Irreligiosos

Se você não sabe, aceita e não questiona, embota-se e acaba virando crente.

Amigos, boa noite!

Tenho este texto que poderá servir para o início da minha contribuição para o grupo.

Gostaria que me ajudassem a relevar as lacunas do próprio texto e a apontar outros pontos que poderiam ser abordados.

Assim à primeira vista eu vi que falta:

- A homossexualidade dentro das próprias igrejas. confesso que conheço melhor o que se passa na igreja católica, por isso os colegas que tiverem conhecimento de sites ou bibliografia sobre homossexualidade noutras religiões e igrejas cristãs, por favor deixem aqui uma nota.

Texto

Se o ser é limitado são também o seu sentimento e a razão limitados. Mas para um ser limitado não é a inteligência limitada uma limitação, ao contrário, sente-se completamente feliz e satisfeito com ela; ele sente-a e louva-a como uma força majestosa, divina; e a inteligência limitada louva por sua vez o ser limitado de quem ela é inteligência. Ambos combinam da melhor maneira; como poderiam entrar em atrito? A inteligência é o horizonte de um ser. Quão longe vejas, tão longe se estende a tua essência e vice versa.[Ludwing Feuerbach, in A Essência do Cristianismo, Editora Vozes, pg. 41]

As limitações da nossa sociedade, regida por padrões sociais e morais, mais ou menos limitados por dogmas e normas pouco maleáveis, são o reflexo das limitações da nossa inteligência individual. A sexualidade, de uma maneira geral, até há bem pouco tempo, era socialmente vista como um tabu. Este era um assunto particular, encerrado entre quatro paredes, mudo, escondido para o bem e para o mal. Quantas delícias vividas, quantas crianças violadas, quantas mulheres maltratadas, quantos adolescentes estuprados; pessoas que viveram aterradas, envergonhadas, com os sonhos mutilados pelo medo de experiências penosas, pessoas que vergavam sob essa agonia calada e pessoas que foram felizes.

Mas, à medida que cada indivíduo vai subindo a montanha, o seu horizonte vai-se alargado, consequentemente, a sua visão individual toma consciência de realidades antes desconhecidas (consciente ou inconscientemente) da sua razão. Este facto vai influenciar os padrões sociais e morais da sociedade, colocando as suas limitações numa fasquia mais baixa. Assim, lentamente, a sexualidade, passou a ser vista à luz de outras realidades e hoje é possível denunciar qualquer atrocidade sem medo de retaliações, em algumas sociedades é até possível, dois indivíduos do mesmo sexo, viverem abertamente um grande amor ou mesmo casarem, sem serem discriminados ou marginalizados. Mas estas sociedades são uma minoria.

Possivelmente, a homossexualidade existe desde os primórdios da humanidade; mas nas atuais sociedades conservadoras, regidas por um conjunto de valores morais hipócritas e dogmas religiosos, insistem em discriminar (mesmo em países onde a legislação é igual para homossexuais e heterossexuais) estas pessoas, porque elas se recusam a viver as suas paixões escondidas. Muita tinta já correu sobre a questão da homossexualidade, desde as religiões, no seu linguarejar bíblico e dogmático sem nexo, até à hilariante classificação da homossexualidade como doença, distúrbio psicológico ou perversão, por diversas Organizações Saúde pelo mundo fora – esta classificação foi abolida pela OMS em 1990.

Curiosamente, na natureza – não nos podemos esquecer que a humanidade também faz parte dela –, há centenas de espécies onde foram observados comportamentos homossexuais em alguns indivíduos. Em 2006 o Museu de História Natural de Oslo levou a cabo uma exposição intitulada “Contra Natura?”. Esta mostra, baseada num estudo científico, pretendeu pôr em causa a premissa de que a homossexualidade não é natural. Baleias, girafas, golfinhos, escaravelhos, cisnes e leões são apenas seis das 1500 espécies, onde já foram observados comportamentos homossexuais. Estarão também os animais a pecar, será que, quando morrerem vão arder eternamente no inferno dos animais? É possível… mas só na mente perturbada dos religiosos, pois estes animais não são excluídos dos seus grupos, apenas porque é agradável relacionarem-se sexualmente com indivíduos do mesmo sexo.

Com os seres humanos, a tolerância à homossexualidade parece ser inversamente proporcional ao desenvolvimento económico e social. Há cerca de 10 mil anos, algumas tribos da Nova Guiné perecem ter praticado certas formas de homossexualidade ritual. Este povo acreditava que o conhecimento sagrado, só poderia ser transmitido por meio de práticas sexuais, entre pessoas do mesmo sexo.

Na civilização Suméria (4000 a.e.c. – 2350 a.e.c.), práticas sexuais que hoje se entendem como extravagantes ou imorais – casamentos fictícios em honra aos deuses, estranhos rituais de fertilidade, prostituição divina (mulheres e homens que se entregavam a terceiros, em troca de dádivas para determinado templo), homens e jovens do mesmo sexo que se davam a práticas rituais, que hoje chamamos homossexualidade –, parece que eram entendidas num contexto espiritual, pois eram praticadas por sacerdotes e sacerdotisas e desprovidas dos conceitos morais que hoje lhe imprimimos.

Mais tarde, por volta 1750 a.e.c., na Babilónia, surgiu uma das mais antigas e complexa compilação de leis, elaborada pelo imperador Hammurabi, onde constam alguns privilégios, que deveriam ser dados aos prostitutos e às prostitutas, que participavam nos cultos religiosos. Isto significa que, de algum modo, estas pessoas já começavam a sofrer algum tipo de pressão social.

Os escribas da civilização egípcia (3200 a.e.c. – 250 a.e.c.), não foram pródigos em registar (o papiro erótico de Turim é um dos raros documentos escritos) ou mostrar a sua sexualidade em pinturas, baixo relevos ou esculturas – salvo alguns artefactos fálicos encontrados em túmulos e umas poucas pinturas, de valor real dúbio. No entanto, segundo o historiador espanhol José Miguel Parra Ortiz, em “A vida amorosa no Antigo Egito”, os egípcios interessavam-se por sexo, tanto como qualquer outro povo. As práticas homossexuais não eram de modo algum tabu, embora fosse dada uma grande importância ao casamento e à procriação, independentemente dos membros do casal terem ligações com indivíduos do mesmo sexo, fora de casa ou até debaixo do teto familiar. Apesar da discrição dos egípcios, quanto à vertente sexual, podemos deduzir, que a organização social era baseada nas relações heterossexuais, sendo a homossexualidade tolerada enquanto fonte de prazer.

Na Grécia da Antiguidade, era socialmente aceite, um homem mais velho ter relações sexuais com outro mais jovem. Sócrates (469 a.e.c. – 399 a.e.c.), adepto do amor homossexual, dizia que este era a fonte de inspiração por excelência. O sexo heterossexual, na sua perspetiva, servia apenas para procriar. De notar que os antigos gregos, não entendiam a ideia de orientação sexual como um identificador social, a sociedade grega não diferenciava desejo e comportamento sexual, com base no facto dos seus participantes serem masculinos ou femininos, mas sim pelas normas sociais a adotar consoante cada caso. A prática sexual entre homens tinha como objetivo a educação do jovem, a sua preparação para a vida adulta e a contemplação do amor que só entre os homens poderia ter lugar, já que as mulheres, segundo a filosofia da época, eram desprovidas de intelecto e sabedoria. Há, no entanto, pelo menos uma mulher que foi exceção: Safo A Poetisa (nascida entre 630 e 612 a.e.c. – falecida em data desconhecida a.e.c.). Pouco se sabe desta mulher magnífica – política, poetisa e professora –, cuja personalidade, ousadia e talento deram origem às mais fantásticas lendas. Pelo que nos resta da sua obra, queimada em 1073 em Constantinopla e Roma, por ter sido considerada herética, pode perceber-se o amor que devotava a uma discípula da sua escola, na ilha de Lesbos, mas nada que seja claro no que respeita à aceitação, comportamento ou regras sociais para a homossexualidade feminina.

Entre os romanos, os ideais amorosos eram equivalentes aos dos gregos. A pederastia (relação entre um homem adulto e um rapaz ou jovem) era encarada como um sentimento puro. No entanto, se um homem mais velho mantivesse relações sexuais com outro de idêntica idade, estava estabelecida sua desgraça – os adultos passivos eram encarados com desprezo por toda a sociedade, ao ponto de serem impedidos de exercer cargos públicos.

Dando uma vista de olhos pela história e pela biologia, mesmo superficialmente, não é difícil perceber que, na Antiguidade, o sexo tinha como objetivo a preservação da espécie, o amor, o prazer e até o aperfeiçoamento espiritual. Mas tudo isto ficou votado ao esquecimento com o aparecimento do cristianismo. Então foi aperfeiçoada e refinada a fórmula: sexo para procriar.

O judaísmo, cujos primórdios se situam entre 2000 a.e.c. e 1800 a.e.c., de uma maneira geral não considera o sexo, enquanto realidade humana, como perverso, pelo contrário, no AT, ele é incentivado em diversas situações, ainda que no sentido de procriar: “crescei e multiplicai-vos”. À exceção de Isac e José, todos os patriarcas foram poligâmicos, como era uso na época, o que faz supor uma intensa atividade sexual, mesmo que, hipoteticamente, esta fosse praticada com o intuito único de aumentar a descendência.

Adão e Lilith, Adão e Eva – enfim, macho e fêmea –, ao serem colocados como atores principais nos mitos da criação, legitimam, com a autoridade divina, a única forma possível da gestão do sexo: a heterossexualidade. O exercício da sexualidade fica então restrito ao quadro da instituição matrimonial, com a finalidade única de propagar a espécie. Deste modo, a legislação bíblica sobre esta matéria destina-se a regulamentar o exercício da sexualidade em função do matrimónio. Fá-lo no contexto de uma sociedade patriarcal, na qual as mulheres estão submetidas aos homens em todos os aspetos da vida e, de maneira especial, no domínio sexual – repare-se que Adão rejeitou Lilith por esta recusar a deitar-se por debaixo dele, ou seja a ser dominada por ele.

A par da bestialidade, adultério e incesto, a homossexualidade entra na categoria dos interditos sexuais, mas o AT só tem em conta a homossexualidade masculina. Em Génesis 19, 4-8, parece referir-se a uma violação homossexual coletiva. Talvez seja também o caso de Juízes 19, 22-25. No entanto ela só é formalmente proibida em Levitício 18, 22, que a considera uma abominação (toeba). Em Levetício 20, 13 é estipulada a pena capital para ambos os culpados.

Mas os preceitos da lei judaica, até o início do século IV, estavam restritos à comunidade judaica e aos poucos cristãos que existiam na altura. Foi então que o imperador romano Constantino abraçou a fé cristã, ao que parece em paralelo com a adoração ao deus Sol Invicto, mas essa história não interessa para aqui, franqueando as portas ao desenvolvimento do cristianismo. Data de 390, no reinado de Teodósio, o Grande, o primeiro registo de castigos físicos aplicados aos homossexuais.

A primeira legislação que proibia claramente a homossexualidade foi promulgada em 533, pelo imperador cristão Justiniano. Ele sujeitou todas as relações homossexuais ao adultério, para o qual se previa a pena de morte. Mais tarde, em 538 e 544, foram criadas outras leis que obrigavam os homossexuais a arrepender-se dos seus pecados e a fazer penitência. O nascimento e a expansão do islamismo, a partir do século VII, em uníssono com a cristandade, que começava a formar corpo e a alargar fronteiras, reforçaram a teoria do sexo para procriação.

Até meados do século XIV, embora a fé condenasse a luxúria, na realidade a homossexualidade, a bissexualidade e a prostituição continuaram a ser praticados, mais ou menos clandestinamente, à boa maneira cristã. Desde que praticado, longe do olhar curioso dos criados e vizinhos… não existiam represálias. A Igreja passa então por uma série de crises até que o clero se vê confrontado com os protestantes após a Reforma de Lutero. O humanismo renascentista, iniciado em Florença, espalha-se por toda a Europa. Os ideais clássicos reavivam-se e, deste modo, a liberdade sexual é acarinhada. Pintores, escritores, dramaturgos e poetas fazem questão de não esconder a sua homossexualidade. A Nobreza acompanha esta corrente e rema também contra a avalanche conservadora e retrógrada da Igreja. É célebre o caso de Frederico II da Prússia (1712-1786).

Voltando um pouco atrás, no curto intervalo entre 1347 e 1351, a peste negra devastou a Europa matando cerca de 25 milhões de pessoas. Desconhecida a causa da doença, a igreja aproveitou para a apontar, como causa direta da corrupção dos costumes. Deste modo, judeus, hereges de todas as qualidades, prostitutas e homossexuais eram a causa de todos os males terrenos. A Inquisição encarregou-se, com extrema eficácia, na erradicação desses grupos. No que respeita aos homossexuais, foram tomadas medidas enérgicas, só em Florença, entre 1432 e 1502, mais de dezassete mil homens foram incriminados e três mil condenados por sodomia.

Duras leis foram aprovadas em vários países europeus e na América. Na Inglaterra, o século XIX começou com o enforcamento de vários indivíduos acusados de sodomia. Entre 1800 e 1834, oitenta homens foram condenados pela prática da homossexualidade. Só em 1861 o país aboliu a pena de morte para a prática de sodomia, substituindo-a por penas de trabalhos forçados.

Em meados do Séc. XIX a sodomia passou a chamar-se homosexualidade e a ser considerada uma doença do sistema nervoso, congénita e hereditária, que afetava o comportamento sexual. Esta ideia viria a ser considerada válida até 1979, quando a Associação Americana de Psiquiatria a retirou da lista das doenças mentais. No entanto a OMS, só em 1990 viria a tomar a mesma atitude.

Os grupos minoritários, quando pouco coesos e sem tradições comuns, como é o caso dos homossexuais, que podem surgir de qualquer cultura ou estrato social, têm mais dificuldade em combater as injustiças e desigualdades, pois não são uma “classe” em si. Deste modo, ficam muito mais vulneráveis às pressões sociais. No entanto são os cristãos e islâmicos que, na sua imensa hipocrisia e falta de humanidade, escudados por leis de há 2000 e 3000 anos, arrogantes e completamente desenquadradas da nossa realidade sociocultural, fazem uma guerra absurda aos homossexuais, vedando-lhe inclusivamente o acesso à prática da religião.

Mas não é apenas a nível da sociedade que os homossexuais encontram problemas. A família, o grupo de amigos, os colegas de trabalho, que constituem o seu mundo mais próximo e íntimo são, no entanto, os que se têm revelado mais hostis e os primeiros a segregarem. Muitas vezes fazem-no sem base em valores definidos, quase inconscientemente, apenas porque intimamente não aceitam a diferença. Esta estigmatização dificulta a natural integração social dos homossexuais, levando-os muitas vezes – principalmente adolescentes e jovens – a optarem por estilos de vida de maior risco ou mesmo marginais.

Fontes consultadas:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Homossexualidade http://pt.wikipedia.org/wiki/Homossexualidade_na_Gr%C3%A9cia_Antiga http://pt.wikipedia.org/wiki/Homossexualidade_na_Roma_Antiga

Forum rede ex aequo

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Respostas a este tópico

vejam isto:

aconteceu numa igreja onde congreguei

um rapaz que éra obreiro na igreja, casado com uma linda mulher 5 filhos de repente arrumou la um camarada de amante separou da mulher trocou nas calças por um vestidinho e foi virar bolsa num lugar ak em scsul onde travestis fazem ponto

vçs tem alguma explicação para este tipo de coisa???

na igreja disseram se tratar de um espirito maligno que se apossou dele, vçs acham ue pode ter sido isto mesmo

abraços

Luis,

O mais provável é que ele sempre foi gay e a família o convenceu a casar com uma mulher para manter as aparências.

Ele cedeu a pressão da família e quando a infelicidade já se tornara insuportável, resolveu assumir o que realmente era e foi ser feliz.

Esta história de espírito maligno é para tirar a responsabilidade da família e da igreja.

Considere que um gay, geralmente é uma pessoa com a cabeça de um gênero em um corpo de outro gênero, apenas isto.


Luis A. Sabino disse:

vejam isto:

aconteceu numa igreja onde congreguei

um rapaz que éra obreiro na igreja, casado com uma linda mulher 5 filhos de repente arrumou la um camarada de amante separou da mulher trocou nas calças por um vestidinho e foi virar bolsa num lugar ak em scsul onde travestis fazem ponto

vçs tem alguma explicação para este tipo de coisa???

na igreja disseram se tratar de um espirito maligno que se apossou dele, vçs acham ue pode ter sido isto mesmo

abraços

Um grande 2014 para todos nós!

Luís, a história que conta é a história de algumas pessoas. Esse rapaz assumiu a sua homossexualidade, só isso. Pensa-se (médicos, psiquiatras, psicólogos, especialistas do sistema nervoso, etc.) que as pessoas que são gays já nascem gays. A outra parte da história que conta, foi apenas um caminho que ele quis conhecer ou foi obrigado a segui-lo. Não sabemos. A prostituição existe. Quantas jovens mulheres, às vezes filhas de famílias de bem, se vêem nas esquinas das avenidas, ou nos bares de 3ª, à procura de clientes?

Acontece que a nossa sociedade, a nossa família e amigos, colegas de trabalho, companheiros da igreja, no seu caso, são renitentes em aceitar a diferença. Isso também, de certa forma, se compreende, pois desde que somos pequeninos aprendemos a julgar os outros pelos padrões que nos são impostos. Repare que até há umas décadas atrás, as pessoas nem ousavam falar em homossexuais. Isso era tabu.

Mas as coisas estão a mudar e todos temos que aprender a aceitar a homossexualidade como algo natural e humano, pois ela existe desde sempre. andava era escondida!

Cumprimentos.

é tb acho que devia estar no armário (escondidinho)

isto deixou todos nós que soubemos da história e conhecemos o rapaz de uma certa forma sem entender cousa alguma, veja bem : sendo obreiro e com dons espirituais éra de se imaginar que estava brindado quanto a este tipo de coisa (espíritos obsessores) além do que se tivesse assumido um namoro la com o tal companheiro que arrumou (seria) de se falar saiu do armário ...o caso que intrigou mais foi o fato de ter virado travesti e fazer disto um modo de vida , ai fiquei no vácuo mesmo

abrços

Ao Luis Sabino e à Luísa:

Pelo visto, de repente, cansado de representar um papel que não era o seu, resolveu soltar as frangas!!

Os três monoteísmos, animados por uma mesma pulsão de morte genealógica, partilham uma série de desprezos idênticos: ódio à razão e à inteligência, ódio à liberdade; ódio a todos os livros em nome de um único; ódio à vida; ódio à sexualidade, às mulheres e ao prazer; ódio ao feminino; ódio ao corpo, aos desejos, às pulsões. Em vez e no lugar de tudo isso, judaísmo, cristianismo e islã defendem: a fé e a crença, a obediência e a submissão, o gosto pela morte e a paixão pelo além, o anjo assexuado e a castidade, a virgindade e a fidelidade monogâmica, a esposa e a mãe, a alma e o  espírito. Equivale a dizer a vida crucificada e o nada celebrado ...”.

                                                          Michel Onfray

 Leitura recomendada: “Tratado de Ateologia” de Michel Onfray, Editora: Martins Fontes.

http://livrodeusexiste.blogspot.com.br/2010/05/capitulo-32-crenca-r...

Saudações Irreligiosas,

Oiced Mocam

Filhos de Abraão & de Sodoma: Judaísmo e homossexualidade
Cristãos-novos Homossexuais nos Tempos da Inquisição

Autor do estudo: Luiz Mott

"As mesmas leis que oprimiram os judeus, discriminaram os homossexuais; os mesmos grupos que quiseram eliminar os judeus, perseguiram igualmente os. Anti-semitismo e homofobia estão juntos nos mesmos períodos da história européia; idênticos métodos de propaganda foram usados contra judeus e homossexuais." (Boswell, 1980:16)

"...Os homossexuais se tornaram os judeus da atualidade: oprimidos, caluniados, discriminados, inclusive por descendentes daqueles que sofreram juntos, nos mesmos campos de concentração, os horrores da intolerância"

Judaísmo e Homossexualidade
Não há como negar: judaísmo e sodomia, desde sua origem e ao longo dos últimos quatro mil anos, estiveram sempre juntos. No mais das vezes, o judaísmo condenando os homossexuais. Intimamente unidos, porém, enquanto vivências biográficas de judeus gays e lésbicas judias. Ambos sofrendo os horrores da intolerância, os filhos de Sodoma e de Abraão executados nas mesmas fogueiras da Inquisição e campos de concentração.
A destruição de Sodoma, o principal emblemalo pai de uma multidão de povos, cujos filhos seriam mais numerosos do que as estrelas do céu e as areias do mar(2) . Pouco tempo após tal aliança, o patriarca do povo judeu recebe a visita de três misteriosos homens/anjos que confirmam o futuro nascimento de seu herdeiro Isac - encaminhando-se em seguida em direção de Sodoma, "cujos habitantes eram perversos e grandes pecadores". No caminho, Javé revela a Abraão: "É imenso o clamor que se eleva de Sodoma e Gomorra e o seu pecado é muito grande... Fez então o Senhor cair sobre estas duas cidades uma chuva de enxofre e de fogo, vindo do Senhor, do céu. E destruiu estas cidades e toda a planície, assim como todos seus habitantes e vegetação do solo."(3)

Como se observa, no próprio mito fundamental povo judeuse no sentido restrito, a cópula anal, e quando referida de forma abrangente, a qualquer relação homossexual: "o homem que dormir com outro homem como se fosse mulher, deve ser apedrejado".(4)
Hoje,historiadores interpretam a inclusão do amor entre pessoas do mesmo sexo no rol das abominações veterotestamentárias não só como uma forma de oposição à idolatria dos povos vizinhos, onde sacerdotes homenageavam suas divindades através de atos homoeróticosse igualmente a homofobia talmúdica como uma resposta destas pequeninas tribos de pastores nômades ao seu ambicioso projeto demográfico, estabelecendo como utopia messiânica, a conquista de uma terra prometida, o nascimento do Messias e a consolidação de uma grande nação banhada por rios com torrentes de leite e mel. Eis as palavras de Javé ao patriarca Abraão: "Levanta os olhos para os céus e conta as estrelas se és capaz... Pois assim será a tua descendência... Eu dou esta terra aos teus descendentes, desde a torrente do Egito até o grande rio Eufrates... "  Neste contexto triunfalista, o desperdício do sêmen passou a ser crime de lesa humanidade, posto representar o aborto virtual de um novo guerreiro, daí a pena de morte por apedrejamento contra os "perversos sodomitas". 
Não é apenas na gênese deste povo, cuja influência posterior tornou-se fundamental na construção da super-estrutura ideológica do mundo ocidental e de praticamente toda história humana nos últimos quatro mil anos, que se nota a forte presença do binômio judaísmo/homossexualidade:

na própria consolidação na nação israelita, a figura emblemática de seu líder, o Rei Davi, é indissociável do "amor que não ousava dizer o nomese o fundador da nação israelita única e independente.nu, freneticamente, usando tão somente um efod de linho, "veste muito curta, uma espécie de tanga que cobria somente os rins.
A relação íntima e profunda de Davi com Jônatasna apenas espiritual, cada vez mais os exegetas confirmam se tratar mesmo de um amor homoerótico. Recentemente, a filha do General Moshe Dayan causou furor no parlamento israelense, ao evocar este lado polêmico do pai do Rei Salomão. "Um caso de amor descaradamente homossexual: a amizade imorredoura ente Davi e Jônatas", afirma o sacerdote Tom Horner, doutor em Literatura Religiosa pela Universidade de Columbia, na sua obra O Sexo na Bíblia. Apesar de alguns biblicistas postularem que se tratava de um amor meramente espiritual, do tipo ágape, respeitosos exegetas garantem que se tratava mesmo do amor inspirado em eros, "o mesmo tipo de relação existente entre Aquiles e Pátroclo na Ilíada, à de Gilgamesh e Enquidu na Epopéia de Gilgamesh, e à de Alexandre Magno e Hefestion".

As palavras de Davi, quando da morte precoce de seu bem amado parceiro, não deixam dúvidas desta paixão homoerótica: "Meu coração chora por tua causa, meu irmão Jônatas; quão agradável me eras: mais delicioso me era o teu amor do que o amor das mulheres". Segundo analisa o mesmo estudioso: "Tais homens não eram de forma alguma efeminados: eram guerreiros amigos, essencialmente bissexuais." 

....se de um mesmo violento processo de exclusão social, situado na alta Idade Média, e que deu origem à mais prolongada perseguição de judeus e sodomitas no orbe cristão. Segundo o Dr. John Boswell, no clássico Christianity, Social Tolerance and Homosexuality, foi somente a partir do século XIII que a Europa presenciou o desenvolvimento generalizado de dois ódios que marcarão profundamente nosso mundo no último milênio: a homofobia e o anti-semitismo.
De acordo com recentes pesquisas historiográficas, é exatamente no século XIII, após um longo período de relativa tolerância e convivência mais ou menos pacífica dos cristãos com os sodomitas e praticantes da Lei de Moisés, que se desenvolve na Europa, um forte sentimento de anti-semitismo e homofobia, tendo a Inquisição como ponta de lança nesta cruzada de ódio e intolerância. Logo em seguida, com o alastramento da Peste Negra (1348) e o preocupante desequilíbrio demográfico dela decorrente, judeus e sodomitas são acusados de terem provocado a ira divina e alastrado criminosamente esta epidemia.

O crescimento deste fanatismo é marcado por diversos acontecimentos que enlutaram dramaticamente sua época: repetidas cruzadas contra os não-cristãos e hereges, a expulsão e perseguição dos judeus em diversas partes da Europa, o surgimento do Tribunal da Inquisição, a produção de rancorosos tratados de teologia contra a homossexualidade, a caça às bruxas e aos sodomitas.
Um dado histórico ainda pouco conhecido, mas criteriosamente documentado, é a existência de um oásis de paz entre judaísmo e homossexualidade, registrado na Andaluzia no milieu de cultura islâmico- mourisca entre os séculos XIII e XIV, onde artistas e intelectuais judeus produziram delicados poemas enaltecendo a beleza de adolescentes, seguindo a mesma inspiração temática da literatura árabe daquela época. A gazela "sebhi" destes líricos, não é a donzela inspirada no Cântico dos Cânticos, mas um esbelto rapaz, amado com seus charmes e caprichos, muito semelhante à poesia islâmica contemporânea. Segundo o Dr.Boswell, estes poemas constituem o único corpus literário homoerótico em hebreu. Como porém este tema não consta nos escritos neo-hebreus da Haskalah e nem no hebreu renascido como língua falada pelo movimento sionista e na ressurreição do estado de Israel, um premeditado complô do silêncio esconde esta página cor-de-rosa da literatura judaica na diáspora.
Segundo a Encyclopedia of Homosexuality, os judeus foram acusados de ter introduzido a homossexualidade na Espanha durante o domínio mouro e após sua expulsão, em 1492, foram novamente incriminados de ter espalhado o mau pecado em PortugalXV às vezes associavam o judaísmo à perversão sexual. Em Granada, Garnata al Yahud, a homossexualidade e pederastia eram normas correntes na aristocracia judaica e mourisca.
Levi viveram intensa paixão homoerótica, sendo este último um dos mais proeminentes judeus na Espanha Cristã: poeta destacadíssimo e influente líder religioso, além de escrever de encantadores epigramas dedicados a guapos mancebos, transformou a poética heterossexual arábica em poemas homossexuais.sodomitas.


Na Península Ibérica, é sobretudo a partir dos finais do século XV e primórdios do XVI, com a instalação do Tribunal do Santo Ofício da Inquisição, que novamente judeus e sodomitas vão comer o pão que o diabo amassou. Fundada na Espanha em 1478 e em Lisboa, em 1536, a Inquisição Portuguesa, teve como seu principal alvo os cristãos-novos: das mais de 40 mil pessoas aprisionadas nos cárceres secretos das inquisições de Lisboa, Coimbra e Évora e das mais de mil vítimas que efetivamente morreram na fogueira, passa de 80% o número dos condenados pela prática do judaísmo. Depois dos cristãos-novos, os sodomitas constituem o segundo grupo mais perseguido pelo Tribunal da Fé: das 4419 denúncias registradas nos Repertórios do Nefando, na Torre do Tombo, aproximadamente 450 redundaram no encarceramento dos homossexuais, e destes, 30 terminaram seus dias na fogueira.
Tendo como base e fio condutor a documentação inquisitorial, meu principal escopo neste ensaio é investigar uma faceta inédita da historiografia consagrada tanto ao judaísmo como à sexualidade humana: a reconstrução biográfica e o cotidiano dos cristãos-novos portugueses acusados da prática secreta dos dois mais hediondos crimes do conhecimento do Santo Ofício: judaísmo e homossexualidade.

Leia estudo (em  completo, leia mais sobre:  As relações entre judaísmo e homossexualidade, desde os tempos bíblicos, passando pela Idade Média, privilegiando a reconstituição dos principais traços da vivência dos cristãos-novos sodomitas luso-brasileiros perseguidos pelo Tribunal do Santo Ofício...

Fonte:

http://www.oocities.org/br/luizmottbr/artigos03.html

Colaborou, em complemento a sua iniciativa Luísa de nós trazer o seu estudo, pesquisa e conhecimento,

Oiced  Mocam

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