Irreligiosos

Se você não sabe, aceita e não questiona, embota-se e acaba virando crente.

Espiritismo: Ciência, Pseudociência, Filosofia ou Doutrina Religiosa?

(Considerando o reacendimento das discussões sobre "espiritismo", aqui no Irreligiosos, transcrevo abaixo a matéria que publiquei no meu blog "Botequim Filosófico Virtual". Espero que seja útil aos debatedores)

EspiritismoO texto abaixo não é de minha autoria, mas resolvi publicá-lo aqui por refletir a maioria das posições que defendo, no que diz respeito à relação espiritismo x ciência x pseudociência x lógica x religião. O texto, que reputo ainda como de "autoria desconhecida" (gostaria imensamente de conhecer o autor do original para dar-lhe os parabéns e os créditos) , figura entre os melhores que já pesquisei, tanto em livro, como na internet.

Localizei-o no site Ateus.Net, onde também figura como "transcrição". É claro que, apesar do excelente embasamento e da qualidade, não esgota o assunto, que é muito vasto e controverso. Mas já nos permite divisar uma linha de pesquisa, um ponto de partida, um norte, para quem realmente se interessar em ir fundo nessas questões ainda não resolvidas, nem pela Ciência, nem pela Religião, nem pela Filosofia.

Mina opinião é a de que erra a ciência em não admitir os fenômenos espíritas; erra a religião ao tentar trazê-los para o seu campo e atribuí-los a ocorrências de "natureza divina"; e erra menos, mas também erra, a filosofia, por não ter podido chegar a um consenso, por falta de um maior número de pesquisadores sérios e interessados. Com isso, a humanidade continua a conviver com esses fenômenos, que ninguém explica convincente e irrefutavelmente, havendo apenas raras hipóteses e teorias, mas nenhuma conclusão. No meu modesto entender, estão pecando por vaidade, omissão, falta de interesse e negligência intelectual.

Entendo que a forma clássica de a Ciência avaliar e testar não pode se aplicar aos fenômenos espíritas, às coisas imateriais. Em nosso século isto precisa ser urgentemente revisto e não podemos nos conformar com toda e qualquer negação científica só porque a ciência não pode provar ou "testar em laboratório". Isto é ultrapassado. Que se diga que a existência ou inexistência de Deus não pode ser provada é até admissível; que se diga que aplicando os princípios da ciência, da lógica, da racionalidade, do positivismo lógico e da filosofia, tudo aponta em favor da inexistência de Deus, também é admissível. Mas com relação aos fenômenos espíritas isto não é verdade, porque pode-se empregar o método da investigação, que igualmente pode ser considerado válido. Manifestações espirituais podem sim, ser testadas e investigadas. Não vemos a radiação, não vemos as ondas sonoras, não vemos as partículas em suspensão no ar e, no entanto, sua existência pode ser medida e atestada. Por que não a aura, o ectoplasma, as manifestações cerebrais e a mente? Por que não a reencarnação, as EQM, as RVP e as EFP? Tudo pode ser investigado e refutado ou comprovado. Por que não se chega a um consenso? Este é o ponto a discutir.

Do que pesquisei até aqui, não tenho uma posição definitiva, mas tenho uma posição provisória, que submeto à apreciação de quem quiser contestar, considerando, como já comprovado, que a Ciência nem sempre acerta, embora haja mais acertos do que erros. Tanto isso é verdade, que se contradiz e revê suas posições, tornando verdade relativa (a verdade absoluta existe?) hoje o que não o era ontem ou vice-versa. Segue o meu ponto-de-vista provisório e relativo, de um mero pesquisador independente, sem qualquer titulação ou autoridade neste assunto. As contestações ou confirmações serão consideradas bem-vindas:

"O espiritismo não deve ser entendido como religião, podendo ser considerado, quando muito, como uma doutrina ou filosofia de vida. Por outro lado, só pode ser encarado como pseudociência, a mesma que serve de base à doutrina, porque não é verificável – por pura inércia acadêmica – pelos chamados "métodos científicos" tradicionais e ainda lhe faltam a maioria dos elementos necessários e disciplinadores para ser considerado como "ciência". Os fenômenos espíritas seriam então fenômenos naturais, de natureza biológica e/ou físico-químicas, que a Ciência ainda não soube explicar de forma inquestionável, encontrando–se, por isso mesmo, dividida e recusando-se a admitir uma posição oficial (se não sei, e não posso comprovar cientificamente, não atesto e nem afirmo. E enquanto não atesto, não é ciência)."

Resumidamente, certo ou errado, e de forma simples, é o que penso. E digo mais: a Ciência está a dever essas explicações para a humanidade, já que, por convenção universalmente aceita, de nada valem todos os estudos feitos, por melhores que sejam, sem o aval cientifico. E com todo o respeito a Allan Kardec, a quem a humanidade muito deve, mesmo ele, a despeito de sua contribuição, cometeu falhas ao misturar o que definia como "ciência espírita", com a religião. Ora, se tudo aquilo que não sabemos  tiver de ser considerado como de "origem divina" e que, portanto, não precisa ser explicado, a que isto nos levará? Meia explicação apenas sugere, mas não conclui.

Dito isto, vamos ao texto, para que nossos leitores tirem suas próprias conclusões (ou não):

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INÍCIO DO TEXTO TRANSCRITO:

Espiritismo, Ciência e Lógica

 "Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará (A Gênese)".

O tempo passou. O século XX foi pródigo em destruir paradigmas, a começar pela Física clássica. Da constatação de que ela não explicava satisfatoriamente certos fenômenos surgiram dois novos campos: a Relatividade de Einstein e a menos famosa ao grande público, mas igualmente revolucionária, Mecânica Quântica. Os elétrons, prótons e nêutrons não podem ser imaginados como pequenas coisas independentes do mundo restante. O mundo quântico nada tem a ver com essas coisas, que podem ser apalpadas. Apenas permite aos cientistas relacionar diferentes observações dos átomos entre si ou em matérias ainda menores, como procedimento para harmonizar suas observações. O átomo se converteu num simples código para um modelo matemático, não em parte da realidade. A Mecânica Quântica é aceita até hoje devido ao seu pleno êxito, não por ser intuitiva e bela. Muito pelo contrário: os paradoxos que seu sistema geraria no mundo macroscópico desafiam o senso comum e intrigaram até seus criadores. Sua modelagem probabilística acabou com o sonho de ser prever qualquer evento, desde que fossem dadas as condições iniciais. O acaso entrou definitivamente na Ciência, pelo menos no microcosmo. Muita gente não gosta disso. O próprio Einstein não gostava disso exclamou: “Deus não joga dados”. Mas parece que Ele joga, sim.

Até a Matemática que se achava acima das crises de paradigmas das demais disciplinas também teve seu choque. Os matemáticos se empenhavam na busca de um conjunto finito de axiomas do qual se pudesse deduzir toda a Matemática. O banho de água fria veio quando o Gödel demonstrou que qualquer sistema lógico é incompleto. Sempre haverá sentenças em que não se poderá decidir se são verdadeiras ou falsas e a inclusão de mais axiomas apenas retarda o surgimento dessa questão. Em suma, há verdades que nunca serão atingidas. Longe de ser desesperador, isso é bom. É sinal de que a Matemática nunca se esgotará. Podemos criar álgebras e geometrias tão malucas quanto queiram nossa imaginação; só uma coisa é exigida: coerência. A Lógica libertou-se totalmente das amarras ao mundo real.

O olhar que as ciência lançam sobre o homem também mudou. Não somos mais o produto acabado da evolução, não estamos à testa de uma fila indiana das espécies. Somos apenas um ramo de uma árvore ramificada, que é constantemente podada pela tesoura da extinção. Não somos os mais evoluídos; pois evolução não significa progresso, mas adaptação. Uma ervinha é mais autossuficiente que nós e toda nossa inteligência não é garantia de vida eterna.

As causas primárias e finais voltaram. A busca por uma “teoria final” que unifique em um só campo a Relatividade e a Mecânica Quântica prossegue. Dela se espera poder se descobrir o que levou o Universo a ser do que jeito que é e qual o seu destino.

E o Espiritismo nessas mudanças? O fosso entre as metodologias da “ciência espírita” e as demais “ciências” do mundo material foi progressivamente aumentando:

Ciência
Espiritismo

Comum novas gerações de cientistas refutarem trabalhos anteriores. Aversão a critérios de “autoridade”.
Medo de se distanciar da ortodoxia kardequiana. Culto à autoridade contido no espírito da Verdade ou Kardec. Há exceções, óbvio.

Obras de grandes mestres (Principia Mathematica, Origem das Espécies, etc.) ainda lidas como referência, fontes de valor histórico e como uma forma de adentrar no raciocínio do autor. Os estudantes, porém, usam bibliografia recente, expandida e corrigida.
Livros de Kardec ainda utilizados sem alterações, mesmo no que há de errado. Notas de rodapé corrigem alguns erros

A lógica é usada como ferramenta apenas. O raciocínio precisa estar corroborado evidências.
A lógica é utilizada como meio de prova ou refutação de hipóteses, não havendo verificação de se a natureza pensa igualmente.

O bom senso e a experiência usual nem sempre são seguidos (Relatividade e Mecânica Quântica que o digam. Idem para a “ação à distância” de Newton). Opta-se por soluções pragmáticas, ainda que esdrúxulas.
O senso comum, ao lado da lógica, é superestimado.

Há grande discussão em torno da filosofia da ciência quanto à questão da melhor metodologia para o estabelecimento de novos conhecimentos (refutabilidade, crise de paradigmas, etc.).
O conhecimento espírita ainda é majoritariamente indutivo, baseado em moldes científicos do século XIX (positivismo).

Teorias inverificáveis, mas belas, são postas de lado.
Persiste a presença de hipóteses “ad hoc” inverificáveis para sustentar pontos nebulosos da doutrina. (ex: vida “invisível” em outros planetas)

Apropriações entre ramos da ciência (malthusianismo no darwinismo, biologia na sociologia – darwinismo social, eugenia) hoje são vistas com reservas.
Apropriações correntes são feitas sem garantia de que são válidas (ação e reação, noções de mecânica quântica, etc.)

Ciências que não têm acesso direto ao seu objeto de estudo (astronomia, história, etc.) lançam mão da análise indireta dos efeitos que chegam até nós. (espectro de luz, documentos históricos).
Pede um lugar “especial” entre as ciências por não ter acesso direto ao seu objeto de estudo (espíritos).

Orações, Meditação e estados alterados de consciência são passíveis de estudo, mas isso não significa que seja verdade aquilo que seus praticantes dizem.
Verdades podem ser extraídas de “estados alterados de consciência”, vulga mediunidade. Contudo, nenhuma proposta rigorosa para a separação do joio e do trigo foi apresentada.

Não faz afirmações morais. Descobertas podem, inclusive, entrar em choque com a moral vigente.
Produz cartilhas de certo e errado. Eufemismos são usados para se alegar que “não é bem assim…”

Bem, vamos por partes. Há espíritas importantes no movimento (ex.: Carlos Imbassahy) que já atentaram para o risco de considerar Kardec infalível, um verdadeiro receio em se distanciar da obra original. Ocorrem controvérsias mesmo em questões mais simples, como nomenclaturas inapropriadas: “fluidos”, “vibrações” e “magnetismo” são palavras cujo sentido se modificou tanto a ponto de o uso que é dado a elas na codificação se encontrar totalmente defasado. Há quem proponha mudanças por conta própria, outros preferem se apegar a uma espécie de tradição ou de consagração pelo uso. É defendido que parte da “atualização” está sendo feita por meio de livros complementares, até como uma forma de não descaracterizar o espiritismo. Muito questionável devido ao fato de a primeira leitura recomendada continuar a ser o Pentateuco kardecista, e não as supostas correções e complementações. “A Origem das Espécies”, de Darwin, ainda é uma obra de referência para estudantes de biologia, nem que seja para analisar o raciocínio do autor a partir da base que tinha. Entretanto, a apresentação ao darwinismo em seu estado original é apenas introdutória e logo são apresentados ao que há de mais atualizado no campo de pesquisa. Stephen Jay Gould desenvolveu interpretações diferentes dos neodarwinistas de como se dava o processo evolutivo. Era um grande fã de Darwin! Seus ensaios são permeados por citações de seu mestre, mas Gould corria caminhos alternativos quando a interpretação convencional não era suficiente para ele. Nem por isso foi menos biólogo ou evolucionista de araque. Nem foi taxado de “gouldista”. A possibilidade de pensamentos dissidentes em um campo científico é algo que falta ao espiritismo. Tudo bem que certas correntes trazem divergências bem destoantes, como os ramatistas; mas não é isso que está em jogo: é o medo de discordar do “mestre lionês” que faz dele uma espécie de Aristóteles moderno do espiritismo.

Kardec depositava fichas demais na lógica. Ela é importante sem dúvida e tê-la é um requisito mínimo. Mas quem a estuda não demora a descobrir que ela não tem tanto poder assim como dizem. Não pode ser usada para atestar a falsidade ou verdade de um fato natural. A validade de uma proposição depende do sistema de axiomas que se tem como ponto de partida. Assim, o que é falso num sistema pode ser verdadeiro em outro. E você não sabe, a priori, quais são os axiomas que a Natureza “adota” em determinado campo, sem falar nas proposições indecidíveis que todo sistema axiomático fatalmente carrega (Teorema de Gödel). Nas palavras do filósofo da ciência, Karl Popper:

Contudo, há não muito tempo sustentava-se que a Lógica era uma Ciência que manipula os processos mentais e suas Leis — as leis do nosso pensamento. Sob esse prisma, não se podia encontrar outra justificação para a Lógica, a não ser na alegação de que não nos é dado pensar de outra maneira. Uma inferência lógica parecia justificar-se pelo fato de ser sentida como uma necessidade de pensamento, um sentimento de que somos compelidos a pensar ao longo de certas linhas. No campo da Lógica, talvez se possa dizer que essa espécie de psicologismo é, hoje, coisa do passado. Ninguém sonharia em justificar a validade de uma inferência lógica, ou defendê-la contra possíveis dúvidas, escrevendo ao lado, na margem, a seguinte sentença: “protocolo: revendo essa cadeia de inferências, no dia de hoje, experimentei forte sensação de convicção”. (A Lógica da Pesquisa Científica)

A lógica é uma ferramenta, apenas. Com ela pode-se dizer se um raciocínio foi bem encadeado e se um sistema é consistente ou não, isto é, se não se contradiz. Mesmo que passem por este teste, ainda não está garantido que a Natureza não se comporte através de outro arranjo. Os gregos antigos fizeram inúmeras especulações acerca de como o universo funcionava. A maioria, palpites errados.

Bom senso é, de certa forma, uma redundância, pois ter senso já é muito bom. Situado em algum lugar entre um raciocínio linear e a intuição, também esconde suas armadilhas. O senso comum de um povo pode diferir de outro, assim como o juízo feito em determinada época se revelar equivocado na seguinte. Esta subjetividade, aliada às sutilezas da Natureza, faz do “bom senso encarnado” um contrassenso metodológico. Um exemplo:

A diversidade das raças corrobora, igualmente, esta opinião. O clima e os costumes produzem, é certo, modificações no caráter físico; sabe-se, porém, até onde pode ir a influência dessas causas. Entretanto, o exame fisiológico demonstra haver, entre certas raças, diferenças constitucionais mais profundas do que as que o clima é capaz de determinar. O cruzamento das raças dá origem aos tipos intermediários. Ele tende a apagar os caracteres extremos, mas não os cria; apenas produz variedades. Ora, para que tenha havido cruzamento de raças, preciso era que houvesse raças distintas. Como, porém, se explicará a existência delas, atribuindo-se-lhes uma origem comum e, sobretudo, tão pouco afastada? Como se há de admitir que, em poucos séculos, alguns descendentes de Noé se tenham transformado ao ponto de produzirem a raça etíope, por exemplo? Tão pouco admissível é semelhante metamorfose, quanto à hipótese de uma origem comum para o lobo e o cordeiro, para o elefante e o pulgão, para o pássaro e o peixe. Ainda uma vez: nada pode prevalecer contra a evidência dos fatos. (LE, cap. III, item 59)

Há um acerto na questão de que a cronologia é realmente curta demais para permitir variabilidades sensíveis entre as espécies. Porém, o encadeamento lógico desanda quando generaliza para todo caso e qualquer intervalo de tempo. Kardec usou o senso que tinha, mas a verdade subjacente à origem e diversidade das espécies precisa das noções de evolução e mutações, que não são intuitivas.

Especulações à parte, o espiritismo ainda possui problemas quanto à maneira de agregar o “conhecimento” que colhe. Ainda está impregnado pelo modismo intelectual do século XIX: o positivismo. Antes que se realce as características materialistas deste sistema filosófico que pretendia reformar a sociedade e terminou por querer criar a “religião da humanidade”, deve-se lembrar que também era uma teoria da ciência, e foi essa a parte que inspirou a metodologia kardecista. Em linhas gerais, pode-se dizer que o positivismo e suas escolas derivadas (empirismo lógico, Círculo de Viena, etc.) baseavam seus critérios na verificabilidade de uma teoria. Um enunciado seria científico se pudesse ser sucessivamente confirmado empiricamente. A não-ocorrência do enunciado estabeleceria sua falsidade. De fato, a noção de “Consenso Universal dos Espíritos” nada mais é que essa busca de contínua verificação. Quanto mais médiuns ao redor do mundo dessem a mesma resposta a uma pergunta, maiores as chances de esta ser verdadeira. Mas daí vêm alguns problemas — “quantas comunicações seriam necessárias para se dizer que ‘é suficiente’?”, “o que fazer com as respostas destoantes?”, “rejeitá-las, simplesmente?”, “se pode haver influências do médium na comunicação, não se deveria espalhar os questionários por diversos locais distantes do globo — não apenas no universo europeu — para garantir que não houve influência cultural?”.

Uma maneira simples de questionar a verificabilidade seria indagar se, pelo fato de todos os cisnes de um zoológico serem brancos, todos os membros da espécie também o são. Poder-se-ia sair numa busca frenética atrás de todos os cisnes do mundo, e cada novo animal branco reforçaria a hipótese, tornando-a mais “verdadeira”, mais “provável”. Simples engano, pois bastaria um único exemplar de cor diferente para derrubar a teoria. Infelizmente, o suposto caçador de cisnes brancos se desiludiria ao percorrer a Austrália, onde cisnes negros foram encontrados pela primeira vez…

Esta forma indutiva de fazer ciência recebeu dura crítica do filósofo da ciência Karl Popper que, divergindo dos neopositivistas dos quais fazia parte, propôs a falseabilidade (ou refutabilidade empírica) como novo critério para a demarcação da cientificidade de um enunciado. O que distingue uma ciência da pseudociência é a capacidade de a primeira ser refutada com base na experiência. Uma teoria é válida quando resiste à refutação, podendo, então, ser confirmada. Esta mudança de postura foi imensa e a atividade científica passou a buscar não a confirmação de suas próprias teorias, mas justamente o contrário: derrubá-las. Afinal, quem merece mais crédito: um cidadão que testou mil vezes os postulados da mecânica clássica ou um que lhes determinou um limite de validade? Lembra de Einstein?

Nessa parte, os continuadores de Kardec deixam a desejar. Há um receio, ou talvez temor, em se arrumar uma maneira de pôr à prova o que está escrito no Pentateuco. Enfoca-se mais a parte filosófica-doutrinária, que se mantém quase sem arranhões justamente por não ser passível de refutação, e se subestima os erros e equívocos que se revelam por serem minoria dentro do corpo doutrinário. Mas são estes “acessórios falhos” que englobam aquilo a que nós, seres materiais, podemos ter acesso e verificar por conta própria. São eles que lançam dúvidas sobre as partes referentes ao “lado de lá”. Por isso, penso que o pior lugar para se discutir o espiritismo é dentro de um centro espírita; o mesmo vale para debates dentro de igrejas, partidos políticos e times de futebol. Nesses locais sempre se busca um consenso, nem que seja à força. Embates que gerem novas ideias aparecem mais quando antagonistas se chocam. É irônico dizer isto, mas os detratores do espiritismo, desde os cristãos radicais até os materialistas (e muitos me incluiriam neste bojo, também), lhe prestam um grande favor. São eles que, por vias tortas, desempenham um papel que deveria ser dos próprios espíritas. “Ciência também erra”, diriam os críticos. Concordo, os cientistas erram e uns vão atrás dos erros dos outros, pois sabem que neles está a mola propulsora para o progresso. Uma atitude perante o erro melhor que uma postura defensiva.

Há críticas, porém, à aplicação da refutabilidade a ferro e fogo. Popper mesmo admitiu a possibilidade de se utilizar hipóteses auxiliares específicas para se contornar uma dificuldade prática (ad hocs). Um exemplo tradicional ocorreu na astronomia do século XIX: as observações da órbita do planeta Urano não batiam com o previsto pela teoria da gravidade de Newton. Cogitou-se que a presença de um outro planeta ainda não descoberto estaria interferindo em sua órbita e até se previu sua possível posição. Assim, Netuno foi descoberto e a confiança na Gravitação Universal restaurada. Baseado nesta e outras avaliações históricas, Thomas Kuhn postulou que boa parte do tempo é gasta pelos pesquisadores na avaliação das previsões de teorias e na reconciliação dos dados discrepantes. Somente quando a quantidade de remendos chegasse a um nível crítico, ocorreria a crise de paradigmas, na qual pressupostos antigos são postos em cheque e novos são criados. Voltando às órbitas planetárias, pela mesma época da descoberta de Netuno, tentou-se justificar as irregularidades na órbita de Mercúrio pela presença de um planeta entre ele e o Sol, que foi chamado Vulcano. Ninguém conseguiu encontrá-lo e o incômodo só foi resolvido com a introdução da Relatividade Geral de Einstein, uma nova teoria de gravitação que deu uma explicação satisfatória para este e outros fenômenos.

O problema da obra de Kuhn é que não há uma definição precisa para “paradigma” (o cerne de seu trabalho) e ele mesmo admitiu que perdeu controle do uso do termo. Mesmo questionando Popper, de forma alguma defende o retorno ao indutivismo lógico dos neopositivistas. E, afinal, seria possível reconciliar o espiritismo com o que diz a ciência por meio de hipóteses auxiliares?

Bem, vale lembrar que há critérios no uso de ad hocs. Eles também têm de ser passíveis de corroboração. Um caso emblemático ocorreu com Galileu, quando verificou em sua luneta que a superfície da Lua era irregular e cheia de crateras e montanhas. Isto contrariava as ideias de Aristóteles, ainda vigentes na época, segundo as quais a Lua seria perfeitamente esférica e lisa. Os neo-aristotelistas partiram em defesa do antigo mestre e disseram que o espaço entre as montanhas estava preenchido por uma substância invisível, que não podia ser detectável aqui da Terra. Com isso garantiam que qualquer chance de refutação seria impossível. Galileu, muito inteligentemente, endossou a presença de tal misteriosa substância, porém com uma diferença: ela se acumularia no topo das montanhas, tornando a superfície do satélite ainda mais irregular. Os seguidores de Aristóteles que provassem que estava errado! Ele mostrou que suposições ad hoc são capazes de provar quaisquer hipóteses, até as opostas. Este tipo de argumento pode ter até senso, mas pouco valor se não houver nenhuma maneira de testá-lo. Do contrário, haveria um verdadeiro jogo de desonestidade intelectual: se der cara eu ganho, coroa você perde.

Aí reside o erro de boa parte das defesas argumentativas do espiritismo: no abuso de ad hocs fracos. Podem até dar uma aparente capa de racionalidade, mas estão próximos demais de um comportamento pseudocientífico ou, no mínimo, de má-ciência. Um dos mais problemáticos consiste na justificativa dada para explicar a ausência, até o presente momento, de vida inteligente em outros planetas deste sistema solar, mesmo após a investigação de sondas espaciais: os habitantes desses mundos seriam feitos de uma matéria “sutil” e invisível aos nossos instrumentos. Não sei se há alguém brincando de esconde-esconde com os robozinhos que pousaram em Marte, se estes aterrissaram em cima de desertos, ou a civilização marciana se encontra no subsolo. Enquanto nossos vizinhos não mostrarem a cara, essa afirmação continuará digna de estar sobre o mesmo pedestal de outras pérolas do tipo: “a Terra tem apenas 6.000 anos, mas foi feita para parecer que tem 4,5 bilhões” ou “objetos inanimados possuem sentimentos, embora não sejam capazes de expressá-los”.

Outras afirmações especiais são um pouco mais sutis, dentro do cerne da metodologia. Informações disparatadas são desculpadas não como fruto de uma comunicação espiritual, mas do “psiquismo” do médium que colocaria ideias próprias como sendo de “outrem”. Kardec, supostamente, não soube separar uma coisa de outras. Tal alegação apenas resolve os problemas das comunicações presentes e futuras, mas nada pode dizer quanto às que foram feitas no século XIX. Como se sabe onde houve contaminação da mente do médium ou não? Parodiando Galileu, digo que as afirmações até agora não-refutadas foram feitas por cérebros encarnados, ao passo os erros pertencem apenas ao mundo espiritual. Provem que estou errado!

A separação do joio do trigo nas comunicações, por sinal, ainda depende de uma metodologia precária, que remonta a Kardec. Pode ser que se estude os efeitos de “estados alterados de consciência” do cérebro com o mesmo aparato tecnológico usado para se verificar os efeitos da oração ou meditação. Agora, o que se extrairá disso só o futuro dirá. Dizer que alguém está tendo acesso a uma verdade superior só de olhar uma tomografia pode ser ambicioso demais no momento. Os critérios adotados são indiretos e foram assim catalogados por Herculano Pires em quatro pontos principais:

  1. Escolha de colaboradores mediúnicos insuspeitos, tanto do ponto de vista moral quanto da pureza das faculdades e da assistência espiritual;
  2. Análise rigorosa das comunicações, do ponto de vista lógico, bem como do seu confronto com as verdades científicas demonstradas, pondo-se de lado tudo aquilo que não possa ser justificado;
  3. Controle dos Espíritos comunicantes, através da coerência de suas comunicações e do teor de sua linguagem;
  4. Consenso universal, ou seja, concordância de várias comunicações, dadas por médiuns diferentes, ao mesmo tempo e em vários lugares, sobre o mesmo assunto.

Acontece que:

  1. Há um elevado grau de subjetividade aqui. Não há técnicas confiáveis para avaliar tais atributos em encarnados, que dirá da “assistência espiritual”.
  2. Já foram ditas as deficiências da lógica em garantir se algo é verdadeiro ou não. Quanto a limitar o crédito apenas às mensagens que corroborem o conhecimento vigente, está se perdendo uma bela oportunidade de se colocar comunicações sob teste. Se um conjunto de relatos em meados do século XIX que fizesse menção aos paradoxos quânticos e relativísticos ou rejeitasse as teorias de superioridade racial fosse rejeitado segundo esse critério, uma oportunidade teria ido embora. Preferiu-se ficar à sombra do que já era conhecido como uma forma de provar uma mensagem, quando o mais interessante seria um conteúdo ainda desconhecido para justamente pô-la à prova algum dia. Uma crítica muito frequente é a falta de descobertas científicas através de mediunidade. Nenhuma cura de doença, dedução de um teorema difícil, sítio arqueológico relatado ou mesmo uma literatura digna de prêmio Nobel. Para isso existe mais um ad hoc: Os espíritos não trazem nenhum conhecimento pronto porque isso tira o nosso mérito em progredir pelo próprio esforço. Espere aí, não tire o corpo fora. Ninguém falou em seres astrais superprotetores transformando a humanidade encarnada em um bando de indolentes. Pede-se apenas que algumas joias sejam oferecidas para que se tornem “evidências extraordinárias para alegações extraordinárias”. E é bom que se diga que, ao relatar civilizações extraterrenas, expor teorias da Lua, defender abiogênese e afirmar que a medicina espiritual curaria doenças letais da época, se trouxe, sim, informações que deveríamos descobrir por nós mesmos; portanto, essa desculpa é muito furada.
  3. Se falar bonito fosse sinal de idoneidade, então os 171 da vida seriam os melhores mentores da humanidade. Esse critério é por demais ingênuo. Farsantes deste (e quem sabe do outro) mundo usam palavreado florido e conceitos científicos pouco conhecidos do grande público como uma forma de dar pretensa autoridade. Magnetismo e mecânica quântica, então… isso me faz pensar se algum desse sábios espirituais seria ao menos capaz de resolver uma equação diferencial que se preze.
  4. O “consenso universal”, além do problema de ser indutivista, se mostra cada vez mais regional. Diferenças já apareciam no século XIX (espiritismo inglês, roustaignismo e até em diferenças entre a primeira e segunda edição do LE). Isso aumentou no século XX com novos grupos Nova Era e espiritualistas (não-kardecistas) com suas doutrinas e interpretações próprias. Uma resposta dada a isso foi que estes relatos divergentes não são dados por espíritos que fizeram parte da original “Falange do Espírito da Verdade” (relativa), que auxiliou Kardec. Entretanto, é difícil definir — se é que isso não seria arbitrário — quem pertence a esta casta de “autorizados” ou não. As obras de Edgar Armond e Pietro Ubaldi, por exemplo, são controversas ainda, existindo quem os considere como continuadores e complementares à codificação, e aqueles que toleram estes autores apenas como fundadores de outras vertentes espiritualistas. Só para citar, em um exemplar da revista Visão Espírita (ano 2, número 20, pág. 20, Editora Seda) se encontra um anúncio dos livros de Ubaldi. Como diz o velho ditado: “filho feio não tem pai”.

Alguém pode estar pensando que toda a preleção feita acima se refere apenas às ciências experimentais, não tendo nenhuma relação com outros campos. De que maneira poderia um astrônomo analisar astros tão distantes, um paleontólogo tratar como ratinho de laboratório um animal morto a milhões de anos e um historiador voltar no tempo para assistir a uma importante batalha. Elas não estão sujeitas aos testes popperrianos de refutação.

Nada mais falso! Campos de estudo que se valem de análises indiretas podem (e devem), sim, ter suas teorias postas em xeque. Um astrônomo pode cogitar sobre os elementos que compõem uma estrela e verificar se está certo analisando o espectro de luz emitido por ela. A teoria da evolução pode ser refutada se se descobrir um ser vivo cuja origem não pode ser explicada ou se se encontrar um fóssil de humano moderno ao lado do de um dinossauro; tudo que se imaginava acerca de um evento histórico pode sofrer uma reviravolta com a revelação de um novo documento apresentando nova versão dos fatos. Ciências não-experimentais baseiam-se no controle criterioso de seus dados, na dúvida sistemática, na aplicação de dedução, eliminação de preconceitos baseados na autoridade ou no bom senso, na busca de contraprovas que possam ser previstas a partir das hipóteses formuladas. Em suma, tudo que já foi exposto acima e o espiritismo deixa a desejar. O fato de espíritos (se existirem) não serem acessíveis diretamente não dá ao espiritismo o direito de ter um tratamento especial.

Uma questão ainda pendente é a da “ciência com consequências morais”. Mesmo que o espiritismo fosse ciência, seria muito arriscado fazer juízos morais baseados em noções científicas. Nas palavras de Stephen J. Gould:

(…) a descoberta potencial pelos antropólogos de que o assassinato, o infanticídio, o genocídio e a xenofobia podem ter caracterizado muitas sociedades humanas, podem ter prosperado em muitas sociedades humanas e podem até ser benéficos para a adaptação a determinados contextos não oferece nenhum apoio à pressuposição moral de que devemos nos comportar dessa maneira. (Extraído de Pilares do Tempo, parte 2, Definição e defesa dos ministérios não interferentes).

Certo que o espiritismo não chega a propor as coisas do exemplo de Gould, mas há as conclusões quanto ao transplante de órgãos citadas na parte “Restauração de Dogmas”. Foram afirmações de cunho moral muito duvidoso, tanto que nem são (creio eu com minha experiência humilde no meio) aceitas pela maioria dos espíritas. Ficam como amostras do tipo de equívoco que pode acontecer.

Há um último comentário a ser feito que não se encontra na tabela do começo do tópico. Os espíritas se colocam fora do conjunto das demais religiões tradicionais por possuírem postulados, ao contrário das demais crenças cristãs que se baseiam em dogmas. Bem, até que ponto isso é verdade dependerá da maneira como se der nome aos bois.

Dogmas e postulados partilham entre si a qualidade de serem aceitos sem demonstração. Não vale a regra de que dogmas seriam os mistérios da fé mais esdrúxulos, ao passo que postulados seguiriam mais a intuição. Ambos podem ser pontos de partida para raciocínios lógicos, ainda que de conclusões duvidosas.

As definições são dogmas; somente as conclusões retiradas delas podem proporcionar-nos nova perspectiva. K.Menger, citado por Popper.

Então qual a diferença? A principal distinção se dá através do uso de cada um. Campos de estudo continuam existindo mesmo após uma profunda revisão de seus princípios. Por isso a física conseguiu fazer a mudança de seus paradigmas no começo do século XX, a biologia continuou existindo após descrença do “princípio vital” como motor da vida e a geometria alargou seus horizontes para muito além de Euclides. Já uma doutrina, não. O catolicismo sofreria um baque sem a virgindade de Maria antes e após o parto; o protestantismo, não. Ambas rejeitariam com veemência a descoberta de um hipotético cadáver de Cristo, comprovando que não ressuscitou, nem ascendeu aos céus. Elas perderiam a razão de ser sem este dogma.

Bem, você pode pensar que o espiritismo está livre desta porque a única maneira de refutá-lo é provar que a mente não sobrevive à morte do corpo, não é? Não, não é. Isso valeria para o espiritualismo no sentido mais amplo da palavra. O espiritismo tem uma quantidade maior de pressupostos, o que torna-o mais frágil. Uma prova da sobrevivência da mente ao fim do corpo apenas prova isto: a vida após a morte; não garante nada a respeito da existência de um deus ou regras de “ação e reação” (karma). Deuses podem muito bem continuar não existindo ou não dando a mínima para o que fazemos e até serem imperfeitos, que a vida após a morte não seria um contrassenso. O budismo theravada vive muito bem sem um deus. A reencarnação pode ser um fato, como muitos se esmeram em provar, mas tem mesmo de ser do jeito que Kardec diz? Poderia se dar por um processo aleatório, independente de um karma; mais de uma essência (ou alma) poderia se reunir em uma, ou então uma mesma essência se dividir em corpos distintos, possibilidade também aceita por vertentes budistas; novas almas poderiam ser geradas junto com o feto, sem nenhum karma passado. Deus, reencarnação, espíritos, karma: espíritas acham que esses conceitos formam um bloco monolítico e que a existência de um depende da dos outros, o que não é verdade. Há mais pressupostos que não foram ditos, mas apenas com esses eu pergunto: pode o espiritismo mudar ou até excluir algum deles sem ter que mudar de nome? Se a resposta for um estrondoso sim, quem sabe exista ainda um modo de mudar a atitude dos espíritas e dar-lhes mais rigor. Se a resposta possuir alguma espécie de “se”, então estamos diante de uma religião ou, com boa vontade, uma filosofia, nunca uma ciência. O espiritismo possui inspiração racionalista, mas isso não basta para fazer dele um campo de pesquisa.

((((((((((((((((((( FIM DO TEXTO TRANSCRITO ))))))))))))))))))))

————————————————————————————————————————————–

Notas explicativas para entender o texto: 1 - A Gênese: Um dos 5 livros de Allan Kardec, considerado "o pai do espiritismo"; 2- Karl Popper (28/07/1902-17/09/1994): Filósofo austríaco, naturalizado britânico, defensor do método do racionalismo crítico, considerado como o filósofo da ciência, por ter tentado sistematizá-la. Afirmou que em Ciência toda verdade é provisória, só sendo válida até ser contestada pela "falseabilidade". Para K. Popper, científico e verdadeiro é somente aquilo que foi investigado, testado e não refutado, bastando uma única ocorrência contrária para não ser considerado válido. Devido ao rigor dos seus métodos, apenas uma minoria da comunidade científica os apoiam; 3 - Budismo: religião sem deuses (por alguns considerado seita espiritual); 4 - Mecânica Quântica : ramo da física quântica que estuda os átomos, moléculas, prótons, elétrons e partículas subatômicas, observando sua composição e comportamento no mundo invisível ao olho humano e no ambiente em que se encontram.

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Comentário de Ivan C. Santos em 4 outubro 2013 às 12:02

Eu gostaria de saber se todos os pregadores do ceticismo aqui do Irreligiosos já fizeram exame de DNA para terem a convicção de que são filhos biológicos de seus próprios pais! Ou, 'simplesmente' acreditam? Ou será que têm dúvidas quanto a isso mas preferem permanecer neste estado?

Porque aqueles que ainda não o fizeram, devem fazê-lo; do contrário, está na hora de reverem seus próprios conceitos.

Abs.

Comentário de Gilberto Vieira de Sousa em 4 outubro 2013 às 2:36

Quanto a imortalidade da alma, todas as doutrinas religiosas concordam.

Quanto a inúmeras encarnações a fim de se purificar esta alma, apenas o espiritismo, religiões afro e religiões orientais acreditam.

Quanto ao fato de ao se morrer tudo acabar, até onde pude perceber, mesmo entre os céticos, há quem tenha dúvidas.

Para se afirmar a inexistência, tem que se esgotar todas as possibilidades de prova, como que para afirmar a existência, tem que se provar.

Neste campo do espírito/alma prefiro o benefício da dúvida.

Comentário de Ivo S. G. Reis em 4 outubro 2013 às 1:37

Assis e Oiced (Hideo não, porque parece que temos pontos de vista semelhantes):

Sobre esse assunto, acho que todo o cuidado é pouco: nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Existem sim alguns fenômenos comprovados que a ciência e nem mesmo os espíritas sabem explicar. Para mim, não passam de fenômenos do mundo natural ainda desconhecido pelo homem e pela ciência e querer atribuir a eles conotações religiosas é um erro gravíssimo que não difere muito daqueles cometidos por outras religiões, diante do que não pode ser explicado. "Não pode ser explicado? Então foi Deus!"".

Mas daí a chegar-se a conclusões apressadas e radicais como as de Michael Shermer, um cético brilhante, mas exageradamente radical, vai um longo caminho. De fato, em seus dois livros "Cérebro e Crença" e "Por que as pessoas acreditam em coisas estranhas?", ele aborda brilhantemente seus argumentos tendentes a demonstrar que o cérebro humano foi programado para crer e que para duvidar ou não crer é exigido um certo esforço que a maioria das pessoas se abstém de fazer. Por isso, ou seja, por um certo comodismo ou preguiça, preferem permanecer crendo. Faz bastante sentido. Mas Shermer, depois de ser aclamado pela crítica, está enveredando por um caminho perigoso de radicalismo, ao qual eu particularmente tenho séria restrições. Veja, aqui no Irreligiosos, minha matéria "Michael Shermer, irreligioso e cético... exageradamente cético? (clique aqui para acessar).

Veja no parágrafo destacado abaixo e pertencente à matéria, um dos principais motivos da minha discordância com o seu radicalismo (está parecendo com o Alfredo):

[...]Shermer chega ao cúmulo dizer que os fenômenos "psi" são alucinações cerebrais explicáveis, de negar enfaticamente a existência de UFOs e de dizer que os crop circles (círculos ingleses ou agroglifos) são farsas produzidas por seres humanos, muito embora nem a própria ciência tenha assumido tal posição. Para alguns destes casos, principalmente os "crop circles", a ciência simplesmente diz "não sei, isto ainda carece de maiores estudos". Como pode Michael Shermer estar à frente da ciência?

Isto não é citação de nenhum site, são conclusões minhas, após ler o primeiro dos livros, consultar seu site, sua biografia, suas palestras, suas entrevistas a revistas brasileiras, e seus vídeos. Posso estar errado em minha crítica? Claro que posso, mas gostaria muito que alguma pessoa me oferecesse argumentos razoáveis para mudar de opinião, do contrário, tudo que ler dele vou ler com um pé atrás. O cara nega os UFOs e os "crop circles" com a maior sem-cerimônia, não justifica os porquês e parece estar baseado apenas na sua autoridade de autor respeitado e agora famoso. Acho que é pouco. É preciso apresentar argumentos convincentes e, para esses assuntos (não os dos temas dos seus livros) ele não o fez. Com a palavra, vocês.

Saudações Irreligiosas!

Comentário de Oiced Mocam em 4 outubro 2013 às 0:31

Espiritísmo, os mortos se comunicam ? O Espiritismo surgiu na França. É uma religião que nasceu com Allan Kardec, o primeiro indivíduo a codificar a doutrina dos espíritos em “O livro dos Espíritos” (1857), segundo a qual todas as pessoas são espíritos e todos eles são imortais. A alma do ser humano reencarna tantas vezes quantas forem necessárias para que, devido as boas ações, ela se purifique. Retornariam ao mundo físico sempre que necessário, em sucessivas encarnações, até tornarem-se puros como Jesus da fé. Quando atinge o patamar mais alto, torna-se um espírito puro, livre de imperfeições, e não mais retorna ao corpo físico. Os espíritas também acreditam na possibilidade de comunicação entre mortos e vivos por meio de um médiun. Acreditam que qualquer pessoa com algum treino (bem nesse caso, estou fora, pois não consigo nem entortar uma colher, o máximo que consigo é meditar pela paz no mundo), pode se comunicar com os mortos, receber conselhos e orientações daqueles que já superaram os constrangimentos da existência corpórea.
O Espiritismo conforta seus seguidores porque oferece explicações para as mazelas da vida e coloca o sofrimento como uma forma de purificação da “alma” e promete um mundo melhor além-túmulo principalmente com a existência de outras vidas, quantas forem necessárias para tirar manchas da “alma”. Afirmam que o tratamento traz benefícios psicológicos para os doentes que agem como apoio sobre as doenças. Essa é uma prática que já vem dos primórdios da civilização, do hinduísmo primitivo (vedismo e bramanismo).
Assim por Espiritismo, muitos entendem hoje as várias doutrinas religiosas e ou filosóficas que crêem na sobrevivência do espírito à morte do corpo, e principalmente, na possibilidade de se comunicar ordinariamente com ele.

É possível que a existência humana, tão complexa e rica, se dissolva quando o coração e o cérebro param de funcionar?

Como uma resposta prática para essa questão crucial e a promessa de comunicação direta com os mortos, o Espiritismo tornou-se a segunda opção religiosa de brasileiros que se recusam a acreditar que a vida pára após a morte. Todas as religiões, sem exceção, enxergam na morte o início de outro tipo de existência, que começaria pela sobrevivência de uma parte da essência humana, chama-se ela de “alma”, espírito ou qualquer outro nome. A alma passaria por sucessivas encarnações até atingir a perfeição. O destino da alma é vagar entre os vivos até voltar em um novo corpo e retorna tantas vezes for necessário para por meio de boas ações, até atingir o estágio superior e pode renascer em outro planeta.
A crença na vida após a morte é quase universal e os adeptos e praticantes não apenas crêem na eternidade da alma, mas dão como certo que a reencarnação e a comunicação com os mortos são possíveis. A doutrina da igreja católica não concebe a comunicação direta entre mortos e vivos, pelos menos não entre mortais comuns e mortos, idem. Já a, comunicação entre “santos” e mortais é admitida pela doutrina católica, mas apenas quando ocorre um “milagre”, coisa não muito rara como se sabe. As religiões cristãs proíbem os seus fiéis de assistir a sessões mediúnicas realizadas ou não com auxílio de médiuns espíritas, posição essa não seguida por grande parte dos fiéis de outras crenças. As comunidades religiosas são tolerantes e procuram manter uma atitude de respeito, por reconhecerem o trabalho social de caridade desenvolvido por eles. Às vezes participam de cultos ecumênicos. Conforme Assis Utsch,
“é claro que ele prega a caridade, a solidariedade, a piedade, etc. Mas este é exatamente o recurso que todas as religiões usam para aliciar mais seguidores, justamente, aqueles mais vulneráveis; é a situação que mais favorece as crenças”.

Durante o século XIX houve uma grande onda de manifestações mediúnicas nos Estados Unidos e na Europa. Essas consistiam principalmente de ruídos estranhos, pancadas em móveis e objetos que se moviam ou flutuavam sem nenhuma causa aparente. O cientista e pedagogo, cético até então, Hippolyte Léon Denizard Rivail, que mais tarde adotou o pseudônimo de Allan Kardec, pesquisou por vários anos a respeito de manifestações espirituais. Chegou a afirmar:

“Eu crerei quando vir e quando conseguirem provar-me que uma mesa dispões de cérebro e nervos, e que pode se tornar sonâmbula; até que isso se dê, dêem-me a permissão de não enxergar nisso mais que um conto para dormir em pé”.

Posteriormente foi investigar os casos das mesas girantes e se viu convencido a crer nos fatos (sem a necessidade de provar-se que uma mesa tinha cérebro e nervos, já que não eram necessários tê-los para que a mesa se movesse). Utilizando se de uma série de relatos de espíritos que foram psicografados por médiuns da época, publicou o Livro dos Espíritos.

A maior parte dos espíritas entende que o Espiritismo como Doutrina, é um só, aquele que foi codificado por Allan Kardec, o que tornaria redundante o uso do termo espiritismo kardecista. O espírita que julga seguir estritamente aqueles ensinamentos codificados por Kardec nas obras básicas, sem a interferência de qualquer outra linha de pensamento que não tenha sido a codificada, ou ao menos prevista pelo mesmo, denomina-se simplesmente espírita, sem o complemento “kardecista”. Alegam que o Espiritismo, em sua essência, não se ligaria à nenhuma figura única de um homem, como ocorre com o cristianismo e o budismo e a uma coletividade de espíritos que manifestavam através de diversos médiuns.

O Espiritismo de modo geral, fundamenta-se nos seguintes pontos:

O homem é um espírito temporariamente ligado a um corpo, é parte menos nobre e só adquire valor na medida em que possibilitar ao espírito uma relação com o mundo exterior, tendo o Perispírito que é semimaterial, invisível, como intermediário entre a alma e o corpo, que possibilita e explica as aparições nas sessões espíritas.
A Alma ou espírito, uma criação divina a princípio inteligível, no qual residem o pensamento, a vontade e o senso moral; a alma é portadora do livre arbítrio, ou seja, da capacidade de escolher quais atos executar; os atos bons privilegiam a caridade e os maus a materialidade, isto é, estabelecem a diferença entre os espíritos, revelada nos seus diferentes graus de adiantamento.
O Espírito, atinge um certo de grau de adiantamento é que está livre de toda influência corporal. Compreendido como individualidade inteligente da Criação, é imortal;
A Reencarnação é o processo natural de aperfeiçoamento dos espíritos; os espíritos encarnados (“vivos”) e os espíritos desencarnados (“mortos”) podem se comunicar entre si através da mediunidade e conforme seu grau de adiantamento da evolução. Pluralidade dos Mundos Habitados - A Terra não é o único planeta com vida inteligente. O mundo é concebido em dois planos: o material, onde habitam os homens vivos, ou almas encarnadas (aqueles em que o perispírito está presente unindo corpo e espírito) e o espiritual, onde habitam os mortos, ou espíritos desencarnados.
Lei de Causa e Efeito, ligada à reencarnação - essa lei define que recebemos na medida do que damos (bom e mau) em existências passadas ou nesta existência.

Embora não onisciente nem infalível, a Ciência é o melhor método por enquanto para se aproximarem da “verdade” quanto à reencarnação. Como ciência experimental o Espiritismo tem relações com a pesquisa e com várias tecnologias de experimentação. Como ciência da observação, prescinde da utilização adequada do ferramental disponível em outras disciplinas. O Espiritismo, como um só, tem por princípio as relações do mundo material com os espíritos.

O Deus do Espiritismo brasileiro se chama Xico Xavier (1910-2002). De origem humilde, instrução primária, se tornou uma celebridade nacional, que psicografou mais de 400 livros e vendeu mais de 30 milhões de exemplares. Seu centro espírita recebia caravanas intermináveis de crentes em busca de curas e contatos com os mortos. Sua filosofia era explicar as desgraças e sofrimento dessa vida, propagar a caridade, humanizar o Espiritismo. Tudo isso deu a ele respeitabilidade e reconhecimento internacional. No país estima-se que existam dez mil centros espíritas relacionados a Alan Kardec, que também já venderam mais de vinte e cinco milhões de livros escritos por Kardec o qual psicografou milhares de cartas (a maioria de filhos mortos para pais, onde o espírito escreve com alegria, emoção, para apaziguar o coração da mãe, do pai).
O termo “cirurgia espiritual” é associado a uma prática onde uma suposta entidade espiritual, com ou sem incorporação num médium hospedeiro, e sem cortes (ou com), executariam cirurgias buscando a reabilitação do enfermo. Essa prática foi muito utilizada recentemente no país, apesar do espiritismo não negar a sua eficácia, a prática de cirurgias espíritas por intermédio de médiuns, não é abordada na Codificação espírita. As leis do país não permitem tal prática.

A formação de comunicação com os mortos de acordo com médiuns e pesquisadores:
Incorporação:
Médiuns recebem o espírito e repassam mensagens verbais, muitas vezes com a voz, entonação e vulto do morto.
Transcomunicação:
Uma forma de comunicação com os mortos por meio de aparelhos eletrônicos. É possível gravar e filmar, mesmo simultaneamente, conversas com “desencarnados”.
Materialização:A pessoa reaparece com o corpo e a voz que tinha. Consta que o fenômeno ocorre em sessões realizadas em centros espíritas.
Escrita:
Cartas e mensagens são psicografadas por médiuns. Psicografar é o ato de escrever um texto no exato momento em que se recebe a mensagem do espírito.

Para entender as expressões usadas, quando os espíritos se comunicam:
Médium: Pessoa que serve de intermediária entre os espíritos e os homens.
Psicofonia: Comunicação dos espíritos por intermédio da voz do médium.
Aparição: Um espírito que se torna visível e, em certos casos, tangível
Telepatia: Fenômeno produzido com a colaboração de entidades desencarnadas, com transmissão de pensamento em estado puro, de mente a mente, sem a necessidade de palavras para traduzí-lo.
Tiptologia: Linguagem de sinais por meio de pancadas. Modo de comunicação dos espíritos.
Telecinesia: Transporte de objetos sem contato do médium, não importando a distância.
Psicografia: Captação da escrita desenvolvida por um espírito desencarnado, um médium.
Transcomunicação Instrumental (TCI): Uso de aparelho eletrônicos para falar com os mortos sem a intermediação de um médium.
Terapia de Vidas Passadas (TVP):
Não é terapêutica espírita, mas uma terapia que encontra na reencarnação a causa, em vidas anteriores, de problemas psicológicos.

“Em O Livro dos Espíritos, no Livro Segundo, dedicado especialmente aos Espíritos, Allan Kardec diz que a criação desses seres é contínua, que “Deus não cessou jamais de criar” esses entes. (p.56). E o espírito tem uma capa: “o espírito propriamente dito está revestido de um envoltório”. E “passando de um mundo para outro, o espírito troca seu envoltório, como mudais de roupa”; “podendo [o espírito] tomar forma visível e mesmo palpável”. (p.57-58-59) Diz ainda que o espírito é a “alma antes de se unir ao corpo” e a alma é “um espírito encarnado”; que existe uma outra coisa semimaterial, “o laço que une a alma ao corpo”; que “antes do nascimento não há ainda união definitiva entre a alma e o corpo”; (p.71-72) que “há espíritos ainda com limitações que não entendem as coisas abstratas”; (p.74) que “Ela [a alma] tem ainda um fluido que lhe é próprio, tomado da atmosfera de seu planeta e que representa a aparência de sua última encarnação: seu perispírito”; que a alma após a morte leva “a lembrança e o desejo de ir para um mundo melhor”. (p.77) Ou seja, a alma abriga faculdades – a memória e o desejo – coisas que só podem existir por ação de fatores biológicos”. Conforme ainda os céticos, racionalistas e ainda o pesquisador e escritor Assis Utsch:
“Entre todas essas bizarrices, difícil saber qual é a mais absurda”.
O autor de O Mistério da Consciência (John R. Searle) :
"Se o mundo sobrenatural existisse, ele seria parte do mundo natural".
O filósofo Epicuro, dizia. – “A terra em que vivemos está alugada a nós por algum tempo e quando chega o momento de nossa partida, somos desapropriados, sem aviso prévio. Mas, se não podemos vencer a morte, vençamos pelo menos o medo da morte. Não lastimemos a brevidade da vida humana. É preferível gozá-la. Não há consciência depois da morte, não há sofrimento, nem castigo no inferno pelas faltas que tenhamos cometido durante nossa estadia neste mundo. A branca mão da morte embala-nos num sono doce, desprovido de sonhos. A morte é o carcereiro amigo que assina os documentos da nossa saída do manicômio deste mundo. É o médico bondoso que nos cura da mais terrível de todas as moléstias – a vida. É preciso pois, vencer o receio da morte e concentrar nossa atenção em todas as venturas que pudermos obter da vida”.

Ӄ mais importante saber com quem vamos comer,
do que o que vamos comer”

Era um cultivador de amizades. Acreditava que o único meio de ser feliz era compartilhar a amizade com outros, não porque isso fosse nobre, mas por que era conveniente.

“Não é possível, viver agradavelmente e a não ser com
juízo, eqüidade e justiça.”

O sentimento da verdadeira amizade é a única dádiva segura que possuímos neste mundo de valor duvidoso. Se os sofrimentos da vida, podem reconciliar-nos com a morte, as alegrias da amizade podem reconciliar-nos com a vida. Epicuro , ainda nós deixou esta reflexão.

“Limitemos nossos desejos. Estejamos satisfeitos com a nossa sorte. Se não podemos realizar nossas ambições, podemos ao menos, reduzi-las ao nível de nossa capacidade”.

Epicuro era pessoalmente o mais simples dos mortais.

No entendimento popular para os espíritas (médiuns) o telefone toca de lá para cá às vezes em hipnose e transe. Os cristãos telefonam daqui para lá e realizam suas conexões espirituais com Ele.

Enquanto isso, o ilusionista James Randi, ofereceu US$ 1 milhão a quem provar que fenômenos sobrenaturais existem.

Muçulmanos oram repetindo qualidades divinas, budistas acrescentam as visualizações de seres divinos, judeus repetem textos sagrados, evangélicos acreditam na força da imposição das mãos, católicos invocam fervorosamente a ajuda dos seus santos de devoção, e espíritas mandam vibrações espirituais a quem mais precisa. Através de rituais em voz alta, concentração, orações com rosários, penitências, mantras, jejuns, estímulos luminosos, imagens, água benta, óleo sagrado, cantos e simbolismos. Tudo para manter acessa a chama da fé, acreditando que a oração funciona para curar doenças e ferimentos. Será que funciona mesmo? Então Deus não haveria de curar, ocasionalmente, um amputado merecedor dessa graça ?
Seja qual for as formas escolhidas, no íntimo, todos suplicam e acreditam que milagres aconteçam e acreditam fervorosamente que o poder da oração e a cura por meio do Espírito Santo, tem muito a ver com isso.

Vejo tudo de uma maneira diferente, e aqui vai o alerta. O homem tem sido condicionado pelas diferentes religiões a viver na miséria e em sofrimento e auto-tortura até a sua morte. A ele são dadas promessas e grandes recompensas para depois da morte. Quanto mais ele sofre , tortura a si mesmo, é masoquista, destrói sua dignidade, mais ele será recompensado. Esse é um conceito muito conveniente para o sistema, porque o homem que está pronto para sofrer pode ser facilmente escravizado. O homem que está pronto para sacrificar o hoje por um amanhã desconhecido, já declarou sua inclinação para ser escravizado. O futuro se torna uma escravidão. E por milhares de anos, o homem tem vivido somente em esperanças, em imaginação, em sonhos, em, utopias, mas não em realidade.

Conforme Alfredo Bernacchi:
“Acho que essa palavra [sobrenatural] nem deveria existir, porque tudo é natural, provém da Natureza. Esse negócio de espiritual é pura fantasia disseminada pela religião que quer o seu dinheiro. Só isso".
E não existe outra vida do que a vida real, do que a vida que existe nesse momento. As crenças religiosas não passam de ilusões infantis, um falso conforto contra a dura realidade do sofrimento e da morte. Não existe um Deus Onipotente, Onisciente, misericordioso e milagroso, que nos diz que devemos orar na direção certa, estudar textos sagrados que se mostram sagrados e corrompidos, culto à morte ou ingerirmos uma hóstia para sermos “salvos”.

O ESPIRITISMO É CIENTÍFICO?http://sociedaderacionalista.org/2011/11/17/o-espiritismo-e-cientif...

http://pt.wikipedia.org/wiki/O_C%C3%A9u_e_o_Inferno

O Livro dos Espíritos - Resenha e Reflexões = Debate, por Assis Utsch em Irreligiosos. As religiões são bizarras demais. O maior vício das doutrinas religiosas é considerar que tudo aquilo que alegam seja fato.
http://irreligiosos.ning.com/profiles/blog/show?id=2626945%3ABlogPo...

Essas são as minhas pesquisas, observações e conclusões, como Ghost Writer
Sds
Oiced Mocam

Comentário de Gilberto Vieira de Sousa em 3 outubro 2013 às 22:26

Simplesmente dizer que existe ou dizer que não existe é pra mim muito simplório, pois acompanhando a história houveram muitas situações em que, por falta de conhecimento sobe determinados fenômenos, houve movimentos dizendo que raios e trovões eram deuses e outros que disseram ser a matéria composta de água, fogo, terra e ar.

Eu acredito que a ciência comprovará em um futuro próximo a existência ou não de espíritos, alma ou seja lá o nome que se dê.

Comentário de Assis Utsch em 3 outubro 2013 às 21:52

Hideo Kamioto,

Conforme disse um certo Delos B. Mckown, "o invisível e o inexistente se parecem".

Eu gostaria ainda de colocar aqui um pequeno trecho de um livro que acabo de ler - Cérebro e Crença - de Michael Shermer. Na resenha que fiz eu destaquei: Admitir a alma ou o espírito pressupõe uma "rede neural do cérebro em que essas entidades ficam armazenadas". "... a menos que exista algum meio de reter o padrão de nossa informação pessoal [nossa personalidade] depois da morte a alma morrerá conosco". (p.157) "Nossas lembranças e nossa personalidade estão armazenadas nos padrões dos neurônios". "... quando esses neurônios morrem e essas conexões sinápticas se rompem, resultam na morte de nossas lembranças e de nossa personalidade". (p.157-158) "Porque somos dualistas por natureza e acreditamos intuitivamente que nossa mente existe separada do cérebro e do corpo, a vida após a morte é o passo lógico para projetar nossa mente no futuro sem o corpo". (p.159)

Comentário de Hideo Kamioto em 3 outubro 2013 às 21:26

Assis:

Sob o ângulo religioso e sobre o significado dos livros, vistos também sob esse ângulo, concordo 100% com você. O que penso, porém, é que esse pessoal do espiritismo esbarrou em uma coisa com a qual não sabe lidar e, assim, não sabendo explicar (como sempre) levaram para o lado religioso. Mas que existem alguns fenômenos reais e inexplicados, disto não tenho dúvida.

Comentário de Assis Utsch em 3 outubro 2013 às 17:48

Em ciência, por definição, não é possível provar uma inexistência, até porque não é possível levar o "nada" para um laboratório. Mas filosoficamente pode-se provar uma inexistência usando-se a lógica.

A propósito do espiritismo, escrevi sobre o assunto aqui no Irreligiosos, o que pode ser visto a partir do texto seguinte : 

Eu li O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, a bíblia dos seguidores do espiritismo. Fiz inclusive a resenha de toda a obra e coloquei em (http://irreligiosos.ning.com/profiles/blogs/o-livro-dos-esp-ritos). Kardec estava convencido dos alegados fenômenos espíritas, mas isto é resultado das próprias idiossincrasias do autor, de seu autoengano, suas ilusões. Tal como os líderes e doutrinadores religiosos de todos os credos, aplica-se a ele o mesmo preceito : ninguém é mais doutrinado do que o próprio doutrinador. Apesar de aparentemente convincente, o livro é bizarro, inteiramente inconsistente para quem tem uma visão mais racional do mundo. E toda a visão crítica que fiz do texto está apoiada no próprio livro, não inventei, apenas apontei as vulnerabilidades da ideologia ali presente. É apenas mais um texto mitológico como o Velho e o Novo Testamento, os Vedas, o Zendavesta, o Corão, o Livro dos Mórmons e muitos outros livros religiosos que li - total ou parcialmente.

Comentário de Thyago Costa Santos em 3 outubro 2013 às 16:17

Alfredo, não abri o vídeo, mas no minimo é algo tendencioso. 
Como se pode provar que algo não existe? Acredito que só se pode provar o que existe. 

Comentário de Alfredo Bernacchi_2 em 17 janeiro 2012 às 10:29

A propósito:

Tenho um vídeo demonstrando que espíritos não existem. Está lá no Youtube. Se vocês tiverem curiosidade:

Espíritos não existem
http://www.youtube.com/watch?v=0kOBNUMqSCk

Continuo com probleminha nos olhos.

Abçs

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