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Se você não sabe, aceita e não questiona, embota-se e acaba virando crente.

Nos últimos tempos o Papa Bento XVI e seus acólitos têm apelado insistentemente ao reconhecimento das raízes cristãs da Europa. Este termo, "raízes cristãs", já tinha estado no centro da discussão quando do debate sobre a constituição européia. Mas qual a razão da Igreja querer meter o bedelho na política européia e do mundo? Medo de perder influência e controlo da situação?
A chamada "civilização cristã ocidental" nasce no dia em que os líderes de uma nascente religião se deram conta de ter um deus todo-poderoso, mas não uma espada com que levar o seu verbo pelo mundo; enquanto o imperador de Roma se deu conta de ter uma espada poderosa, mas não um ideal superior ao qual legá-la. Foi assim que numa noite Constantino… "sonhou" que um anjo lhe mostrou uma cruz e lhe disse "In hoc signo vinces". E o Sacro Império Romano nasceu.
Enquanto os primeiros 300 anos do nosso calendário tinham visto os cristãos esconder-se nas catacumbas, de repente a história do cristianismo se torna também a história de infinitas perseguições por parte deles, com prejuízos para as outras religiões.
Nos séculos que se seguiram foram antes de mais perseguidos todos os cultos pagãos que tinham sobrevivido, os seus sequazes foram exterminados e seus templos foram completamente destruídos pelas armadas romanas, freqüentemente guiadas pelos mesmos bispos locais.
+Bispos como Marco de Aretusa, ou Cirilo de Eliopoli, passaram à história como "destruidores de templos". Até ao século VI os poucos pagãos que restaram no mundo tinham perdido completamente qualquer direito civil.
+Carlos Magno, durante o segundo Sacro Romano Império, fez decapitar cerca de 5000 saxões que não queriam converter-se ao cristianismo.
+A primeira cruzada na "terra santa" causou a morte de cerca de um milhão de pessoas.
Durante a segunda cruzada, 40 cidades e 200 castelos foram submetidos a ferro e fogo pelas armadas cristãs. Só a conquista de Antioquia causou 60.000 vítimas, às quais se juntaram outras 100.000 antes do fim da mesma cruzada.
Na batalha de Askalon foram mortos cerca de 200.000 não-cristãos.
A cifra global das vítimas das cruzadas, segundo crónicas cristãs do tempo, pode colocar-se comodamente entre quinze e vinte milhões.
+ Veio depois o extermínio sistemático de todas as oposições e heresias no decorrer dos séculos: começa-se pelo extermínio dos Maniqueus (alguns milhares), no final do Império Romano, passa-se por milhares de pequenas seitas e heresias um pouco por todo o lado, e chega-se ao milhão de Albigenses (Cátaros) exterminados no 13° século, depois de vinte anos de terror que deixaram meia Languedòc completamente despovoada.
+Até que chegou a Inquisição, cuja atividade foi de tal modo vasta e sistemática que ainda hoje não é possível calcular com precisão o número de vítimas (oficialmente, aliás, o Tribunal não mais foi fechado. Apenas mudou de nome). Só o frade dominicano Torquemada se vangloriava publicamente de ordenar a execução de 10.220 vítimas.
+À Inquisição em toda a Europa vieram depois somar-se as chamadas "guerras de religião", entre católicos e protestantes, a seguir à Reforma Luterana. Eis alguns episódios significativos:
Em 1538, 6000 protestantes foram afogados vivos pelos cristãos na cidade holandesa de Emden.
Em 1572, 20.000 hugonotes morreram por ordem do papa Pio V.
No histórico saque de Magdeburgo, durante a guerra dos 30 anos, cerca de 30.000 cidadãos – homens, mulheres, velhos e crianças - foram mortos a sangue frio pelos cristãos conquistadores. Friedrich Schiller escreveu que "numa só igreja mais de 50 mulheres foram decapitadas, e entre os cadáveres foram encontradas também bébés ainda agarrados ao seio das mães".
No fim da guerra dos 30 anos mais de 40 per cento de toda a população da Europa central tinha sido exterminada.
No século XVI a Irlanda foi "catolicizada" graças ao extermínio sistemático dos habitantes locais.
+A mesma lógica do "extra ecclesiam nulla salus" (tradução para os deserdados de qualquer lugar: "converte-te ou morres, de qualquer forma nunca irás para o céu") foi aplicada por Colombo e todos os que o seguiram na colonização do Centro e Sul da América. No que diz respeito ao Norte da América, teriam pensado em seguida os protestantes em fazer uma coisa semelhante. Estamos falando de dezenas de milhões de vítimas nos dois continentes, que significaram na época o desaparecimento efectivo de 90% das populações indígenas.
+No que diz respeito aos judeus recordamos apenas dois episódios particularmente significativos. Só no ano 1492, ano em que Colombo velejava para as Américas, mais de 150.000 judeus foram queimados a pedido, convertidos à força ou expulsos da Espanha dos catolicíssimos Fernando de Aragão e Isabel de Castela.
Em 1648, 200.000 judeus morreram, por mão cristã, no massacre de Chmielnitzki, na Polónia. Estava-se a menos de trezentos anos, e a cerca de trinta quilómetros, dos futuros fornos de Auschwitz.

Poderíamos continuar a esmiuçar cifras e casos históricos por muito tempo ainda, mas o sentido geral da história da cristianização parece estar já bem esclarecido: estamos falando de uma cifra global aproximativa - seguramente errada por defeito - de oitenta milhões de vítimas.
Serão estas, talvez, as "raízes cristãs" a que a Papa faz apelo? Obviamente, esperamos que não!

 

(Cfr.: http://divagacoesligeiras.blogspot.com/2010/04/in-hoc-signo-vinces.... )

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Comentário de Oiced Mocam em 26 janeiro 2011 às 12:16

A Inquisição,  em nome de Cristo o “manual”      

 

 O Papa na Idade Média, restabeleceu a Inquisição, agora sob a forma do Tribunal do Santo Ofício, sempre com o pretexto de “purificar” a fé cristã, para combater as heresias maçons e judeus, considerados inimigos da Coroa e da Igreja.  O frei dominicano Nicolau Eymerich , foi o autor do livro Directorium Inquisitorum – Manual dos Inquisidores, escrito em 1376 e revisto e ampliado por outro inquisidor dominicano, Francisco de La Pena, em 1578. Eram comandadas pelo superior da ordem jesuíta. O caminho mais fácil era o de matar a crítica e todos que discordavam da Igreja, ou cuja riqueza despertasse a cobiça voraz dos bispos e papas. Eram queimados vivos e suas propriedades e riquezas confiscadas. Os papas e os príncipes agiam de comum acordo. Assim foi também com a virgem de Orleans, Joana D’Arc que morreu na fogueira.

 

   Eles crucificaram e queimaram Joana D’Arc por ordem do papa, porque ele declarou que ela era uma bruxa. Com que argumento com que base? Porque o papa diz que é assim, isso tem de estar certo. A sua palavra é a lei, a verdade. Eles queimaram uma mulher jovem e bonita, corajosa e inteligente, que lutou pela liberdade do país e conquistou essa liberdade! A razão foi o do ciúme, que uma mulher pudesse se tornar tão proeminente que até mesmo o papa seria passado para trás. Joana, foi queimada por causa do ciúme; ela não cometeu pecado algum. Toda a Europa ficou chocada, e aos poucos as pessoas começaram a levantar suas vozes contra sua crucificação, mas  passaram mais de trezentos anos para que as pessoas ficassem fortes a esse respeito, a ponto de um outro papa declarar Joana D’Arc uma grande santa.

      Um a queima viva porque ela é bruxa, ela tem relações sexuais com o demônio. E após trezentos anos, outro papa, seu próprio descendente, seu próprio sucessor, representante do mesmo Jesus Cristo e do mesmo Deus – declara que ela era Santa.

       Seus ossos foram solenemente retirados da sepultura e venerados, e hoje uma linda catedral se ergue em sua memória. Agora ninguém a chama simplesmente de “Joana D’Arc”, agora seu nome é “Santa Joana D’Arc”. Conforme o brasileiro Ziraldo: “A mulher mais quente que a história já conheceu foi Joana D’Arc. Era fogo! Fora dessa, não tenho outra definição para mulher “fogosa”.

 

      Nas décadas seguintes, em nome do Criador, o Tribunal do Santo Ofício, a Inquisição torturou e condenou à morte milhares de pessoas na Europa e nas colônias além-mar, uma atitude considerada incompatível  com a fé cristã. Os primeiros inquisidores oficiais eram frades dominicanos que funcionavam como juízes a serviço da Igreja. O processo de julgamento e condenação era  formado com duas testemunhas que podiam ser ladrões ou assassinos, desde que fossem cristãos. Todos que divergiam dos católicos, simples suspeitos, passavam por um interrogatório, e torturas as mais cruéis, onde quebravam os ossos. Tudo para conseguir a confissão de um pecado ou crime não cometido para conseguir a “verdade”. Quando culpado, podia sofrer diversas penalidades que iam do confisco da propriedade, bens e principalmente do ouro, que seriam repartidos entre a igreja e o rei, à prisão perpetua e à pena de morte na fogueira. A Inquisição determina:

Deve-se castigá-los, mas sem derramamento de sangue”...então a solução era queimar. Dessa forma não só os “pecados” não cometidos foram confessados, como alguns impossíveis de serem praticados. Os carrascos liquidavam logo a vítima ou queimavam-na aos poucos para que ela se arrependesse de seus pecados e se convertesse a religião católica. A Inquisição sentenciava as suas vítimas em cerimônias públicas chamadas “autos-de-fé”, como as sessões de tortura eram conhecidas. Na cidade de Verona em um mês foram queimados vivos cerca de sessentas homens. Agostinho assegurava que em “alguns” casos, era permitido matar os descrentes, para a “glória de Deus, Agostinho  e Optato, hoje são venerados como Santos da Igreja. Parece-nos que o passado foi esquecido.

 

       Na Inquisição Espanhola, foi representante Divino o papa Gregório IV, pai da Inquisição e também seu torturador e assassino  mais conhecido e cruel Tomaz Turrecremata ou Tomás de Torquemada. Ele mandou matar milhares de  homens e mulheres os quais foram combustíveis para à fogueira (alguns estimam oito a dez mil).. A tortura usada para obter confissões foi autorizada pelo Papa Inocêncio IV. Na Espanha foram expulsas 150 mil pessoas entre eles judeus e maometanos, maçons, que decidiram não se converter e  que tiveram seus bens praticamente confiscados. Ficaram sem rumo e se abrigaram em outros países.  Muitos foram para Portugal, onde depois foram pilhados e também expulsos do país.

        Em Portugal e colônias a inquisição  durou 300 anos de atividade e foram estimados 40 mil processos. Durante séculos os judeus foram perseguidos e considerados heréticos, as causas: religiosas.

       Na Alemanha os inquisidores redigiram o mais demente dos textos que a história humana concebeu.  O célebre Malleus Maleficarum, em português “ O Martelo das Bruxas” ou “O Martelo das Feiticeiras”. Sevicias, torturas sangrentas e terríveis e depois a execução, em geral calcinadas vivas em piras, largamente apreciadas pela população, as vezes diariamente. As razões eram: tempestades, pestes, quebra de safra, antipatia, mau humor.

 

      E as conseqüências todos conhecemos e que repetiu-se na 2ª Guerra Mundial com o ódio religioso e genocídio dos judeus. Houve também a Inquisição Romana , instituída pela Igreja divina e pervertida, sem tolerância. Se não tivesse acontecido essa vergonha, a Igreja católica e protestante poderia ser hoje reconhecida como poderosa instituição defensora da moralidade, da democracia, das relações humanas , incentivadora da ciência e defensora da paz.

 Manual da Igreja e dos Inquisidores:

 "Aplicar-se-á, do ponto de vista jurídico, o adjetivo herético em oito situações bem definidas. São heréticos:

a)      Os excomungados;

b)      Os simoníacos (aqueles que comercializam, de alguma forma, os sacramentos ou o sagrado em geral);

c)      Quem se opuser à Igreja de Roma  e contestar a autoridade que ela recebeu de Deus;

d)      Quem cometer erros na interpretação das Sagradas Escrituras no que se refere aos sacramentos;

e)      Quem criar uma nova seita ou aderir a uma seita já existente;

f)       Quem tiver opinião diferente da Igreja de Roma sobre um ou vários artigos da fé;

      g)  Quem duvidar da fé cristã.”

      É espantoso como essas pessoas possam  ser tão desavergonhadas e infalíveis.  Quanto horror e sangue envolve o desrespeito ao ser humano. Certamente as bruxas (os) atrapalhavam o negócio da venda de “curas”, “indulgências”, “salvações” e outros tipos de achaques da igreja.

      Os ensinamentos da Bíblia são tão confusos e contraditórios que foi possível para os cristãos aplicar os ensinamentos do cristianismo, torturar e queimar alegremente os heréticos nas fogueiras, durante cinco longos séculos.

       Após dilacerar a alma e destruir suas famílias, inclusive após ter sido abolida a Inquisição , fez suas vítimas, censurando os teólogos Hans Küng e Leonardo Boff. A  Igreja Católica,  mesmo com as desculpas  e “perdão” , pedido pelo Papa João Paulo II, no ano 2000: erros cometidos a serviço da “verdade”, por meio de recurso a métodos não evangélicos”, manchou de forma definitiva  as religiões, a história católica e a história da humanidade. Não me surpreenderia, se o Vaticano reabilitar a figura de Galileu Galilei, “a quem a Igreja desejará honrar”.

 

“Este dogma aterrorizante, esta mentira infinita: foi isto que me tornou um implacável inimigo do cristianismo.

A verdade é que a crença na danação eterna tem sido o verdadeiro perseguidor.

Fundou a Inquisição, forjou as correntes e construiu instrumentos de tortura.

Obscureceu a vida de muitos milhões.

Tornou o berço tão terrível quanto o caixão.

Escravizou nações e derramou o sangue de incontáveis milhares.

Sacrificou os melhores, os mais sábios, os mais bravos.Subverteu a

noção de justiça, derriscou a compaixão dos corações, transformou homens em demônios e baniu a razão dos cérebros. Como uma serpente peçonhenta, rasteja, sussurra  e se insinua em toda crença ortodoxa.

Transforma o homem numa eterna vítima e Deus num eterno demônio.

É o horror infinito. Cada igreja que ensina esta idéia é uma maldição pública. Todo pregador que a difunde é um inimigo da humanidade. Em vão se procuraria uma selvageria mais ignóbil que este dogma cristão.

Representa a maldade, o ódio e a vingança sem fim. Nada poderia tornar o inferno pior exceto a  presença de seu criador Deus.

Enquanto estiver vivo, enquanto estiver respirando, negarei esta mentira infinita com toda minha força, a odiarei com cada gota do meu sangue.

Robert G. Ingersoll

 

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