Irreligiosos

Se você não sabe, aceita e não questiona, embota-se e acaba virando crente.

O Cristo dos Pagãos

Tom Harpur

Tradução: Henrique Amat Rêgo Monteiro

Editora Pensamento – SP – 2008 – 240 p

Sobre o autor:

Tom Harpur, um ex-pastor, além de professor de grego e de Novo Testamento na Universidade de Toronto, é escritor de renome internacional sobre temas religiosos e éticos, sendo autor de oito best-sellers.

Comentário de capa do livro:

“Muito tempo antes do advento de Jesus Cristo, os egípcios e outros povos acreditavam na vinda de um messias, ..., na concepção por uma virgem, e na encarnação do Espírito na carne. A Igreja cristã primitiva adotou essas verdades antigas como dogmas próprios da religião cristã, mas repudiou as origens [dos dogmas]”.

 

A ideia central do livro é a de que muito antes do cristianismo já se acreditava em um Cristo, um Messias, um Salvador herdado de outras crenças, particularmente, das religiões egípcias. Tom Harpur, um ex-pastor, confessa que ainda assim mantem-se religioso, é um cristão. É até paradoxal, pois segundo ele o Novo Testamento é uma montagem de religiões antigas, um arranjo vindo principalmente dos livros do antigo Egito. Além de uma bibliografia expressiva, ele se fundamenta sobretudo nas obras de Godfrey Higgins (1771-1834), Gerald Massey (1828-1907) e Alvin Boyd Kuhn (1880-1963).

 

Fragmentos do livro – colhidos por Assis Utsch:

“o pensamento de grande parte do Ocidente civilizado tem se fundamentado em uma “história” que nunca aconteceu, e ... a Igreja cristã teria sido fundada sobre uma série de milagres que literalmente nunca se deram”. (p.17) “As semelhanças existentes entre as crenças cristãs e as primeiras religiões pagãs sempre eram rapidamente desprezadas [pelos cristãos]”. “Ninguém jamais sugeriu ... que a Bíblia em geral e o Novo Testamento em particular na realidade copiam ou repetem temas ou ideias estabelecidas ao longo de muitos séculos ...”. “Eu [já] tinha conhecimento do comentário impiedoso de Sigmund Freud de que a Bíblia era um “plágio total” das mitologias sumérias e egípcias, mas o desconsiderara”. “Também cheguei a tomar conhecimento da opinião da doutora Anna Bônus Kingsford, de que os “livros sagrados hebraicos” eram todos “de origem egípcia”. (p.19)

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Gratos por esse presentão, Assis. Em breve retorno aqui com mais calma para comentar, eis que todas as suas matérias são interessantes e merecem atenção.

Assis, se alguém tiver alguma dúvida sobre o relatado em seu texto, basta pesquisar sobre o deus Horus, que entre outras semelhanças, nasceu de uma virgem, no 25º dia de dezembro, curou doenças apenas com a aproximação das mãos e logo após seu nascimento, recebeu a visita de três faraós que eram feiticeiros.

Um grande abraço

Meus Caros Ivo e Gilberto,

Agradeço pelas manifestações. Este livro - O Cristo dos Pagãos - em seus vários capítulos oferece farta documentação sobre a criação mitológica do Cristo. Abaixo transcrevo mais um texto:

“Seria uma novidade para mim (Tom Harpur) que ... houvesse um Jesus nas tradições egípcias”. “O nome dele era Iusu, ou Iusa (aparecem as duas versões), com o significado de “o Filho divino que virá para curar ou salvar”. Eu não sabia nada então sobre um Khristós egípcio, ou Cristo, chamado Hórus. Ele e a mãe, Ísis, foram os predecessores da Madona com o Filho dos cristãos e juntos constituíam uma imagem dominante ... antes dos Evangelhos. Como teria sido diferente a minha pregação e o meu ministério se entendesse que esse Hórus mítico antecipou ... a maior parte das palavras e dos milagres de Jesus Cristo – ... e que em um de seus papéis fora “um pescador de homens com doze seguidores”.” (p.19/20)

“Marta e Maria figuram em uma história sobre a ressurreição de El-Asar, ou Lázaro, dentre os mortos, em uma Betânia egípcia cerca de 4 mil anos atrás”. (p.20)

       “ ... as letras KRST que aparecem em caixões de múmias egípcias ... na realidade Karast ou Krist, significando Cristo”. “o fundamento da doutrina cristã no início: a encarnação do espírito na carne humana”. (p.20)

       “Vou documentar claramente que não há nada do que o Jesus dos Evangelhos alguma vez disse ou fez – desde o Sermão da Montanha até os milagres, desde a fuga de Herodes, ... até a própria Ressurreição – que não possa ser mostrado como tendo se originado ... nos ritos de mistérios egípcios e em outras liturgias sagradas, como o Livro dos Mortos egípcio”. (p.24)

       “Tudo – da estrela no Oriente até a caminhada de Jesus sobre as águas, do pronunciamento do anjo até o massacre dos inocentes por Herodes, da tentação no deserto à conversão da água em vinho – já existia nas fontes egípcias. O Egito e o seu povo já se ajoelhavam ante a visão da Madona com o Filho, Ísis e Horus, ... antes de qualquer Maria  ... amparar nos braços o seu Jesus”. (p.24)

       “Hoje, desde a tradução dos livros do Egito antigo – o Livro dos Mortos, os Textos da Pirâmide, o Amduat e o Livro de Tot ... há provas irrefutáveis”. “todo o corpo da doutrina cristã é simplesmente um egipcismo adaptado e mutilado”. (p.24)

Alfrredo Bernacchi (e demais, especialmente, os religiosos do grupo),

Você que escreveu sobre esse assunto - a existência/inexistência de Cristo - tem agora mais um documento extraordinário para corroborar seu pensamento. Este livro - O Cristo dos Pagãos - é um documento primoroso, sobretudo porque foi escrito por um pensador que ainda se mantém cristão, mas que apresenta uma vasta documentação comprobatória da construção do Cristo.

Além dessas duas postagens que fiz, transcrevendo fragmentos do livro, tenho ainda outros textos com a  mesma contundência.

Abraços, Assis Utsch

Assis:

Um recente comentário do excelente pesquisador e colega Oiced Mocam, no tópico "Enquete Sobre a Historicidade de Cristo", remete-nos de volta a este seu tópico (O Cristo dos Pagãos), quando sentimos a necessidade de reexaminar os argumentos de Tom Harpur e Gerald Massey, em reforço à ideia do "cristo mítico" e em contraposição a Thomas Cooper e à argumentação dos cristãos de que não existem evidências de que a história de Jesus Cristo seja baseada em antigos mitos pagãos (???). Seria muito interessante retomarmos esta discussão porque esta argumentação tem sido constantemente levantada pelos cristãos, na tentativa desesperada de provar o seu "Cristo histórico".

Seria interessante se conseguisse trazer-nos alguns excertos comparativos para a confrontação desse pseudo-argumento com aqueles levantados pelos defensores da teoria do "Cristo mítico" e que parece ser a mais logica e racional.

Saudações Irreligiosas!

Ivo e Oiced,

Eu gostaria de acrescentar outras referências do livro de Harpur:

“a Igreja dos séculos III e IV, quando questionada pelos críticos pagãos quanto às verdadeiras fontes dos evangelhos, dogmas e rituais, reagiu com hostilidade feroz, caçando e eliminando sistematicamente todos os vestígios do seu passado pagão. Ela exterminou a todos, cristãos ou não, que ousassem testemunhar as antigas verdades. ... perseguiu os envolvidos nas diversas religiões de mistérios greco-romanas, queimou ... livros e arrojou a acusação de heresia – com a pena de excomunhão – a todos os que ameaçassem questionar a linha do partido ortodoxo. Muitos foram mortos. A herança pagã foi negada ardorosamente em todos os lugares. Esse foi o começo de um processo violento que se repetiria ao longo dos séculos e redundaria em um cristianismo que Frye uma vez caracterizou com lucidez como “um fantasma arrastando atrás de si as correntes de um registro histórico de crueldade louca”. (p.25/26)

Abraços, Assis Utsch

Tenho que discordar de Tom Harpur, o ex-pastor, no seguinte:

O mérito da antiguidade desses contos não vem dos Egípcios, mas dos Sumérios, muito antes deles, pela crença no Deus Sol. No restante é 10!...

Obrigado Assis. Na verdade eu já tenho uma quantidade imensa de depoimentos respeitáveis sobre o assunto. Mesmo assim, gostaria de conhecer o livro pela sua importância. Vou tentar adquiri-lo.

Abçs

Bernacchi (Ivani e demais),

Você disse : "O mérito da antiguidade desses contos não vem dos Egípcios, mas dos Sumérios ...".

A obra de Tom Harpur - O Cristo dos Pagãos - está fundamentada em vasta bibliografia, mas sobretudo nos livros - O Livro dos Mortos egípcio, os Textos da Pirâmide, o Livro de Amduat e o Livro de Tot. Esse ex-pastor anglicano, que continua religioso, foi buscar esses textos em grego, de onde foram traduzidos para o inglês, parece que com a colaboração do próprio pastor, já que ele era professor de grego.

Sobre o fato de que essas mitologias religiosas vêm dos sumérios, não há contradição, pois o próprio Tom Harpur fala rapidamente sobre isso, evocando uma referência de Freud, que analisou muito as religiões.

Mas o fato mais importante é que um pensador cristão que dedicou décadas de estudos sobre o cristianismo documenta fartamente que o mito de um Cristo, um Messias, um Salvador, é muito anterior ao próprio cristianismo. Logo, Cristo só existiu como um mito, embora seja real na cabeça dos cristãos.

Tudo isso reforça a idéia da não historicidade de Cristo.

Assis

Aqui estou, finalmente, com as minhas escusas no aguardo da sua orientação. Como adquirimos o livro recentemente ainda não temos opinião a dar. Penso que o entendimento do texto seria mais produtivo se de alguma forma seguisse sob a sua direção. Você tem intimidade com a obra e muitos dos nossos colegas nem ouviram falar do seu conteúdo. O que acha?

Saudações.

 

Ivani,

Você, a Carla Silva, a Lilian e mais alguns outros que adquiriram ou estão adquirindo o livro O Cristo dos Pagãos merecem uma informação adicional. O livro me pareceu muito interessante porque ele documenta, através de antigos livros egípicos - O Livro dos Mortos antigo, Os Textos da Pirâmide, o Livro de Anduat e O Livro de Tot - a existência de um Cristo egípcio muito antes do Cristo palestino. O autor, Tom Harpur, cita os vários autores - Godfrey Higgins (1771-1834), Gerald Massey (1828-1907) e Alvin Boyd Kuhn (1880-1963) - que foram tradutores (do grego) ou intérpretes desses livros, cujos textos lhe servem de base para fazer as afirmações sobre um Cristo egípcio (mítico) muito antes, como menciona também muitas narrativas daqueles livros que foram incorporadas ao Novo Testamento.

O livro de Harpur contém também informações sobre estudos arqueológicos procedidos na região da Palestina, onde fica demonstrado que toda a suntuosidade do Império Babilônico e do riquíssimo Palácio do Rei Salomão, referidos na Bíblia com todos os requintes de riqueza, não podem ser  verdadeiros, já que esses estudos arqueológicos não identificaram quaisquer artefatos que pudessem comprovar essas suntuosidades.

Outdro assunto que me chamou também a atenção foi a análise das narrativas de Paulo, ou Saulo de Tarso, cujas descrições falam de um Cristo mítico, sem existêcia material, o que reforça a inexistência de um Cristo histórico.

Afora essas questões, o livro não é muito atraente, uma vez que Tom Harpur mantém suas superstições religiosas, cuja assunto é também largamente abordado por ele.

Assis

 

Obrigado pelo resumo e atenção. Imaginei lhe sugerir que estudássemos capítulo por capítulo, pois seria bastante proveitoso para nós que estamos em contato com o autor e a obra pela primeira vez. Contar com a sua experiência e árbitro, num assunto que acredito seja para maioria interiramente novo, vai ajudar muito a elevação do nível dos nossos debates futuros. Se não houver uma orientação mínima, tipo: essa semana nós trataremos do primeiro capítulo, a idéia não vai decolar. O que me diz?

 

Saudações.

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