Irreligiosos

Se você não sabe, aceita e não questiona, embota-se e acaba virando crente.

Deuses existem? Tudo o que você precisa saber antes de morrer!

Nota da Administração: nosso colega irreligioso, Oiced Mocam, em seu blog "Deuses Existem?", reuniu uma coletânea de 135 artigos com reflexões sobre o assunto, todos de altíssima qualidade, e alguns já replicados por ele aqui no Irreligiosos. A intenção seria enfeixá-los e transformá-los em livro (o autor não informa se o livro já foi publicado). De qualquer forma, em livro ou não, o material está listado abaixo e disponível para consulta no blog do autor. Segue o post por ele enviado:

 

 

 

Tudo o que você precisa saber antes de morrer!

 

História, Religião, Mitologia, Ateísmo, Humanismo, Racionalismo, Filosofia e Ciência.

Sumário do Blog  "deuses Existem"? :

Uma lista de 135 artigos úteis para indivíduos que precisem de apoio para fugir da religião.

Digite o artigo na caixa de pesquisa do modesto blog

Sumário do Blog "Deuses Existem"?

01-Apresentação pelo Autor

02- Nos bastidores da História

03- Como tudo começou – A primeira religião e os primeiros deuses

04- De onde viemos: as Teses da Origem do Planeta Terra

05- Com que fim Deus criou os homens?

06- Tese I: Deus criou a terra e o homem

07- Tese II: A vida veio do espaço

08- Tese III: De onde viemos, o acaso e a necessidade

09- O que havia antes do tempo. A origem do Universo

10- Big Bang e a Origem do Universo

11- De onde veio o seu corpo. Somos poeira das estrelas

12- A Pré-História e os primeiros humanos

13- Mitologias – Joseph Campbell

14- Mitologias - Deuses qualquer semelhança é pura coincidência

15- Povos da Antiguidade Ocidental e Oriental

16- O Deus Faraó vivo e a civilização egípcia

17- Deuses egípcios e suas vidas no além

18- Deuses vivos na civilização da Mesopotâmia

19- Fenícios e Persas sua história e seus deuses

20- Grécia antiga. A grande mãe Deusa

21- Deuses do Olimpo e a Ilha Sagrada

22- Pitágoras, Sócrates, Platão – Grandes filósofos gregos

23- O Cristianismo e a queda do império romano

24- O Cristianismo – Nada é original no cristianismo!

25- Na Idade Média – Mediante pagamento perdão e a salvação!

26- As reformas na igreja e a desmoralização do clero

27- A Inquisição – Em nome de Cristo o Manual da Tortura

28- Religiões Ortodoxa, Protestantes, Pentecostais, Testemunhas de Jeová, Adventistas,

Umbanda, Candomblé.

29- Mórmons – Igreja dos Santos dos Últimos Dias

30- Espiritismo – Os mortos se comunicam?

31- Vida após a morte?

32- Vida após a morte – O Eclesiastes e nossa existência efêmera conforme a Bíblia

33- Por que não quero ir para o céu (com humor)

34- Maomé, o Islã, Alcorão e o Paraíso E-T-E-R-N-O

35- Democracia, um desafio para o Islamismo

36- Budismo. Nada em excesso, só o ouro dos templos budistas!

37- Judaísmo, Jerusalém – O centro do mundo com três religiões

38- Religiões orientais e crenças milenares

39- Cientologia- A religião dos artistas e famosos de Hollywood

40- Pseudociência e charlatanismo

41- Guerras em nome de Deus e do Diabo

42- Deus não é, e nunca foi grande!

43- Deus – Seus assessores e o suicídio

44- Você sabe realmente quem escreveu a Bíblia?

45- A Bíblia – Origem, enigmas e mistérios

46- A Bíblia passada a limpo

47- A Bíblia e as razões para Humanistas negar a Inspiração Divina

48- Ensinamentos incompatíveis com as Leis da Natureza

49- Ensinamentos inconsistentes com a Estrutura Física do Mundo

50- Afirmativas religiosas incorretas sobre a História

51- Humanistas falam sobre os Argumentos Relativos

52- Humanistas denunciam as crueldades relatadas na Bíblia

53- Jeová era Bom ou Mau?

54- O Diabo funcionário e secretário de Deus

55- Alguns absurdos na Bíblia em Isaías

56- Apocalipse – A religião nunca deixou de proclamar

57- Profecias não realizadas colocam em dúvida relatos religiosos

58- Os Manuscritos do Mar Morto – A outra Bíblia

59- Arqueologia comprova: Maior parte dos fatos são lendas e mitos

60- Arqueólogos contestam o êxodo da Bíblia

61- O Dilúvio e a Arca de Noé nunca existiram

62- Quem escreveu o Novo Testamento – Bart D Ehrman, desvenda

63- Quem escreveu os Evangelhos?

64- Jesus e Maria – Quem foram? Lenda, mito ou fato?

65- Jesus o incômodo silêncio da História

66- JESuses – Qual Jesus?

67- O maior acobertamento da História: Crestus

68- Jesus existiu? Demolindo o mito de Jesus!

69- Crítica da Religião é a crítica dos conceitos

70- OSHO - O homem mais “perigoso” desde Jesus Cristo

71- Osho – A única saída é voltar-se para dentro

72- Só porque criou o mundo pensa que é deus (humor)

73- Livre Arbítrio

74- Conhecereis a verdade e a verdade vós libertará. Sem verdade não há liberdade

75- Toda fé religiosa do mundo se baseia em invencionices

76- Neuroreligião: Os segredos do cérebro e de onde vem a fé e a crença na religião

77- A crença religiosa faz as pessoas se comportarem melhor?

78- Educando as nossas crianças sem necessidade de religião

79- O que devo dizer a meus filhos sobre religião

80- A oração ajuda?

81- Deus e ateísmo. A minha realidade

82- Ser irreligioso ou ateu é ser livre

83- Humanismo – Isso é com você

84- INGERSOLL – Por que sou agnóstico

85- DAWKINS – Carta para sua filha Juliet

86- RUSSEL – Por que não sou cristão

87- SARTRE – Nietzsche. Deus está morto

88- Friedrich NIETZSCHE o filósofo

89- Madre Teresa – Sua fé e seus segredos

90- Rousseau – Confissões de fé de um vigário

91- EINSTEIN acreditava em Deus?

92- Razões para não acreditar em deuses – MENCKEN

93- Jean MESLIER – O padre ateu

94- Deus, um delírio, afirma o biólogo Richard Dawkins

95- Hitler, Stálin, Mussolini eram ateus?

96- Religião e Política sempre de mãos dadas

97- Stephen HAWHING quebra a casca de nós

98- Argumentos da inexistência de deus

99- Criacionismo ou Evolucionismo – Fé e Ciência

100-Ciência e Religião

101-Como DARWIN e a Ciência mataram Deus

102- As Leis da Natureza

103- Design Inteligente = o Deus das Lacunas

104- Quem criou o Projetista – Falácias

105- A prova de que não há nenhum Deus

106- O Problema do mal

107-Refutando a Aposta de Pascal

108- Deus Existe? Ainda não. O melhor da humanidade está    por  vir

109- As descobertas da NASA: Planeta Terra único e frágil

110- A história da Criação e do Dilúvio (com muito humor)

111- Por que Oiced não acredita em deuses

112- Por que não acredito em livros ditos sagrados

113- O Sentido da Vida

114- Quer fazer um mundo melhor?

115- O que é viver filosoficamente?

116- BEM OKRI – Pensem por si mesmos

117- Por que ser um Livre Pensador

118- Sociedades Secretas: o que são e como funcionam

119- MAÇONARIA – Os segredos

120- OPUS DEI – A morte do Papa e os escândalos do Vaticano

121- Mercadores da fé

122- Guerra Santa das religiões brasileiras

123- Quem tem boca vaia a Roma

124- Abuso sexual, pedofilia e os crimes de batina

125- A Homossexualidade e a opinião das religiões

126- Qual religião seguir? (com humor)

127- A Igreja Googleísta – Oração ao Deus Google

128- Os estilos de pregação religiosa (humor)

129- Vou abrir a minha igreja e já volto

130- A Arca de Noé e o Dilúvio no Brasil (humor)

131- Eu não sabia que poderia ser tão fácil me livrar da religião

132-Como ficamos sem a religião?

133- Pensamentos famosos

134- Ateus famosos

135- Bibliografia e Leituras recomendadas

“Estudei  as religiões e deuses do mundo e cheguei a seguinte conclusão: religião, nenhuma!”

Oiced Mocam

consultorcomercial@gmail.com

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Comentário de Oiced Mocam em 7 dezembro 2016 às 19:35

De RICHARD DAWKINS,  “Carta para sua filha Juliet”.

MILHÕES DE PESSOAS ACREDITAM EM COISAS DIFERENTES, porque diferentes coisas lhes foram ENSINADAS QUANDO ERAM CRIANÇAS.

Querida Juliet,

       “Agora que você fez dez anos, quero lhe escrever sobre algo que é muito importante para mim. Você já se perguntou sobre como sabemos as coisas que sabemos? Como sabemos, por exemplo, que as estrelas, que parecem pequenos pontos no céu, são na verdade grandes bolas de fogo como o Sol e ficam muito longe? E como sabemos que a Terra é uma bola menor, girando ao redor de uma dessas estrelas, o Sol?

A resposta para essas perguntas é: PROVAS.

Às vezes prova significa realmente ver (ou ouvir, ou sentir, cheirar…) que algo é verdade. Astronautas viajaram longe o suficiente da Terra para ver com seus próprios olhos que ela é redonda. Às vezes nossos olhos precisam de ajuda. A estrela-dalva parece uma sutil cintilação no céu, mas com um telescópio você pode ver que ela é uma linda bola – o planeta que chamamos de Vênus. Uma coisa que você aprende diretamente vendo (ou ouvindo, ou cheirando…) é chamada de observação.

Frequentemente, a prova não é só uma observação por si só, mas há sempre observações em sua base. Se aconteceu um assassinato, é comum ninguém (menos o assassino e a pessoa morta!) ter visto o que aconteceu. Mas os detetives juntam diversas observações que podem apontar na direção de um suspeito. Se as impressões digitais de uma pessoa coincidirem com as encontradas num punhal, isso é uma prova de que ela tocou nele. Isso não prova que ela cometeu o assassinato, mas pode ser uma informação útil, junto com outras provas. Às vezes um detetive consegue pensar sobre várias observações e então de repente perceber que todas se encaixam e fazem sentido se fulano de tal cometeu o crime.

Os cientistas – os especialistas  em descobrir o que é verdade sobre o mundo e o universo – frequentemente trabalham como detetives. Eles dão um palpite (chamado de hipótese) sobre o que talvez seja verdade. Depois dizem para si mesmos: Se isso realmente for verdade, devemos observar tal coisa. Isso é chamado de previsão. Por exemplo, se o mundo realmente for redondo, podemos prever que um viajante que caminhar continuamente numa mesma direção acabará no ponto de onde partiu. Quando um médico diz que você está com sarampo, ele não olhou para você e viu sarampo. A sua primeira observação lhe fornece a hipótese de que você talvez tenha sarampo. Então ele diz para si mesmo: se ela realmente está com sarampo, devo encontrar… E ele então consulta sua lista de previsões e testa-as usando seus olhos (você está com pintas?), mãos (sua testa está quente?) e ouvidos (seu peito está com um chiado?). Só então ele toma a decisão e diz: Meu diagnóstico é que essa criança está com sarampo. Às vezes, os médicos precisam fazer outros testes, como exames de sangue ou raio-X, que ajudam seus olhos, mãos e ouvidos a fazer observações.

O modo como os cientistas usam provas para aprender sobre o mundo é muito mais engenhoso e complicado do que consigo dizer numa breve carta. Mas agora quero deixar de lado as provas, que são uma boa razão para crer em algo, e alertá-la sobre três más razões para acreditar em algo. Elas se chamam tradição, autoridade e revelação.

Primeiro, a TRADIÇÃO. Alguns meses atrás, fui à televisão para ter uma conversa com cerca de cinquenta crianças. Essas crianças foram convidadas por terem sido criadas segundo diferentes religiões: algumas como cristãs, outras judias, mulçumanas, hindus ou sikhs. Um homem com um microfone ia de criança em criança, perguntando no que acreditavam. O que elas responderam mostra exatamente o que quero dizer com tradição. Suas crenças não tinham nenhuma relação com provas. Elas simplesmente papagaiavam as crenças de seus pais e avós que, por sua vez, também não eram baseadas em provas. Elas diziam coisas como: Nós, hindus, acreditamos em tal e tal; Nós, muçulmanos, acreditamos nisso e naquilo; Nós, cristãos, acreditamos numa outra coisa.

Como todas acreditavam em coisas diferentes, nem todas poderiam estar certas. O homem com o microfone parecia achar que isso não era um problema, e nem tentou fazê-las discutir suas diferenças entre si. Mas não é isso que quero enfatizar no momento. Eu simplesmente quero analisar DE ONDE VIERAM AS CRENÇAS. Vieram da tradição. Tradição significa crenças passadas do avô para o pai, deste para o filho, e assim por diante. Ou por meio de livros passados através das gerações ao longo dos séculos. Crenças populares freqüentemente começam de quase nada; talvez alguém simplesmente as invente, como as histórias sobre Thor e Zeus. Mas depois de terem sido transmitidas por alguns séculos, o simples fato de serem tão antigas as faz parecerem especiais. As pessoas acreditam em coisas simplesmente porque outras pessoas acreditaram nessas mesmas coisas ao longo dos séculos. ISSO É TRADIÇÃO.

O problema com a tradição é que, independentemente de há quanto tempo a história tenha sido inventada, ela continua exatamente tão verdadeira ou falsa quanto a história original. Se você inventar uma história que não seja verdadeira, transmiti-la através de vários séculos não vai torná-la verdadeira!

A maioria das pessoas na Inglaterra foram batizadas pela Igreja anglicana, mas esse é apenas um entre muitos ramos da religião cristã. Há outras divisões, como a ortodoxa russa, a católica romana e as metodistas. Todas acreditam em coisas diferentes. A religião judaica e a mulçumana são um pouco diferentes; e há ainda diferentes tipos de judeus e mulçumanos. Pessoas que acreditam em coisas um pouco diferentes umas das outras vão à guerra por causa dessas discordâncias. Então você talvez imagine que eles têm boas razões – provas – para acreditar naquilo que acreditam. Mas, na realidade, suas diferentes crenças são inteiramente decorrentes de tradições.

Vamos falar sobre uma tradição em particular. Católicos romanos acreditam que Maria, a mãe de Jesus, era tão especial que ela não morreu, mas ascendeu ao Céu. Outras tradições cristãs discordam, e dizem que Maria morreu como qualquer pessoa. Outras religiões não falam muito nela e, de modo diferente dos católicos romanos, não a chamam de Rainha do Céu. A tradição segundo a qual o corpo e Maria foi levado ao Céu não é muito antiga. A Bíblia não diz nada sobre como ou quando ela nasceu; aliás, a pobre mulher mal é mencionada na Bíblia. A crença de que seu corpo foi levado ao Céu não foi inventada até cerca de seis séculos após a época de Jesus. No início, só foi inventada, da mesma forma que qualquer história, como Branca de Neve. Mas, no transcorrer dos séculos, ela se tornou uma tradição e as pessoas começaram a levá-la a sério simplesmente porque a história havia sido transmitida ao longo de tantas gerações. Quanto mais velha a tradição se tornava, mais as pessoas a levavam a sério. Ela foi por fim escrita como uma crença católica romana oficial muito recentemente, em 1950, quando eu tinha a idade que você tem hoje. Mas a história não era mais verdadeira em 1950 do que quando foi inventada, seiscentos anos após a morte de Maria.

Vou voltar à tradição no fim de minha carta, e olhá-la de outro modo. Mas antes preciso tratar das outras duas más razões para crer em alguma coisa: AUTORIDADE e REVELAÇÃO.

Autoridade enquanto razão para crer em algo significa acreditar, pois alguém importante ordenou que você acreditasse. Na Igreja católica romana, o papa é a pessoa mais importante, e as pessoas acreditam que ele deve estar certo só porque ele é o papa. Num dos ramos da religião muçulmana, as pessoas importantes são velhos barbados chamados de aiatolás. Muitos muçulmanos se dispõem a cometer assassinatos simplesmente porque aiatolás de um país distante deram essa ordem.

Quando digo que só em 1950 os católicos romanos foram finalmente informados que tinham que acreditar que o corpo de Maria havia subido para o Céu, quero dizer que em 1950 o papa disse que isso era verdade, e então tinha que ser verdade! É claro que algumas coisas que o papa disse ao longo de sua vida devem ser verdade e outras não. Não há nenhuma boa razão para você acreditar em tudo que ele diz mais do que você haveria de acreditar nas coisas que muitas outras pessoas dizem, só porque ele é o papa. O papa atual ordenou às pessoas que não controlassem o número de filhos que vão ter. Se sua autoridade for seguida com a obediência que ele deseja, os resultados poderão ser uma terrível escassez de alimentos, doenças e guerras, causadas pela superpopulação.

É claro que, mesmo na ciência, às vezes nós mesmos não vemos as provas e temos de acreditar no que foi dito por outra pessoa. Eu não vi, com os meus próprios olhos, que a luz viaja à velocidade de 300 mil quilômetros por segundo. Mas acredito em livros que me dizem qual é a velocidade da luz. Isso parece autoridade. Mas na realidade é muito melhor que autoridade, porque as pessoas que escreveram o livro viram as provas, e qualquer um de nós pode examinar as provas com atenção no momento que quiser. Isso é muito confortante. Mas nem mesmo os padres afirmam que há provas para a história de que o corpo de Maria subiu para o Céu.

A terceira má razão para acreditar em algo é revelação. Se você tivesse perguntado ao papa, em 1950, como ele sabia que o corpo de Maria tinha subido ao Céu, ele provavelmente teria dito que isso lhe fora revelado. Ele se fechou num quarto e rezou, pedindo orientação. Sozinho, ele pensou e pensou, e na sua intimidade teve mais e mais certeza de suas ideias. Quando pessoas religiosas têm uma simples sensação de que algo deve ser verdade, mesmo que não haja provas de que o seja, eles chamam sua sensação de revelação. Não só os papas afirmam ter revelações. Isso também acontece com muitas pessoas religiosas. É uma de suas principais razões para acreditar naquilo que acreditam. Mas isso é bom ou ruim?

Suponha que eu lhe dissesse que seu cachorro está morto. Você provavelmente ficaria muito triste, e talvez dissesse: Você tem certeza? Como você sabe? Como aconteceu? Suponha então que eu respondesse: Na verdade, eu não sei se Pepe está morto. Eu não tenho provas. Só tenho uma sensação esquisita, bem dentro de mim, de que ele está morto. Você ficaria muito zangada comigo por tê-la assustado, porque você sabe que uma sensação por si só não é uma boa razão para acreditar que um cachorro está morto. Você precisa de provas. Todos temos sensações e pressentimentos de tempos em tempos, e descobrimos que às vezes estavam certos, às vezes não. De qualquer forma, pessoas diferentes podem ter sensações opostas, então como decidir quem teve a intuição correta? O único jeito de ter certeza de que um cachorro está morto é vê-lo morto, ou ouvir que seu coração parou de bater, ou obter essa informação de uma pessoa que viu ou ouviu alguma prova de que ele está morto.

As pessoas às vezes dizem que devemos acreditar em sensações íntimas, senão você nunca teria certeza de coisas como: Minha esposa me ama. Mas esse é um argumento ruim. Pode haver muitas provas de que alguém ama você. Durante todo o dia em que você está com alguém que a ama, você vê e ouve pequenas provas, e elas se somam. Não é somente uma sensação interior, como a sensação que os padres chamam de revelação. Há outras coisas para apoiar a intuição: olhares, um tom carinhoso de voz, pequenos favores e gentilezas; tudo isso serve de prova.

Certas pessoas têm forte sensação de que alguém as ama sem que isso esteja baseado em provas, e então é provável que estejam completamente enganadas. Há pessoas com uma forte intuição de que um astro do cinema está apaixonado por elas, mas na realidade o astro de cinema nem sequer as encontrou. Pessoas assim são doentes da cabeça. Sensações íntimas ou intuições precisam ser apoiadas por provas, senão você simplesmente não pode confiar nelas.

As intuições são valiosas na ciência também, mas só para lhe dar ideias que você então testa, procurando provas. Um cientista pode ter um pressentimento sobre uma ideia que ele sente estar correta. Por si só, isso não é uma boa razão para acreditar nela. Mas pode ser uma razão para passar algum tempo fazendo experimentos, ou à busca de provas. Cientistas usam a intuição o tempo todo para ter ideias. Mas elas não valem nada até que sejam apoiadas por provas.

Eu prometi que voltaria à tradição, para examiná-la de outro modo. Quero explicar porque a tradição é tão importante para nós. Todos os animais são construídos (pelo processo chamado de evolução) para sobreviver no local em que seus semelhantes vivem. Leões são construídos para sobreviverem nas planícies da África. O lagostim é construído para sobreviver na água doce, enquanto as lagostas são adaptadas para a vida na água salgada. As pessoas também são animais, e somos construídos para viver bem no mundo cheio de… outras pessoas. A maioria de nós não caça para obter comida, como as lagostas ou os leões; nós a compramos de pessoas que, por sua vez, a compram de outras pessoas. Nós “nadamos” num “mar de pessoas”. Assim como um peixe precisa das brânquias para sobreviver na água, as pessoas precisam do cérebro que as torna capazes de se relacionarem umas com as outras. Assim como o mar está cheio de água salgada, o mar de pessoas está cheio de coisas difíceis de aprender. Como a linguagem.

Você fala inglês, mas sua amiga Ann-Kathrin fala alemão. Cada um de vocês fala a língua que lhes permite “nadar” no seu “mar de pessoas”. A linguagem é transmitida por tradição. Não há outra alternativa. Na Inglaterra, Pepe é dog. Na Alemanha, ele é hund. Nenhuma dessas palavras é mais correta ou verdadeira do que a outra. As duas foram transmitidas ao longo do tempo, só isso. Para serem boas em “nadar no seu mar de pessoas”, as crianças têm que aprender a língua de seu país, e muitas outras coisas sobre o seu povo; e isso só quer dizer que elas precisam absorver, como papel mata-borrão, uma enorme quantidade de informações sobre tradições (lembre que essas informações são aquelas passadas dos avós para pais e destes para filhos). O cérebro da criança tem que absorver informações sobre tradições. Não é de se esperar que a criança consiga separar a informação boa e útil, como as palavras de uma língua, das informações ruins e tolas como acreditar em bruxas, demônios e virgens imortais.

É uma pena – mas não deixa de ser assim – que, por serem sugadoras da informação sobre tradições, as crianças possam acreditar em qualquer coisa que os adultos lhes digam. Não importa se seja falso ou verdadeiro, certo ou errado. Muito do que os adultos dizem é verdadeiro e baseado em provas, ou pelo menos sensato. Mas se parte do que é dito é falso, tolo ou até malvado, não há nada para impedir as crianças de acreditarem naquilo também. E quando as crianças crescerem o que farão? Bom, é claro que contarão as histórias para a próxima geração de crianças. Então, uma vez que uma idéia se torna uma crença arraigada – mesmo que seja completamente falsa e nunca tenha havido uma razão para acreditar nela -, pode durar para sempre.

Será isso o que aconteceu com as religiões? A crença de que há um Deus ou deuses, crença no Céu, crença em que Maria nunca morreu, que Jesus nunca possuiu um pai humano, que as rezas são respondidas, que vinho se torna sangue – nenhuma dessas crenças é apoiada por boas provas. E, no entanto milhões de pessoas acreditam nelas. Talvez isso ocorre porque elas foram levadas a acreditar nessas coisas quando eram tão jovens que aceitavam qualquer coisa.

MILHÕES DE PESSOAS ACREDITAM EM COISAS DIFERENTES, porque diferentes coisas lhes foram ENSINADAS QUANDO ERAM CRIANÇAS. Coisas diferentes são ditas para crianças muçulmanas e cristãs, e ambas crescem totalmente convencidas de que estão certas e as outras erradas. Mesmo entre cristãos, católicos romanos acreditam em coisas diferentes dos anglicanos ou de pessoas como os shakers [adeptos da Igreja milênio] ou quakers, mórmons ou Holy Rolers, e todos estão plenamente convencidos de que estão certos e os outros errados. Acreditam em coisas diferentes exatamente pela mesma razão que você fala inglês e Ann-Kathrin fala alemão. Ambas as línguas são, em seu próprio país, a língua certa para se falar. Mas não pode ser verdade que religiões diferentes estão corretas em seus próprios países, pois religiões diferentes afirmam que coisas opostas são verdadeiras. Maria pode estar viva na Irlanda do Sul (um país católico) e morta na Irlanda do Norte (que é protestante).

O QUE PODEMOS FAZER SOBRE TUDO ISSO? Não é fácil para você fazer alguma coisa, porque você só tem dez anos. Mas você pode tentar o seguinte. Da próxima vez que alguém lhe disser algo que parece ser importante, pense: Será que isso é o tipo de coisa que as pessoas sabem por causa de provas? Ou será o tipo de coisa em que as pessoas acreditam só por causa de tradição, autoridade ou revelação?

E, da próxima vez que alguém lhe disser que uma coisa é verdade, por que não perguntar: Que tipo de prova há para isso? E, se ela não puder lhe dar uma boa resposta, eu espero que você pense com muito carinho antes de acreditar em qualquer palavra daquilo que foi dito”.

                                         *************************

...quando dois pontos de vista opostos são expressados com a mesma ...

Artigo acima em sua forma integral de autoria de Richard Dawkins. Grifos destacados do autor , Oiced Mocam.

                                       Obrigado Richard Dawkins !  

                         

Biografia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Richard_Dawkins

Artigo relacionado:

http://livrodeusexiste.blogspot.com.br/2010/05/capitulo-34-educando-as-criancas-sem.html

Comentário de Oiced Mocam em 26 janeiro 2013 às 11:52

Prezado Ivo e demais.

Após 10 anos de pesquisas, anteriores  a minha efetiva participação na Comunidade, onde aprendi muito mesmo com Vcs ( e continuo a cada dia).

Muito mais do que imaginava, me recolho a minha insignificância.  E já nem penso mais em publicar um livro.

Visto que temos aqui algumas sumidades que pesquisaram sobre o cristianismo e o comportamento  humano muito mais do que eu. Só me resta, e é o que faria com maior prazer, sim , apoiar uma publicação de algum dos proeminentes  Irreligiosos.

Grato pelo incentivo,  e pela referência ao meu modesto Blog, (obra póstuma para gerações vindouras)

Para descontrair no final de semana, um pouco de Humor:

http://livrodeusexiste.blogspot.com.br/2012/06/os-estilos-de-pregac...

http://livrodeusexiste.blogspot.com.br/2012/07/igreja-googleista-e-...

Comentário de Ivo S. G. Reis em 26 janeiro 2013 às 8:15

Colegas:

Comentem este post e visitem o Blog "Deuses Existem?", do nosso colaborador destacado, Oiced Mocam. Muitos de seus excelentes comentários e matérias foram retirados de lá e acho que, pela qualidade e pela assiduidade de sua participação aqui, merecem, todos os artigos, a nossa atenção. O mesmo posso dizer do colega Assis Utsch, no "Divina Magia".

Com relação ao site do Oiced, recomendo o seguinte procedimento:

  1. Selecione na lista de artigos fornecida aquele de seu interesse (use "Ctrl+c" e não inclua o número);
  2. A seguir, clique no link (final do artigo): http://livrodeusexiste.blogspot.com.br/
  3. Estando no blog, vá à caixa de pesquisa e dê um "Ctrl+V". Pronto! Você já está apto a ler o seu artigo.

Bem simples. Experimentem!

Saudações Irreligiosas!

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