conseguem. Neste viés deísta, fica claro que a própria crítica ao criador traduz a natureza extremamente complexa do indivíduo humano, reforçando ainda mais a inegável existência dele.

Eis que retorna a distopia... a realidade não é apenas complexa em se tratando da compreensão dos sistemas naturais, mas principalmente dentro do cérebro humano que as traduz como bem sabemos. O cérebro é de forma generalista entendido como uma máquina de adaptação. E aqui você pode entender essa adaptação pela Evolução ou mesmo se esforçando sob a ótica da Sociologia. A adaptação que resume o cérebro é o que conduz a vida. Indivíduos que sobreviveram, adaptaram às mudanças, indivíduos que morreram não o fizeram, nós nos adaptamos e continuamos a nos adaptar e é por isso que a vida persiste sejam quais forem as condições. Em um ambiente de extrema de pobreza, existe um cérebro sistematicamente diferente daquele de um ambiente de prosperidade social, seja fisiologicamente ou mesmo sob uma ótica subjetiva. Mas se você trocar os lugares originais desses cérebros, em pouco tempo, as mudanças serão visíveis fruto da adaptação natural que explica os seres vivos. Nesta troca algumas coisas se mantém, outras se tornam dinâmicas. Daquilo que mantém, você consegue expressá-lo principalmente do ponto de vista natural, como predomínio territorial, defesa, soluções materiais para problemas, procriação, exploração, etc., mas também de um forma social, como as diferentes interpretações de mercado, desde o capital até escambos, porém muitas coisas opcionais por vezes desaparecem, como se nunca houvesse necessidade daquilo e fossem apenas uma condição necessária ao ambiente anterior, nisso você coloca o próprio comportamento social, a etiqueta, as preferências, as convergências profissionais e vários outros. Esta mistura de fatores é o que determina, de fato, que nós seríamos diferentes, em realidade diferentes e nestas realidades alternativas diversos fatores socioculturais seriam acrescidos ou perdidos e aquilo que não nos é palpável seria entendido do ponto de vista daquela realidade ao qual vivemos, variando e se ramificando, conforme os fenômenos são compreendidos e unificados à herança das relações sociais antepassadas.

A realidade tratada é na verdade a Sociedade e sua herança social que permitiu se solidificar tal como está agora, nesta herança social se encontram códigos de conduta a depender das influências antropológicas, que criam bloqueios e caminhos possíveis, definindo a moral. O que não é palpável àquela Sociedade é compreendido pelo empirismo, em se tratando de natureza e desenvolvido, em se tratando de outros temas, esse desenvolvimento de explicações robustas e respostas que fecham lacunas é diferente em cada Sociedade... mais precisamente, ao longo da história, centenas de milhares de possibilidades distintas, cada qual sustentada por divindades que fechavam as lacunas dos complexos fenômenos naturais. Estas divindades seriam tão importantes quanto o próprio sistema social definido para manter a sociedade funcional, pois a implicação de limites, proporcionado pela incontrolável e por vezes furiosa divindade, sempre foi um grande auxiliador da manutenção duradoura de uma civilização.

Fazendo um pequeno exercício de eliminar as divindades, sobram-se uma natureza e um sistema social complexos, mas ainda inexplicáveis pela lógica aleatória. Devolva as divindades e tudo volta a ter um direcionamento, movidos por aqueles que regem a civilização, através dos sistemas morais.

Façamos mais um exercício de remover as divindades... o que de fato sobra e o que de fato se modifica? A principal resposta estaria na extensão das condutas morais. Se a divindade é devolvida ao seu local original se percebe que a mesma torna à moral um sentido, não é que a moral é existente na realidade, é que ela é definida pela posição da divindade, ela é uma criação, tão nítida pelas diferentes visões morais existentes e pela natureza restritiva. Se sua relação com a divindade não é de origem, passa a ser de sentido. A moral faz sentido quando sua natureza precisa ser explicada, mas a explicação lógica daquilo que rege um grupo não é feita de forma linear, sempre tendendo a ser executada por uma liderança. Esse formato circular pode ser compreendido com a simples análise da moral como um sistema restritivo o que supõe um direcionamento de poucos para muitos, visto que a emancipação de ideias de muitos para poucos tenderiam, progressivamente, a se anularem, por probabilidade. Isso nos mostra que a moral é criada por grupos ou mesmo entidades individuais e direcionada circularmente para as bordas, com mais e mais indivíduos, que aceitam a natureza moral dos grupos menores pelo controle sobrenatural exercido por um divindade, especialmente designada para esta posição. Mas e se a moral for extinta? Qual o papel da liderança e dos grupos minoritários que a desenvolveram? O que seria da divindade que torna sentido à moral?

Ok, isso relativiza os deuses humanos... mas e o deus generalista? O grande exercício aqui é um simples questionamento... No que ele é útil?

Está aquém de nossa compreensão; sua interação é a própria realidade que não permite decifrá-lo; os sistemas morais continuam relativos, ainda que dentro do escopo de sua magnitude, os sistemas sociais ainda regem a vida cotidiana e o sistemas naturais continuam explicando a natureza adaptativa do indivíduo humano, independente da resposta. A resposta lógica seria de natureza explicativa... Ora um universo complexo precisa de um agente criador, não é mesmo? Não necessariamente, pois não entendemos a tal complexidade, se não compreendemos a realidade precisamente não faz qualquer diferença que ela tenha um criador. É esse relativismo que consegue matar deus, ainda que o mesmo permaneça vivo pela aparente inexplicável realidade que nos cerca. A sua utilidade é que torna sentido à sua existência, pois do contrário nada justificaria todo o aparato humano para entende-lo ou glorifica-lo. Sendo sua utilidade relativa, de uma forma geral, eu posso escolher se ele existe ou não e qualquer escolha estaria correta, mas perceber a natureza absurda dessa lógica, se a escolha baseada na utilidade permite ou não deus, porque ele existiria?

Se você está na Dinamarca ou na Somália, a sua realidade depende mais dos sistemas políticos e sociais do que na credulidade, sendo a utilidade de deus relativa e portanto a credulidade relativa, deus não apenas não precisa existir como não existe.

 

Alxmqsjr

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