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Se você não sabe, aceita e não questiona, embota-se e acaba virando crente.

EXCESSO DE FÉ NA DESCRENÇA - Um pequenino comentário

É comum, quando alguém me pergunta ou questiona qual é a minha religião, de pronto afirmo que sou ateu, para algum tempo depois haver contradições nas minhas falas, e até nas minhas ações.

Igual a muitos aqui, também não acredito na existência divina, muito menos naquelas estórias que foram exemplarmente escritas a partir da Idade Média, ou melhor, remodelada aos interesses da ICAR, em se tratando do cristianismo, que é o ponto chave, e raiz da cultura do nosso povo.

Entretanto, rendo-me aos ritos, que tanto me fascinam. Fui neófito de algumas Fraternidades, e escrevo com a inicial maiúscula, por fazer parte de um momento que conservo na área VIP das minhas lembranças. Compartilhei do sabor de ser filho-de-santo, na Umbanda, tendo Xangô como o meu Orixá de cabeça; fui membro de diversos, na verdade, três, grupos jovens, quando era jovem, tanto na ICAR, quanto nos templos evangélicos. E sempre ia com o intuito de me dar bem com as moças, nem sempre lindas; nem sempre recatadas, mas sempre muito dadas, se é que me entendem...

Hoje não frequento coisa alguma, mas por pura falta de tempo, embora sinta saudade do som dos atabaques; das feijoadas servidas durante as festas de Pretos Velho; da atmosfera agradável que envolve os tempos; as igrejas, e os terreiros, além, é claro, das vibrações que eu tinha em certos rituais, que desde sempre, entendia como auto hipnose, mesmo assim, a sensação é indescritível.
Você acredita que até dançar, eu dançava? E olha que sou muito ruim de dança, quando estou no estado normal, ou mesmo embriagado.

Entendo que viver é uma arte, que nem todos sabemos lidar com perfeição, pois é complicado entender as verdades dos outros, quando essas não se coadunam com as nossas!
É muito chato conviver com os diferentes, seja na fé ou na descrença...Não é?

Meu pai era de "pô café", até chegou a colocar um padre de joelhos no meio da rua, a implorar por deus que lhe desse um sinal, quando esse falou alguma coisa que meu pai julgou ofensivo, mas era devoto do Santo Reis, e chegou a ser Mestre de Folia de Reis, com muita honra!
Vai entender a mente humana....

Quando eu, ainda adolescente, resolvi enveredar pelos caminhos esotéricos, papai nada falou. Não foi contra, muito menos a favor, embora, por dentro, condenasse a minha decisão!
E na Fraternidade dos Irmãos Menores, fiquei por 4 anos! (Essa Fraternidade não existe mais, mas dela vingou uma Comunidade Rural, em Xerém, RJ. A Casa do Caminho.)

Meu pai morreu há 4 anos. Ficou internado por 5 meses, lúcido, não permitia que religiosos, fossem pastores ou padres, fizessem qualquer tipo de "reza" para ele, afinal, era Homem, e sabia morrer como tal, mas também não debochava, e até ficava puto, quando via eu ou o meu irmão, a debochar da santíssima trindade, pois, vai que...

Definitivamente, não sou ateu!
Afirmo-me ateu, por não haver palavra melhor que possa dar definição concreta sobre os meus sentimentos em relação a religiosidade humana.

Sou cético!
Talvez essa seja uma definição mas adequada, só que o meu ceticismo vai muito além da natureza religiosa, uma vez que perpassa pela conduta humana; pelos os sentimentos; pela a amizade, e até pelo o amor. Não acredito em nada disso!

Por anos, adotei o niilismo, mesmo sem conhecer essa filosofia, se é que podemos chamar assim. Busquei para a minha vida a ausência de sentimentos, adoçado com educação no tratamento; olhar vazio, embora terno, e a insuportável aceitação da conduta alheia, por mais que me perturbasse ver o andamento da carruagem com a roda partida, embora tivesse outra como estepe.

Se uma pessoa, gentilmente, me diz "Vá com deus!", por que tenho que ofendê-la, se o que ela queria dizer era que me desejava boa viagem?

Se o sujeito, convicto da sua certeza de que está com reserva marcada no Paraíso, e se arrebanhar mais passageiros, poderá, até, ficar numa suíte, se entregar "folders", para os transeuntes, por que devo exaltar-me com ele, se a nossa convivência, não passará de segundos? Pego a porcaria do papel; agradeço, e acelero os passos, para não perder o ônibus, com o seu papel no meu bolso, para descarta-lo mais à frente!

A grande questão que me faz refletir por horas, e dias, talvez, é que penso que o Ateísmo tornou-se uma religião disfarçada, onde muitos dos seus membros, são tão ou mais ferozes do que a tribo do Macedo, cujo exército cresce a cada dia, diante de uma lavagem cerebral, que poderá por em risco não só a nossa cultura, mas a vida social como a entendemos, pois o radicalismo envenena as pessoas; gera ódio e sede de vingança, sabe-se lá o por quê, e para quê!

Gosto de brincar com a fé, na internet, afinal, sozinho, bêbado, e de cueca em casa, se não houver punhetação, alguma porcaria precisamos fazer, para passar o tempo, embora, em muitas ocasiões, diante das barbaridades que costumo ler, sinto tanto receio dos ateus convictos na sua fé, quanto tenho dos que acreditam na salvação, depois da morte!

No mais, é só isso, e peço desculpas por tomar o seu tempo, se conseguiu chegar até aqui!

Grande abraço,
Gê!® Vorib
(Primeiro e único, até o final dos meus dias!)

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Comentário de Divina de Jesus Scarpim em 21 setembro 2016 às 15:04

Gostei do seu texto e do seu jeito de ser ateu, Gê. Só tenho uma ressalva:

Ando ficando um bocado aborrecida com essa acusação que já li inúmeras vezes feita tanto por teístas como por alguns ateus e, infelizmente, voltei a vê-la no seu texto: "o Ateísmo tornou-se uma religião disfarçada".

Quando leio isso me sinto ofendida de certa forma. É uma generalização injusta e uma injustiça para comigo e para com muitos outros ateus que conheço, inclusive, me pareceu, você mesmo. O fato de a gente ver algumas pessoas, principalmente nas redes sociais, se dizendo ateias e vomitando ódio como qualquer cristão fundamentalista, na minha visão, não nos dá direito de dizer que O ATEÍSMO se tornou uma religião!

Esses ateus que vejo se comportando como religiosos fanáticos, pelo que observei até agora, se dividem em dois grupos: um que abrange os ateus muito jovens e recentes ainda deslumbrados com a descoberta e revoltados com os que não descobriram o mesmo que eles, e outro grupo do qual fazem parte os religiosos que por alguma razão, em geral muito egoísta, se frustraram com a religião e tomaram essa frustração como ofensa pessoal.

O resultado, em razoavelmente pouco tempo, é que os primeiros acabam estudando um pouco mais, pensando um pouco mais, "esfriando a cabeça" e se tornam ateus mais ponderados, mais como você talvez; e o segundo grupo acaba encontrando outra religião ou outra igreja onde "encontra" Jesus, ou seja lá o que for, e vai ao púlpito dar testemunho de ex-ateu.

Então, eu queria muito que as pessoas, principalmente os ateus como você, dessem um tempo para que esses ateus revoltadinhos se definam e não os colocassem sendo O ATEÍSMO, porque eu sou ateia e não sou assim e, quando alguém fala que "o ateísmo..." está falando também de mim - e de você - e, portanto, não está dizendo a verdade.

Espero que você não fique aborrecido com esse meu desabafo e que entenda que apenas quis torná-lo um aliado na minha defesa de que o ateísmo NÃO é e não se parece com uma religião, mesmo quando alguns ateus se comportam dessa forma.

Abraços!

Comentário de SERGIO MESQUITA RANGEL em 13 agosto 2016 às 1:12

Achei o texto simplesmente bárbaro!.

.

Isso é o que eu penso.

.

Não sou ateu para "seguir o ateísmo"!

Sou ateu porque quero ser livre para pensar, para investigar, para sentir, estudar frequentar qualquer lugar, até mesmo, de qualquer religião, sem precisar de dar quaisquer satisfações de minhas escolhas, de meus pensamentos ou de minha forma particular de encarar a vida.

.

Odeio a falácia do "verdadeiro escocês", tanto quando a falácia do "verdadeiro ateu" . . .

Catedrático, acadêmico, sistematizado, normatizado, obrigatoriamente lógico, desde que acorda até a hora de dormir.  Ser ateu assim deve ser um inferno.

Se fosse para seguir, obrigatoriamente, algum tipo de "doutrina sistematizada ateísta" eu jamais seria ateu.

.

Teriam de inventar uma outra classificação.

.

Você sabe que você é um ateu.  Estando numa igreja ou numa curimba, ou num grupo de ufologia.

O fato de ser ateu não o obriga a isolar-se das pessoas . . .  AO CONTRÁRIO!  A vida fica muito mais divertida!  Muito mais feliz!

.

Você vira, tipo, um cidadão do universo!  Entra em qualquer lugar!  Fala qualquer idioma!  Lê qualquer livro!  Conversa com pessoas!  Se comunica!  Transita em todos os níveis! . . .

.

Eu acho essa a maior beleza de ser ateu!

.

Não me roubem isso!  Por favor! . . .

.

Meus sinceros parabéns ao autor Gê Vorib.

Comentário de Ivo S. G. Reis em 8 agosto 2016 às 7:34

Perfeita a conclusão do colega Paulo: "[...]  Lógico, para isso necessitamos lecionar, porque se não o fizermos, quem o fará ?" Há sim uma grande diferença em relação ao que fazemos: enquanto a religião doutrina para emburrecer e escravizar, doutrinamos para esclarecer e libertar.

Temos certeza de que nossos objetivos são nobres. Já os das religiões...

Comentário de Paulo Rosas Moreira em 5 agosto 2016 às 11:35

Gê Vorib !

Bem poucos de nós, é capaz de praticar o exorcismo religioso, tão bem quanto o amigo o fez nessa postagem.  Chegou esclarecendo e dizendo o que é e a que veio, em outras palavras deu a cara a tapa.

Quanto a sua tese de que o ateísmo está se tornando uma religião disfarçada, não é bem assim,  uma das características das religiões é a ritualística, a catequização,  até aceito que ao contestarmos as religiões, também praticamos a catequização, mas no sentido de proteger o ser humano, para que ele raciocine e venha a enxergar o quanto de inverdades enfiaram-lhe em sua cabeça. Lógico, para isso necessitamos lecionar, porque se não o fizermos, que o fará ?

Sejas muito bem vindo e parabéns pela sinceridade.

Saudações irreligiosas.

Comentário de Ivo S. G. Reis em 4 agosto 2016 às 4:50

Caro Gê:

Não só consegui chegar ao final da leitura, como gostei e achei muito apropriadas as suas reflexões. Ah, se os religiosos fizessem uma reflexão semelhante, pelo menos uma vez por ano... Em quanto se teria reduzido a população religiosa? Quantos templos, especialmente os evangélicos, verdadeiras arapucas, já se teriam fechado? O problema é que a grande lavagem cerebral que essas pessoas sofrem não as deixam pensar. Aliás, são orientadas a acreditar sem questionar. E por isso, preferem delegar a atividade de pensar, o que deveria ser indelegável. Se concedem esse direito a outrem, o que mais não concedem?

Saudações Irreligiosas!

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