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Se você não sabe, aceita e não questiona, embota-se e acaba virando crente.

Livre-arbítrio e responsabilidade humana

O que pensam os companheiros, deste texto?

_______

A minha tese é a seguinte: a pessoa que está convencida que tem liberdade de escolha ou livre-arbítrio tem um maior sentido de responsabilidade do que a pessoa que pensa que o determinismo absoluto governa o universo e a vida humana. O determinismo no sentido clássico significa que todo o fluir da história, incluindo todas as escolhas humanas e as acções, estão completamente determinadas desde o início dos tempos. Quem quer que acredite que “o que tem que ser, será” pode tentar escapar à responsabilidade moral apesar de ter agido erradamente defendendo que tal estava predestinado por leis rígidas de causa e efeito.

Mas se a livre escolha realmente existe na altura de escolher, os homens têm claramente responsabilidade moral por decidirem entre duas ou mais alternativas genuínas, e o álibi determinista não tem qualquer peso. Assim, o coração da nossa discussão radica na questão de saber se é verdade que temos livre escolha ou se é verdadeiro o determinismo universal. Tentarei resumir brevemente as razões principais que apontam para a existência de livre-arbítrio.

Primeiro: há uma intuição vulgar imediata e poderosa, que é partilhada por virtualmente todos os seres humanos de que existe liberdade de escolha. Esta intuição parece-me tão forte como a sensação de prazer ou de dor; e a tentativa dos deterministas provarem que esta intuição é falsa é tão artificial como a pretensão […] de que a dor não é real. Claro que a existência desta intuição não prova por si a existência da liberdade de escolha, mas justamente por ser uma intuição tão forte, coloca o ónus da prova do lado dos deterministas, que têm que provar que se baseia numa ilusão.

Segundo: podemos recusar o argumento determinista admitindo, ou até insistindo, que há uma grande quantidade de determinismo no mundo. O determinismo na forma de leis causais do tipo “se…então…” governa não só o funcionamento de inúmeros movimentos corporais como o funcionamento de grande parte do universo. Podemos estar contentes com o facto dos sistemas respiratório, digestivo, circulatório, e dos batimentos cardíacos, funcionarem deterministicamente — pelo menos até avariarem. O determinismo versus livre-arbítrio é uma falsa questão; o que nós sempre tivemos foi um determinismo e um livre-arbítrio relativos. O livre-arbítrio sempre esteve limitado pelo passado e por um conjunto vasto de leis causais do tipo “se…então…”. Ao mesmo tempo, os seres humanos usam o livre-arbítrio para tirarem partido daquelas leis determinísticas que fazem parte da ciência e das máquinas que produziram. A maioria de nós guia carros, e somos nós e não estes quem decide quando e para onde vão. O determinismo usado de forma sábia e controlada — o que nem sempre se verifica — pode tornar-nos mais livres e felizes.

Terceiro: o determinismo é algo relativo, não apenas porque os seres humanos têm liberdade de escolha, mas também porque a contingência e o acaso são um traço fundamental do cosmos. A contingência percebe-se melhor na intersecção de sequências de eventos independentes entre si sem qualquer conexão causal prévia. O meu exemplo favorito é o da colisão do transatlântico Titanic com um iceberg, a meio da noite de 14 de Abril de 1912. Foi um acidente terrível em que morreram mais de 1500 pessoas. A deriva do iceberg desde o norte e o percurso do Titanic de oeste a partir de Inglaterra representam claramente duas sequências causais de eventos independentes.

Se, por hipótese, um grupo de especialistas tivesse sido capaz de identificar as duas sequências causais e assegurar que tal catástrofe estava predeterminada desde o momento em que o transatlântico deixou o porto de Southampton, ainda assim isso não perturbaria a minha teoria. A relação espaço-tempo do iceberg e do Titanic, desde que este iniciou a sua viagem, seria, em si, uma relação de contingência, já que não haveria qualquer causa relevante para a explicar.

Como referi, a presença constante da contingência no mundo é igualmente provada pelo facto de todas as leis naturais assumirem a forma de sequências ou relações do tipo “se…, então…”. O elemento se é obviamente condicional e demonstra a coexistência habitual da contingência com o determinismo. A actualidade da contingência nega a ideia de uma necessidade total e universal a operar em todo o universo. No que diz respeito as escolhas humanas, a contingência assegura que as alternativas de que temos experiência são indeterminadas relativamente ao acto de escolher, o que faz depois que uma delas seja determinada.

A minha quarta razão é que o significado aceite de potencialidade, nomeadamente, de que todo o objecto e acontecimento no cosmos têm possibilidades plurais de comportamento, interacção e desenvolvimento, deita por terra a tese determinista. Se quiseres realizar uma viagem de férias no próximo Verão, pensarás sem qualquer dúvida em inúmeros destinos possíveis antes de te decidires. O determinismo implica que isso não seja mais do que teatro, pois estás determinado escolher precisamente o destino que escolheste. Quando relacionamos o padrão causal com a ideia de potencialidade, verificamos que a causalidade mediada pela escolha livre pode ter o seu efeito apropriado na actualização de qualquer uma das diversas possibilidades existentes.

Quinto: os processos normais do pensamento humano estão ligados à ideia de potencialidade tal como a descrevi, e do mesmo modo tendem a mostrar que a liberdade de escolha é real. Pensar envolve constantemente concepções gerais, universais ou abstractas sob as quais são classificados os diferentes particulares. No caso que discuti na minha quarta razão, “viagem de férias” era a concepção geral e os diferentes lugares que poderias visitar eram os particulares, as alternativas, as potencialidades, que alguém podia livremente escolher. Se de facto não houver liberdade de escolha, então a função do pensamento humano de resolver problemas torna-se supérflua e numa máscara de faz-de-conta.

Sexto: é esclarecedor para o problema da liberdade de escolha perceber que apenas existe o presente, e que é sempre alguma actividade presente que dá origem ao passado, no mesmo sentido em que um esquiador deixa atrás de si um trilho na neve quando desce uma colina. Tudo o que existe — o vasto conjunto agregado de matéria inanimada, a imensa profusão de vida anterior, o ser humano em toda a sua diversidade — existe ou existem apenas como acontecimentos quando ocorrem neste instante exacto, que é agora. O passado está morto e passado; existe apenas na medida em que se exprime nas estruturas e actividades presentes.

A actividade do presente imediatamente anterior estabelece os fundamentos através dos quais opera o presente imediato. O que aconteceu no passado tanto cria limitações como possibilidades, que condicionam sempre o presente. Mas condicionar neste sentido não significa o mesmo que determinar; cada dia se desenvolve a partir de agora no seu próprio momento, actualizando novos padrões de existência, mantendo e destruindo outros. Portanto, quando um homem escolhe e age no presente não é inteiramente controlado pelo passado, mas parte da evolução interminável do poder cósmico. É um agente activo e iniciador, que, montado na onda de um dado presente, delibera entre alternativas abertas para alcançar decisões relativamente às muitas e diversas fases da sua vida.

A minha sétima razão é que a doutrina do determinismo universal e eterno se auto-refuta quando consideramos, por redução ao absurdo, todas as suas implicações. Se as nossas escolhas e acções de hoje estivessem determinadas ontem, então estariam igualmente determinadas antes de ontem, no dia do nosso nascimento, no dia do nascimento do nosso sistema solar e da terra há biliões de anos. Considere-se então a consequência: para o determinismo, o chamado impulso irresistível que os sistemas jurídicos reconhecem quando julgam crimes cometidos por pessoas insanas, deve ser considerado com o mesmo vigor para as acções realizadas por pessoas sãs e virtuosas. Segundo a filosofia determinista, o homem bom sente um impulso irresistível para dizer a verdade, para ser bom para os animais e para expor a corrupção na política.

Oito: são inúmeras as palavras que perdem o seu significado normal no novo dialecto do determinismo. Refiro-me a palavras como abstenção, proibição, moderação e remorso. Uma vez provada a verdade do determinismo, teríamos que rasurar grande parte dos dicionários existentes e redefinir uma grande quantidade de coisas. Por exemplo, que significado deveria ter proibição quando já está determinado que irás recusar o segundo cocktail de Martini? Em boa verdade, só se pode proibir quando se quer impedir alguém de fazer alguma coisa que esteja no seu alcance fazer. Mas segundo o determinismo não poderias aceitar o segundo cocktail por já estar predeterminado que dirás “Não”. Não estou a dizer que a natureza deva conformar-se aos nossos usos linguísticos, mas os hábitos linguísticos dos seres humanos, que evoluíram ao longo da imensidão dos tempos, não podem ser negligenciados na análise do livre-arbítrio e do determinismo.

Finalmente, não penso que o termo “responsabilidade moral” possa manter o seu significado tradicional, a não ser que exista liberdade de escolha. Segundo a perspectiva da ética, da lei e do direito criminal, é difícil entender como um determinista consistente possa ter um sentido de responsabilidade pessoal adequado relativamente ao desenvolvimento de padrões éticos decentes. Mas a questão permanecerá independentemente de terem sido ou de alguma vez poderem vir a ser deterministas consistentes, ou até do facto de o livre-arbítrio ser um traço inato e tão profundamente característico da natureza humana, como sugeriu Jean-Paul Sartre ao afirmar “Não somos livres para deixar de ser livres”.

Corliss Lamont

Retirado de “Freedom of the Will and Human Responsibility”, in Louis P. Pojman, Philosophy: The Quest for Truth (Nova Iorque, Oxford University Press, 6.ª ed., 2006), pp. 367–368.

in http://criticanarede.com/leit_corliss.html

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Comentário de Luísa L. em 29 março 2016 às 14:26

Olá Lilian,

Obrigada por comentares. 

Relativamente ao facto de não existir destino e outras patetices do género, e de os seres humanos terem uma relativa liberdade de escolha, estamos todos de acordo! :)

Beijos.

Comentário de Lilian Sokorowa em 25 março 2016 às 7:28

Pô, gente, essa é fácil. Vocês estão perdendo tempo e se desgastando em discussões de uma coisa tão simples? O tema é "Livre-arbítrio e responsabilidade humana" (grifei), e a discussão ficou em torno de existir ou nao o destino.

NÃO EXISTE DESTINO e o livre-arbítrio humano é relativo porque às vezes pode ser exercido, outras não. Simples assim. Destino e livre-arbítrio são excludentes

A existir o destino, na figura ilustrativa ao lado, não adianta existirem seis portas para escolher, porque o homem sempre escolheria a porta DESTINO. Em outras palavras: não adianta você se movimentar para frente, para trás, para os lados ou ficar parado. Você terá de ir para a porta DESTINO, porque assim estava determinado(por quem?). Se existe destino, não pode existir livre-arbítrio; e todos sabemos que o livre-arbítrio existe.

Então, num raciocínio filosófico e de lógica, se um existe, o outro não pode existir. Ora sabemos que o livre-arbítrio (total ou relativo) existe. Então, o DESTINO NÃO EXISTE. Facim, facim. Muita discussão para coisas óbvias é perda de tempo.

Comentário de Luísa L. em 24 março 2016 às 20:18

Ivo:

Já passei.

Comentário de Ivo S. G. Reis em 24 março 2016 às 19:24

Luísa:

Você falou, falou, mas não respondeu. Vamos passar uma borracha no ocorrido ou não?

Comentário de Luísa L. em 24 março 2016 às 18:16

Bolas, que vocês são super susceptíveis!

Estou a generalizar porque o Ivo não é o único.

"Luísa, eu concordo ou discordo com e de qualquer ponto de vista de qualquer pessoa, assim como permito que qualquer pessoa concorde ou discorde dos meus pontos de vista. Esse é o espírito dos nossos debates. É difícil entender isso? Acha que estou errado? Acha que a ofendi, xinguei, destratei ou ironizei? Onde e quando? Cite os exemplos claros e comprove!" (Ivo)

Não Ivo. Não me ofendeu, nem xingou, nem nada disso. Moralizou-me. Foi paternalista. Só isso.

Também foi só isso que eu pedi para não fazer. Acha que é pedir muito? É que eu já sou crescidinha para ser moralizada.

Se os outros membros estão habituados e gostam dessa sua atitude, tudo bem, continue. COM ELES. Não comigo. Peço-lhe.

Abraços

Comentário de Ivo S. G. Reis em 24 março 2016 às 17:53

Luísa, Luísa, Luísa!

Será que você ainda não entendeu que eu não quero brigar com você? Será que não entendeu que algumas divergências que apontei são apenas ideológicas e em relação a determinados argumentos com os quais não concordo? Será que não entendeu que tanto eu, como você, como qualquer um, temos o direito de discordar ou concordar com os colegas? Será que não posso discordar de você? Será que porque exponho a minha maneira de ver as coisas e só porque a minha maneira não coincide com a sua eu estou querendo "moralizá-la"? Será que não entendeu que eu e os demais colegas fazemos questão da sua presença nos debates? Do jeito que está agindo, faz com que eu fique com receio de apreciar os seus comentários, sob pena de eu receber mais uma xingada, ofensa ou um simples puxão de orelha, como tantos que já levei, sem revidar.

Luísa, eu concordo ou discordo com e de qualquer ponto de vista de qualquer pessoa, assim como permito que qualquer pessoa concorde ou discorde dos meus pontos de vista. Esse é o espírito dos nossos debates. É difícil entender isso? Acha que estou errado? Acha que a ofendi, xinguei, destratei ou ironizei? Onde e quando? Cite os exemplos claros e comprove!

Só para esclarecer melhor: Conheço o Antídio há mais de 6 anos, talvez 7. Convivemos por muito tempo defendendo as mesmas causas (e ainda defendemos). Eu o admiro e respeito porque sei que é culto e um pesquisador sério, preocupadíssimo com os problemas ecológicos, econômicos, morais e da sustentabilidade do nosso planeta e sabe muito, muito mais do que eu e vários outros colegas, sem desmerecer ninguém. De vez em quando discordamos um do outro, mas nunca, jamais nos sentimos ofendidos e nunca tentamos ofender ou menosprezar um ao outro. Neste tópico e no do criacionismo, discordei dele muito mais do que de você e ele também discordou de mim. Nos ofendemos, deixamos de ser amigos e de nos respeitarmos?

Eu sou assim, Luísa. Lamento se você não me aceita como sou e tenha formado uma visão distorcida do meu caráter. Mas sou autêntico, sincero e não iludo nem aliso as pessoas para angariar simpatias. Eu aceitei você com o seu gênio bravo (não negue: você é temperamental e tem pavio curto!) porque admiro a sua personalidade forte e as suas contribuições nas discussões. Por que você não pode me aceitar como sou?

Se não quiser que eu responda mais aos seus comentários é só avisar que eu me abstenho. Quanto aos meus, aos seus e dos demais colegas, fique livre para fazer o que quiser. Responda quando achar que deve; cale-se quando achar que deve; ataque ou defenda-se quando achar necessário.

Não vá dizer de novo que eu tentei "moralizá-la" ou "colocar na sua boca palavras que não disse" (???). Dá para esquecer os incidentes e fazer as pazes?

Bação!

Comentário de Luísa L. em 24 março 2016 às 17:25

Ainda para o Ivo.

O seu raciocínio não me parece correto no que respeita ao determinismo científico. As leis da natureza não podem ser alteradas. Ponto. Não é pelo ponto de ebulição da água, ou a velocidade dos corpos serem diferentes em circunstâncias não ideais, que essa determinada Lei deixa de ser determinista. Pois ela acontece sempre da mesma forma em condições idênticas e nós não as podemos alterar.

Já no que diz respeito ao determinismo, digamos, religioso, isso não se aplica. Nada está destinado. Eu posso fazer (dentro dos meus próprios condicionalismos físicos e sociais) o que bem entender, tanto quanto às minhas acções, como quanto aos caminhos que escolho. E deste modo, porque existem condicionalismos de toda a espécie à minha volta, eu também não tenho uma verdadeira liberdade de escolha.

Muito basicamente é o que penso.

Comentário de Luísa L. em 24 março 2016 às 16:43

Respondendo ao Ivo:

“Determinismo, se existe, seria em algumas leis da física, da química, e de outros ramos da ciência e na morte dos seres vivos. NÃO EXISTE DETERMINISMO EM RELAÇÃO AO COMPORTAMENTO DO HOMEM E AO SEU FUTURO, assim concluo.” (Ivo)

Eu já tinha diro isso logo no segundo parágrafo: “Também quero frisar que o determinismo histórico e religioso não me dizem absolutamente nada, enquanto pronominação ou outras tangas que o valham.”

. . .

“A afirmação "o ponto de ebulição da água é sempre a 100°C", está errada. (...)” (Ivo)

A afirmação está certa, na minha opinião, Ivo. Está tão certa como eu dizer que a velocidade (V) = delta espaço/delta tempo. Esta é uma lei geral, provada cientificamente. Mas, se eu lhe acrescentar um mínimo de atrito ela também vai ser diferente da fórmula inicial. Então a afirmação de que a velocidade (V) = delta espaço/delta tempo passa a estar errada?

As Leis, em ciência, são sempre testadas em condições ideais, Ivo. Depois são acrescentadas mais variáveis e as fórmulas iniciais alteram-se. Mas, no meu entender, não podemos dizer que a afirmação "o ponto de ebulição da água é sempre a 100°C" está errada. Está certa em condições ideais e com água pura.

. . . 

“Eia, Luísa! Viu porque as discussões e divergências são boas? Se formos humildes, aprendemos sempre com os nossos colegas, sejam eles nossos opositores ou não. E desta vez, você trouxe um excelente exemplo para ser discutido: o ponto de ebulição da água. Esqueci-me de falar sobre o comportamento dos elementos químicos no meu último comentário, onde podem haver exceções e, é claro, existem mesmo.

Mesmo você achando que tudo o que eu falo é bla-blá-bla e que eu quero ser o último a falar , afirmação com a qual não concordo e que considero ofensiva, não vou vou retrucar nem me defender da acusação; vou, isto sim, analisar o seu exemplo, um ótimo exemplo que, confesso, veio em boa hora, é muito apropriado e merece ser analisado.” (Ivo)

E faça-me um favor, Ivo. Não me venha moralizar. Eu não preciso nem aceito isso.

Saudações.

Comentário de Ivo S. G. Reis em 24 março 2016 às 15:16

Eia, Luísa! Viu porque as discussões e divergências são boas? Se formos humildes, aprendemos sempre com os nossos colegas, sejam eles nossos opositores ou não. E desta vez, você trouxe um excelente exemplo para ser discutido: o ponto de ebulição da água. Esqueci-me de falar sobre o comportamento dos elementos químicos no meu último comentário, onde podem haver exceções e, é claro, existem mesmo.

Mesmo você achando que tudo o que eu falo é bla-blá-bla e que eu quero ser o último a falar , afirmação com a qual não concordo e que considero ofensiva, não vou vou retrucar nem me defender da acusação; vou, isto sim, analisar o seu exemplo, um ótimo exemplo que, confesso, veio em boa hora, é muito apropriado e merece ser analisado.

Todos aprendemos na escola que uma "lei da natureza" diz que a água ferve a 100 graus centígrados, o seu ponto de ebulição. Mas isso ocorre sempre, como você diz? Minha resposta é NÃO (também é uma probabilidade, na base do se... então, a que o autor do texto se refere). Lembre-se: para ser lei é preciso que ocorra SEMPRE da mesma forma, senão não é lei.

A afirmação "o ponto de ebulição da água é sempre a 100°C", está errada. O ponto de ebulição da água, é alterado de acordo com a pressão atmosférica, sendo que, quanto maior a pressão do ar sobre as moléculas de água, maior é a temperatura necessária para a ebulição da água. Cientistas fizeram experimentos e concluíram isto: que a água pode ter pontos de ebulição diferentes (menores ou maiores) conforme a localização e as condições de tempo e pressão atmosférica (ao nível de mar e na montanha os pontos de ebulição são diferentes). Portanto, a água pode ferver a menos de 100°C ou a mais de 100°C.

Então, esse exemplo que você deu não valeu para comprovar um determinismo geral nas leis da natureza. Mas valeu muito para mim porque obrigou-me a reconsiderar um ponto que havia esquecido no meu último comentário: pode haver determinismo sim em algumas leis da química e seus experimentos. Parabéns, porque nesse ponto seus argumentos me obrigaram a repensar e olhar a questão por outro prisma, no que se refere ao campo da química. "A mistura de um elemento químico A com um elemento químico B, nas mesmas condições de pressão, temperatura, meio, localização e umidade, gera sempre um elemento C, diferente de A e B, mas com características comuns simultâneas dos elementos A e B".

Veja bem, Luísa, eu me considero bom em matemática, mas péssimo e leigo em química (aliás, eu odeio química"). Essa conjectura que expus acima não é copiada de nenhum livro ou texto da internet., como muitas pessoas costumam fazer. É uma conclusão maluca, da minha cabeça, fruto da aplicação da lógica, e que nem sei se está certa, mas tudo leva a crer que sim. E supondo que esteja, nesse caso, poderia sim haver um determinismo relativo. Mas isso seria uma regra de exceção.

Graças a você, volto a concordar "in totum" com o autor para dizer que, em alguns casos ( a minoria), pode existir um determinismo relativo. No mais, mantenho tudo o que disse, até prova em contrário. Determinismo, se existe, seria em algumas leis da física, da química, de outros ramos da ciência e na morte dos seres vivos. NÃO EXISTE DETERMINISMO EM RELAÇÃO AO COMPORTAMENTO DO HOMEM E AO SEU FUTURO, assim concluo. Obrigado pelo alerta e...

Saudações Irreligiosas! 

Comentário de Luísa L. em 24 março 2016 às 8:24

Respondendo ao Ivo:

Não vou comentar o blábláblá de quem quer ser o último a falar. Tudo bem, Ivo.

Também quero frisar que o determinismo histórico e religioso não me dizem absolutamente nada, enquanto pronominação ou outras tangas que o valham. Vou ater-me ao determinismo científico. Àquilo que encontramos e analisamos na natureza. Também me pareceu, do texto, que, quando o autor fala em determinismo relativo, está a entrar em conta com o determinismo científico, uma vez que não se pode fugir a ele.

"E também não concordo que nenhum fenômeno que ainda vai acontecer esteja previamente determinado para uma determinada ocasião. Para ser determinista, é preciso que tudo aconteça SEMPRE igual, desde que as mesmas condições se verifiquem." (Ivo)

Vamos lá, nem tudo na natureza acontece sempre da mesma forma. Ou seja, nós podemos não ter essa percepção. As primaveras não são sempre iguais. Os ventos não são sempre furacões. Os continentes não se afastam sempre da mesma forma. E por aí diante. Isto é o que observamos, enquanto meros observadores, sem nos aprofundarmos nas questões.

Agora vamos aos factos:

- a água entra em ebulição sempre a 100º centígrados. Obviamente que a água pode ou não ferver, isso depende das condições envolventes. Mas as condições envolvente não são uma lei da natureza.Lei é a água entrar em ebulição a 100º centigrados. E ela ferve sempre a 100º centigrados seja numa panela do fogão lá de casa, seja no interior da terra.

A meu ver, esta Lei da natureza é determinista. Pois está determinado que, quando atinge a temperatura de 100º centígrados a água entra em ebulição. Isto acontece sempre. Nós não podemos escolher que a água entre em ebulição a 50º centígrados. Não há nenhuma probabilidade de tal coisa acontecer.

Poderia arranjar mais 150 exemplos deste género, mas seria fastidioso.

Também não vou entrar na genética porque sei muito pouco e o seu comentário é complicado demais para uma leiga como eu. No entanto o que disse foi de boa fé.

Quando disse qualquer coisa como, não podermos escolher ter cabelos castanhos ou pretos porque isso já está determinado no nosso ADN - considerei o ADN a Lei -, quis dizer isso mesmo, eu, Luísa, não posso escolher não ter sardas, coisa que agora não me incomoda, mas quando tinha 15 anos ficava desidratada de tanto chorar por cada uma que nascia. Nunca pude escolher.

Saudações.

 

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