Se você não sabe, aceita e não questiona, embota-se e acaba virando crente.
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Permalink Responder até Ivani de Araujo Medina em 18 setembro 2010 at 8:46
Ivani:
Bem a propósito dos seus comentários, e por ser oportuno, informo que estou criando um novo site para ser integrado à Rede DDD, denominado Mentiras Dominantes (já está funcionando experimentalmente, mas apenas com um post e um comentário). Seu objetivo é expor e dissecar as grandes mentiras triunfantes da humanidade que conseguiram se impor e, por isso, se tornaram "dominantes" (o objetivo de uma mentira é proporcionar vantagens ao autor e permitir uma certa dominação sobre aqueles que nela acreditam).
A grande maioria dessas mentiras foram e têm sido impostas pelos defensores da "Nova Ordem Mundial". Mas a religião também não fica atrás, porque usa da mentira como forma de dominação e de proselitismo. E nesse sentido Jesus Cristo foi uma das mentiras mais bem sucedidas da história da humanidade. Uma mentira tão forte, que assume ares de verdade e se torna difícil derrubá-la.
Visitem o novo site e comentem ou enviem sugestões. Afinal, a idéia da sua criação nasceu aqui dentro do "Irreligiosos", a pedido de alguns colegas.
Abraços a todos!
Ivani de Araujo Medina disse:Jesus Cristo é um mito ou um modelo, na acepção de Mircea Aliade ─ reconhecido historiador da religião. Segundo este autor, o homem religioso primitivo expressa o sentimento de pertinência aos deuses criadores imitando-os. As atitudes dos deuses hão de ser as atitudes dos homens. Para o homem religioso existe o tempo mítico, que é um tempo que não decorre. É o tempo das festas, comemorações e ações relacionadas ao divino, um retorno imaginário ao tempo em que os deuses estavam ativos na Terra. O tempo mítico nada tem a ver com tempo profano, o tempo cronológico da história. A grande inovação do cristianismo, segundo o autor, foi trazer Jesus Cristo ─ a personificação do Logos, para mim ─ , para o tempo da história. Entretanto, a realidade decorrida reserva surpresas imprevisíveis. Claro que os elaboradores da crença cristã não o fizeram por estupidez, sim por uma necessidade político-cultural. Precisavam sintetizar um antídoto contra o judaísmo que avançava ameaçadoramente no primeiro século. Era-lhes fundamental a criação de uma ponte por intermédio da história que garantisse o direito de uso do Velho Testamento. A cultura helênica não formulou nenhuma política religiosa capaz de oferecer combate ao avanço judeu. O mundo hoje poderia ser judeu. O jeito foi inventar essa história com base nos conhecimentos que só eles, os gregos, com a sede de saber e interesse aprofundado na criatura humana, conseguiram amealhar através do tempo. Nenhum outro povo estava tão bem preparo e habilitado para tamanha façanha.

Permalink Responder até Ivo S. G. Reis em 18 setembro 2010 at 18:29
Ivo, só isso tens a dizer? Estou frustrado com o teu comentário inexistente à minha resposta.
Ivo S. G. Reis disse:Ivani:
Bem a propósito dos seus comentários, e por ser oportuno, informo que estou criando um novo site para ser integrado à Rede DDD, denominado Mentiras Dominantes (já está funcionando experimentalmente, mas apenas com um post e um comentário). Seu objetivo é expor e dissecar as grandes mentiras triunfantes da humanidade que conseguiram se impor e, por isso, se tornaram "dominantes" (o objetivo de uma mentira é proporcionar vantagens ao autor e permitir uma certa dominação sobre aqueles que nela acreditam).
A grande maioria dessas mentiras foram e têm sido impostas pelos defensores da "Nova Ordem Mundial". Mas a religião também não fica atrás, porque usa da mentira como forma de dominação e de proselitismo. E nesse sentido Jesus Cristo foi uma das mentiras mais bem sucedidas da história da humanidade. Uma mentira tão forte, que assume ares de verdade e se torna difícil derrubá-la.
Visitem o novo site e comentem ou enviem sugestões. Afinal, a idéia da sua criação nasceu aqui dentro do "Irreligiosos", a pedido de alguns colegas.
Abraços a todos!
Ivani de Araujo Medina disse:Jesus Cristo é um mito ou um modelo, na acepção de Mircea Aliade ─ reconhecido historiador da religião. Segundo este autor, o homem religioso primitivo expressa o sentimento de pertinência aos deuses criadores imitando-os. As atitudes dos deuses hão de ser as atitudes dos homens. Para o homem religioso existe o tempo mítico, que é um tempo que não decorre. É o tempo das festas, comemorações e ações relacionadas ao divino, um retorno imaginário ao tempo em que os deuses estavam ativos na Terra. O tempo mítico nada tem a ver com tempo profano, o tempo cronológico da história. A grande inovação do cristianismo, segundo o autor, foi trazer Jesus Cristo ─ a personificação do Logos, para mim ─ , para o tempo da história. Entretanto, a realidade decorrida reserva surpresas imprevisíveis. Claro que os elaboradores da crença cristã não o fizeram por estupidez, sim por uma necessidade político-cultural. Precisavam sintetizar um antídoto contra o judaísmo que avançava ameaçadoramente no primeiro século. Era-lhes fundamental a criação de uma ponte por intermédio da história que garantisse o direito de uso do Velho Testamento. A cultura helênica não formulou nenhuma política religiosa capaz de oferecer combate ao avanço judeu. O mundo hoje poderia ser judeu. O jeito foi inventar essa história com base nos conhecimentos que só eles, os gregos, com a sede de saber e interesse aprofundado na criatura humana, conseguiram amealhar através do tempo. Nenhum outro povo estava tão bem preparo e habilitado para tamanha façanha.

Permalink Responder até Ivani de Araujo Medina em 18 setembro 2010 at 20:35

Permalink Responder até Ivo S. G. Reis em 20 setembro 2010 at 1:29
Caro Ivo, realmente eu esperva um comentário instigativo. Li os demais comentários deste fórum e os percebi carentes do ponto que mais me interessa: o porquê da criação ou recriação deste mito, naquele exato momento da história (século II). Tenho as minhas respostas e desejo compartilhá-lhas, evidentemente. Todavia, a minha expectativa é de troca de conhecimentos. Pesquiso o assunto há décadas utilizando únicamente as fontes oficiais, como o nosso amigo Alfredo. Vou dar uma olhada na sua página de blog, como me sugere. Assisti o video do patético Inri Cristo. Não concordo com a idéia de que o Homem criou os deuses a partir da sua incompreensão dos fenomenos naturais. É um conceito cerebral demais para tantas evidências. Por outro lado, não estou dizendo que acato a acepção religiosa do termo. Mas, isso é assunto para outra hora. Agradeço a sua atenção e delicadeza e me congratulo com o seu esforço no sentido de agir em favor do esclarecimento. Forte abraço, Ivani.
Permalink Responder até Erony Michelle-Haydee Trapp em 21 setembro 2010 at 0:07

Permalink Responder até Ivani de Araujo Medina em 21 setembro 2010 at 1:03
Ivani:
Consegui localizar um dos artigos (são dois os específicos) que talvez possam conter as respostas que você procura. O Título é "Cristo antes de Cristo? Seriam os evangelhos..." (Clique aqui para acessá-lo). Vale a pena ler também o artigo "Bíblia? As mentiras começam quando alguém diz que a leu por inteiro...".
Quanto à sua principal dúvida (o porquê da recriação do mito Jesus naquele exato momento da história), vale dizer que o cristianismo do século II era apenas um movimento e só foi oficialmente criado no século IV, pelo Imperador Constantino. Os motivos foram de natureza política e não religiosa. O Império Romano no século IV precisava fortalecer-se e continuar a expansão dos seus domínios e uma boa estratégia era arregimentar e dominar os cristãos, que embora sem ter a sua religião oficializada, já eram muitos. Daí a estratégia de criar-se o cristianismo e, com ele, fortalecer-se e governar. Então, como toda religião tem que ter um deus e já que eles não tinham, emprestaram toda a mitologia judaica e dos cultos pagãos e criaram o cristianismo, cujo líder maior nada mais era do que um mito emprestado e ressuscitado. Desculpe se o comentário está um tanto simplório, mas como estou sem tempo para me estender e entrar nos detalhes, deixei expressa, de maneira simples, a minha visão.
Já no século II, o cristianismo ainda não podia ser considerado propriamente uma religião, embora já tivesse seguidores. Mas ainda não estavam organizados como tal, porque não tinham "história nem um deus fundador". Daí talvez, - e esta segundo historiadores é a hipótese mais provável - a necessidade de se criar um. E assim nasceu "o Pai, o Filho e o Espírito Santo" , sendo escolhido o filho Jesus Cristo como fundador. Como não tinha existência real clonaram-no dos mitos pagãos e atribuiram ao personagem toda aquela coleção de milagres, história de vida (???) e ensinamentos. A idéia da trindade também já era antiga e frequente em outras religiões e só entrou na criação do personagem para ficar de acordo com as trradfições religiosas de outros povos.
Não há espaço para explicar num simples comentário tudo o que se relaciona à questão (seria preciso um livro ou, no mínimo, um ensaio). Evidentemente, se você for fundo no assunto, vai encontrar enorme riqueza de detalhes mas, ao final, acho que chegará a essa mesma conclusão. Experimente!
Ivani de Araujo Medina disse:Caro Ivo, realmente eu esperva um comentário instigativo. Li os demais comentários deste fórum e os percebi carentes do ponto que mais me interessa: o porquê da criação ou recriação deste mito, naquele exato momento da história (século II). Tenho as minhas respostas e desejo compartilhá-lhas, evidentemente. Todavia, a minha expectativa é de troca de conhecimentos. Pesquiso o assunto há décadas utilizando únicamente as fontes oficiais, como o nosso amigo Alfredo. Vou dar uma olhada na sua página de blog, como me sugere. Assisti o video do patético Inri Cristo. Não concordo com a idéia de que o Homem criou os deuses a partir da sua incompreensão dos fenomenos naturais. É um conceito cerebral demais para tantas evidências. Por outro lado, não estou dizendo que acato a acepção religiosa do termo. Mas, isso é assunto para outra hora. Agradeço a sua atenção e delicadeza e me congratulo com o seu esforço no sentido de agir em favor do esclarecimento. Forte abraço, Ivani.
Permalink Responder até Márcia Patrícia de Almeida em 22 novembro 2010 at 13:36

Permalink Responder até Thynus em 8 dezembro 2010 at 12:44

Permalink Responder até Thynus em 10 dezembro 2010 at 14:07
A chamada "civilização cristã ocidental" nasce no dia em que os líderes de uma nascente religião se deram conta de ter um deus todo-poderoso, mas não uma espada com que levar o seu verbo pelo mundo; enquanto o imperador de Roma se deu conta de ter uma espada poderosa, mas não um ideal superior ao qual legá-la. Foi assim que numa noite Constantino… "sonhou" que um anjo lhe mostrou uma cruz e lhe disse "In hoc signo vinces". E o Sacro Império Romano nasceu. (Cfr.: In Hoc Signo Vinces em http://divagacoesligeiras.blogspot.com/2010/04/in-hoc-signo-vinces....

Permalink Responder até Ivani de Araujo Medina em 23 março 2011 at 17:55
Origem do cristianismo segundo Bauer
[...] Naturalmente que, nesse trabalho, Bauer exagerou bastante, como acontece a todos que combatem preconceitos inveterados. Na intenção de determinar, mesmo do ponto de vista literário, a influência de Philon, e sobretudo de Sêneca, sobre o cristianismo nascente, e de representar formalmente os autores do Novo Testamento como plagiários desses filósofos, é obrigado a retardar o aparecimento da nova religião em meio século, a rejeitar as narrativas de historiadores romanos que a isso se opõem e, em geral, a tomar graves liberdades com a história conhecida. Segundo ele, o cristianismo como tal só aparece sob os imperadores Flavianos, a literatura do Novo Testamento só sob Adriano, Antonino e Marco Aurélio. Portanto, Bauer faz desaparecer todo o fundo histórico para as narrativas do Novo Testamento relativas a Jesus e aos seus discípulos; resolvem-se em lendas em que as fases de desenvolvimento interno e os conflitos morais das primeiras comunidades são transpostos e atribuídos a personagens mais ou menos fictícias. Não são a Galiléia nem Jerusalém, segundo Bauer, os lugares de nascimento da nova religião, mas sim Alexandria e Roma. Naturalmente que, nesse trabalho, Bauer exagerou bastante, como acontece a todos que combatem preconceitos inveterados. Na intenção de determinar, mesmo do ponto de vista literário, a influência de Philon, e sobretudo de Sêneca, sobre o cristianismo nascente, e de representar formalmente os autores do Novo Testamento como plagiários desses filósofos, é obrigado a retardar o aparecimento da nova religião em meio século, a rejeitar as narrativas de historiadores romanos que a isso se opõem e, em geral, a tomar graves liberdades com a história conhecida. Segundo ele, o cristianismo como tal só aparece sob os imperadores Flavianos, a literatura do Novo Testamento só sob Adriano, Antonino e Marco Aurélio. Portanto, Bauer faz desaparecer todo o fundo histórico para as narrativas do Novo Testamento relativas a Jesus e aos seus discípulos; resolvem-se em lendas em que as fases de desenvolvimento interno e os conflitos morais das primeiras comunidades são transpostos e atribuídos a personagens mais ou menos fictícias. Não são a Galiléia nem Jerusalém, segundo Bauer, os lugares de nascimento da nova religião, mas sim Alexandria e Roma.
http://www.marxists.org/portugues/marx/1895/mes/cristianismo.htm
Esta é uma parte do comentário de Engels a respeito de Bruno Bauer. Coloquei em negrito a parte que mais me chamou atenção. Por acaso, alguém sabe que historiadores romanos são esses? Espero que não sejam Tácito, Plínio o Jovem, Suetônio e Flávio Josefo.
Permalink Responder até Nivaldo Afonso em 25 junho 2011 at 12:43
Vamos por partes.
Primeiro, arqueologia. Os manuscritos mais antigos do Novo Testamento foram todos escritos em copta, todos encontrados no Egito e todos a partir da primeira ou segunda metade do século II d.e.c.
Pensando em Egito, biblioteca de Alexandria, não é difícil imaginar a grande salada de religiões e possibilidades de sincretismo religioso, desde alegorias como Isis sendo anunciada de que nasceria Horus filho do finado Osiris, que teve o corpo partido em 14 pedaços por Set, assim como Dionísio que transformava água em vinho, também era filho de um deus com uma mortal e também teve o corpo partido em 14 pedaços, assim como Jesus que consagrou pão em corpo e o partiu em 12 pedaços. Ou o espírito santo de Horus representado por Rá, olho com asas, a santíssima trindade egípcia, Horus, Osiris e Rá.
Não se deve esquecer o zoroastrismo que emprestou a lenda dos magos do Oriente (sacerdotes de Marduk), mas que segundo historiadores era a previsão do surgimento de Zaratustra, este que também é citado em um evangelho apócrifo de Pedro. Além é claro, da religião judaica.
O zoroastrismo também empresta suas idéias para a composição do Apocalipse, batalha final entre o deus do bem contra o (deus) mal.
Polindo todas as alegorias místicas de Jesus, sobra algo de humano no sermão das montanhas, nascido na Galiléia, reduto de tropas gregas e romanas. Não é difícil entender de onde surge o perfil de filósofo Cínico em Jesus. Mas se existiu esse tal filósofo Cínico religioso, ou se eram vários, se o primeiro evangelho era só de frases como no exemplar apócrifo de São Tomé, não se pode afirmar com certeza nenhuma.
Sem contar que todo o enredo do Novo Testamento é feito a partir de colagens de pequenos textos do Antigo Testamento, muitas vezes escolhidos sem ao menos fazer sentido como pseudo-profecias como a de Isaías sobre a "jovem" que daria a luz a Emanuel (na verdade filho do Rei Acaz), ou sobre Miquéias, de que o salvador nasceria em Belém (na verdade ele diz sobre um governante que nasceria e derrotaria a Assíria, nada a ver com o futuro Jesus que só nasceria uns trezentos anos depois.

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