Irreligiosos

Se você não sabe, aceita e não questiona, embota-se e acaba virando crente.

POR QUE NÃO QUEREMOS IR PARA O CÉU

Humor

Em sua longa história, as grandes religiões monoteístas ofereceram o Paraíso, como prêmio para os seus seguidores. Se eles seguissem os seus dogmas e mandamentos, acreditarem neste ou naquele mito, louvar e puxar o saco de amiguinhos imaginários, construírem templos aos montes nas periferias das cidades, cantarem músicas de má qualidade, rezarem muito por horas a fio, abster-se de muitas coisas e prazeres da vida, incomodar os outros para tentar convertê-los à religião deles, e alegarem que possuem a “verdade” e que todos os outros estão errados (e todos alegam a mesma coisa). Além de viverem com as caras enfiadas dentro de livros ditos “sagrados” e escritos por “inspiração divina” e recitarem determinados trechos (esquecendo convenientemente de todo o resto), sempre interpretando à sua maneira, com truques circenses da teologia, para tentar dizer que amarelo é vermelho, e que azul é verde, mas que laranja não é laranja.

       Enfim, são muitas dessas coisas que fazem parte da rotina de um religioso que procura seguir suas profissões de fé, além de se odiarem mutuamente e promoverem preconceito, discriminação, intolerância, incapacidade de diálogo civilizado, ameaças de morte e inferno (disfarçadas como avisos, que é o que a Bíblia diz que é a “verdade”, que é a “realidade” etc.), causarem conflitos e guerras em diversos países do planeta, perseguições, uso e abuso de falácias, disseminação de ignorância (coisas como o criacionismo, por exemplo), ataques contra o bom senso moral e ético (o uso de camisinhas para impedir a disseminação de doenças sexuais e gravidez indesejada), contra a ciência e a tecnologia (como o caso das células-tronco, clonagem humana, etc.), acobertamento de criminosos no uso de dois pesos e duas medidas (padres pedófilos, além exemplo), etc.

Porém ainda há uma questão a abordar. As falsas promessas e recompensas.

Existe um Paraíso?

Há provas da existência de tal lugar?

Quais são as evidencias que sustentam as alegações dos religiosos de que há uma “vida eterna”?

     Para sermos sinceros, a resposta é NÃO! Simplesmente não há evidências da existência de tal lugar. Tudo o que os religiosos possuem são apenas as suas crenças e as palavras que constam de seus livros ditos “sagrados”.

Crenças não provam nada, como todos sabemos.

       Não há provas. Não há fatos. Não há evidências. Não há registros. Não há documentos. Não há relatos fidedignos. Não há testemunhas. Não há fotos. Não há filmes. Não há objetos “celestiais”. Não há indicações diretas. Não há base sólida que sustente as alegações. Ninguém nunca voltou da morte para contar o que há após a morte. Não há indicações da localização de tal lugar. Nada de nada. Tudo o que as religiões oferecem são apenas fantasias, ilusões, conceitos abstratos, e pedem (ou exigem) que o crente tenha fé, acredite por acreditar, ou seduzi-lo com promessas, confortar com falsas miragens, a idéia de algo melhor do que a vida na Terra.

       Todas as descrições são vagas, escassas, incompletas, fragmentadas. Uns dizem que é um lugar onde se “vive” para sempre, sem doenças, sem sofrimento, sem morte. Onde só há alegria eterna. Onde se pode cantar glórias e louvores para sempre, se pode morar em mansões de ouro, ter virgens para satisfazer todos os seus caprichos sexuais reprimidos, ter um mundo só seu para governar e sentar-se ao lado de um deus (preencha aqui um deus qualquer, pois quase todas as religiões prometem isso). Além disso, há a promessa que você verá a “face de Jesus” em toda a sua “glória”, junto com anjos tocando harpas e (o melhor de tudo, segundo o padrão moral de muitos religiosos) você verá de camarote o sofrimento dos condenados ao Inferno e regojizar-se com isso, num momento sádico só seu. Ainda você terá um lugar que fica no meio das nuvens, tudo bem celestial, numa brancura total, onde São Pedro guarda as chaves do local e examina um tal de “Livro da Vida” para ver se você merece uma vaga ou não, ou que haverá julgamentos e decide-se o destino final da pessoa.

      Enfim, todas essas coisas que fazem parte do imaginário religioso, ou seja, crendices e lendas. Fábulas mitológicas.

Mas supondo que haja um Paraíso, é hora de explicar porque é que eu não quero ir para lá.

      Primeiro de tudo, há a questão da “vida eterna”. O que exatamente eu vou fazer com o tempo de uma vida eterna? Ler todos os livros que já foram escritos no planeta? Assistir todos os filmes e seriados que tenham sido lançados desde que inventaram esta arte? Conhecer cada um dos moradores do Paraíso em sua totalidade? Andar a pé pelo Universo todo? Assistir tudo e todos na Terra nascerem, viverem e morrerem, até a extinção da vida na Terra daqui a 5 bilhões de anos, quando o Sol se tornar uma Gigante Vermelha? Assistir a evolução de uma nova espécie inteligente, milhões de anos após o Homo sapiens se for?

Será que há possibilidade de trabalhar no Paraíso, construir uma sociedade, uma civilização? Escrever e ler livros? Criar filmes ou assistir TV com o programa do Ratinho ou do Faustão? Realizar obras de arte e arquitetura? Desenvolver a ciência e a tecnologia? Lançar-me numa exploração espacial? Explorar os segredos da vida e do Universo? Visitar em excursão Marte nos anéis de Saturno, onde sabemos que não existem marcianos. Os políticos estarão lá, onde vicejam nos lugares mais inóspitos? Estabelecer relacionamentos, casar, ter filhos e filhas, divorciar-me e casar de novo? Ter relações sexuais? Aprender novas línguas? Mas, isso tudo durante a Eternidade.

Fazem idéia do que isso significa? Mesmo que eu queira ver todos os filmes, novelas, produções artísticas, óperas, peças de teatro, ler todos os livros que já foram escritos, desde a primeira inscrição num tablete de argila até o último romance escrito pouco antes da humanidade sumir da face da Terra etc., ainda assim terei mais um infinito espaço de tempo à minha frente, pois Eternidade é isso: tempo eterno. Mas, fazendo o quê? Espíritas falam que nascemos, morremos, vamos a outro plano, ficamos por lá, reencarnamos, começa tudo de novo, morremos, e por aí vai. Chegará um ponto – ainda segundo o Espiritismo – que o espírito não encarnará mais; que ele guiará outros. Mas, e quando TODOS os espíritos estiverem evoluídos? O que acontece? Ninguém diz, pois ninguém pensou nisso.

A bem da verdade, não há nenhuma possibilidade disso, segundo as religiões, pois o que elas oferecem é que você ficará louvando Jesus, Deus ou sua entidade divina favorita para todo o sempre, cantando glorias e aleluias ininterruptamente, e morar numa mansão dourada com ruas de ouro, segundo visões de vertentes cristãs que parecem mais se apegar ao materialismo que o mais ferrenho dos ateus e céticos pois a visão que eles têm de mundo é poder e riqueza. Mas a religião não serve para nos elevar espiritualmente? São os mistérios que se escondem na mentalidade religiosa fanática.

Imaginem que estaremos esperando que apareçam os profetas e os “grandes” homens (e nenhuma mulher) das narrativas bíblicas, corânicas e talmúdicas. E ficar sentado à direita de seu mito favorito e fazer o que lá, exatamente? Pedir autógrafo? Tirar uma foto que nem criança que vai tirar foto com Papai Noel de shopping?.

Teremos a possibilidade de, talvez, ganhar de presente umas 72 virgens para te acompanhar pelo resto da eternidade, só não sei como elas continuarão virgens depois de 2 dias. O sagrado hímen complacente? Deve ser. Haverá a possibilidade de você comer, beber, urinar, defecar e fazer sexo? As religiões nada dizem. Até as suas necessidades humanas mais básicas são negadas, não que eu me incomode em nunca mais ter que parar de ver um jogo de futebol para ter que ir ao banheiro, mas ficar sem comer umas batatas fritas de vez em quando é sacanagem! Você só existe nesta vida, dizem as religiões, para que você tenha uma vida eterna onde você não é mais você, e sim um mero puxa-saco que tem a obrigação de massagear o ego de alguém tão superior que, a priori, não tem ego que possa ser massageado (ou tem?). É a abdicação de quase tudo que faz de você um ser humano.

Pensem que não há a menor possibilidade de você amar, pensar, correr, andar, sentir o vento no rosto numa tarde de primavera, escrever suas memórias ou coisa que você gosta, ler, admirar a natureza, comer, cozinhar, beber, preparar algo especial para alguém que você gosta, viajar, velejar, dirigir, ter saudades, construir coisas, planejar, desenvolver e mais um milhão de desejos e atitudes que nos caracterizam. Não mesmo. Você só estará lá para uma única coisa: louvar!

Outra coisa. E o que dizer das supostas outras pessoas que estarão no Paraíso?

Já conseguiu se imaginar como é conviver com pessoas de todas as épocas, de todas as culturas, de todos os lugares, de todas as línguas, de todos os comportamentos, de todos os costumes, de todas as diferenças possíveis? E todas elas reunidas em um só lugar, aos milhões ou centenas de milhões?  É um pensamento interessante. Poderei discutir matemática com Isaac Newton? Falar das descobertas astronômicas com Galileu? Fazer “tsc tsc” para Cláudio Ptolomeu, porque ele inventou a pseudociência da Astrologia, mas dar um tapinha nas costas dele por compreender que ele não tinha os meios que dispomos hoje? Poderemos ouvir Shakespeare recitar um poema inédito? Veremos Sófocles encenar uma de suas inúmeras peças que se perderam no tempo? Poderei reunir todos os quatro evangelistas e discutir as discrepâncias entre os evangelhos? Poderei sacanear Aníbal por ele ter tido a idéia de jerico ao cruzar os Pirineus com elefantes, para depois jogar Warcraft contra Caio Júlio César?

Mas teremos problemas. Como nos comunicaremos? Como entraremos em sintonia com uma só língua, uma só cultura, uma só personalidade, um comportamento só, um costume só? Telepatia? Isso não significaria destruir quase todas as pessoas em suas características particulares que as marcaram em suas vidas? Perderíamos completamente o sentido da razão de porque estariam no Paraíso, o que fizeram em suas vidas, as suas histórias de vida, os seus comportamentos peculiares, os seus modos de agir etc.

       A maior característica da Humanidade é a sua capacidade de diversificação entre seus indivíduos. E a religião se propõe a destruir isso, para que tudo seja uniforme, uma só massa, um só rebanho, um só grupo para louvar a um mito automaticamente, sem voz, sem opinião, sem poder, sem nada de nada. Só os mais tirânicos governantes almejaram isso. Falharam, pois a cultura humana não se submete assim tão fácil. Mas, claro, se um ser ultra-mega-poderoso quiser, nos curvaremos sob sua vontade. Então, por que permitiu que houvesse tantas diferenças culturais? Sadismo, por saber que tudo isso seria esmagado um dia?

Mesmo que todas essas características fossem preservadas, você conseguiria conviver com aquelas pessoas todas, tentando se entender umas às outras, tentando entender as características particulares de suas culturas?

Só para citar um exemplo recente, muitos estudiosos lingüistas aprenderam a falar línguas coloquiais de outras épocas (exemplo, o inglês do século XVIII ou XIX, para conversarem com falantes do século XXI), e tentaram conversar com os seus conterrâneos atuais, e não conseguiram ser compreendidos. Se isso já acontece na vida real, imagine como será conversar com um brasileiro do século XVI, ou até mesmo alguém do começo do século XX! Tentem ler Machado de Assis sem um dicionário, se bem que isso é fácil. Tentemos pegar a carta de Pero Vaz de Caminha para ler e interpretar. Vocês ganharão uma bela dor de cabeça. Hoje, com mil e uma linguagens internéticas, fica difícil entender o que miguxos e miguxas querem dizer. Quem nunca leu uma daquelas colunas de jornal, onde republicavam noticias de um século atrás? Porque acham que os livros são revisados periodicamente, para terem os seus textos atualizados e poderem ser compreendidos pelos seus leitores? Daqui a uns 30 anos, rirão de como escrevemos hoje, ainda em vias de adaptação ao Acordo Ortográfico, como nós rimos de como nossas avós escreviam “pharmacia”.

E o que dizer dos comportamentos, costumes, gestos, manias, atitudes?

       Como conviver com alguém que se comporta com um autêntico cavaleiro vitoriano do século XIX, e ele se escandalizar com nossas beldades semi-desnudas? Que tal pais do passado vendo como nossos filhos falam conosco hoje? E você, diante de um neandertal, que grunhe e não tem a menor cerimônia em cagar na sua frente enquanto você está tentando conversar com ele? Ou então, você esta tentando conversar com um ancestral irlandês do André, ele estiver retirando uma catota enorme do nariz e soltar um arroto estrondoso? Ou então com meu próprio ancestral, que usa roupas bufantes do período absolutista do século XVI, e me olha com um nariz empinado e extrema arrogância e menosprezo? Ou grupos de chineses tentando conversar com aborígines, e sendo mediados por índios amazônicos? Ou então uma reunião de cientistas de todas as épocas e lugares tentando se compreender entre si e conviverem entre si, para pelo menos compartilharem idéias ou desenvolver uma nova? Olha, isso não parece muito com o Paraíso, parece mais o Inferno!

        Já podemos imaginar os Papas e teólogos (se é que vão para o céu…) tentando dialogar entre si, e nunca conseguirem se entender (mesmo porque, muitos Papas mataram concorrentes para usurpar o poder). Pensem em Lutero e Leão X saindo para beber uma cervejinha e… desculpem. Não há bebidas alcoólicas no Paraíso. Veremos Carlos X pedir desculpas a alguns huguenotes? Stalin dizendo para Trotski “Mal aí, camarada. Mudnia acontece)” (ta, ok. Quase todo mundo acha que Stalin não vai pro Céu, mas vocês compreenderam onde quero chegar).

Como disse, a vida no Paraíso seria um completo inferno, uma Torre de Babel multiplicada um milhão de vezes pior.

Só para piorar um pouco mais, experimente acrescentar todas as outras formas inteligentes de vida (os chamados alienígenas) no caldeirão. Quer melhorar o tempero? Acrescente a sua família inteira, todas as gerações dela, e imaginemos como será a vida no Paraíso com a sogra (cruz credo, mangalô pé de pato três vezes) para sempre, a nora, o padrasto, a madrasta, os primos chatos, a avó moralista e cheia de não-me-toques, o bisavô rigoroso e autoritário, o trisavô ausente e machista, o tetravô que não faz a menor idéia de quem você é. Quer sofrer mais ? Ponha a sua ex-mulher com TPM, a sua ex-namorada, as sogras, as ex-sogras, o namorado que foi ciumento na vida, o ex-marido, os nenês que você perdeu em abortos (se você for mulher), as crianças da família que morreram na infância (até poucas décadas atrás muitas crianças morriam antes de completarem 5 anos). E só para variar, sempre discutirão entre si, sempre se cobrarão uns aos outros, sempre irão se insuportarem aos outros para todo o sempre.

Se quiserem ter uma amostra disso na realidade, simplesmente peguem um cidadão de cada nação do planeta e os joguem em uma ilha deserta. tebol. Uma espécie de Lost, com 192 cidadãos diferentes entre si. Já pensaram nos resultados finais? Quem leu o livro “O Senhor das Moscas” (que não tem nada a ver com religião) sabe o que acarretará.

      E depois, como podemos fazer para nos divertirmos, sem shopping, campo de futebol, cinema? Dançar? Cantar? Cada grupo religioso tem as suas próprias preferências particulares e consideram todas as demais como blasfemas, hereges e “coisa do diabo”. André me lembrou que colocando um irlandês rezando em latim e outro ao lado cantando “Amazing Grace” vai acabar em porrada.

Imaginem islâmicos sunitas e xiitas lado-a-lado. Um talibã junto de um muçulmano liberal. Pensem num católico fervoroso com suas imagens e o bispo Dom...perto. Qual a alternativa que as religiões oferecem, já que você não poderá ouvir Kiss ou Bach (Imagine de Lenon nem pensar)? Cantar louvores e glórias…Ainda assim, cada religião, crentelhos tem as suas próprias e não aceitam as demais.

Em praticamente quase todas as religiões, elas dizem que estaremos no Paraíso com os nossos corpos físicos. Pouquíssimas falam de almas, espíritos, fagulhas de essência divina que se juntam com a divindade em questão, etc. E aí mora a charada. Com qual corpo iremos ao Paraíso? Imagine se você morrer mutilado, esmagado, explodido, atropelado, esmigalhado, metralhado, enforcado, fervido em óleo, baleado, morrer de uma bactéria devoradora de tecidos, doenças de pele, câncer, magreza extrema. Ou ate mesmo morrer de velhice, com um corpo decrépito e caindo aos pedaços. Pensem que muitas religiões pregam que só se seu corpo estiver inteirinho que você irá pro Paraíso.

Imagine só uma mulher que tenha morrido de velhice, por volta de uns 80 anos de idade. Com qual corpo ela irá? Aquele em que ela foi mais conhecida em sua fase final de vida, onde todos podiam reconhecê-la pelo que ela é? Ou então o corpo de um bebê, uma criança, uma adolescente, uma jovem gatinha, uma adulta, uma senhora de meia-idade? Mulheres ainda são mulheres. E suponha que o grande amor da vida dela morreu com 25 anos. Como eles passariam a Eternidade? Ele para sempre com 25 e ela para sempre com 80. Crueldade, não? Ela verá um monte de jovens bem bonitas, com as suas pernas roliças, pelinhos dourados ao Sol divino, seios durinhos e maravilhosos por baixo da toga (se é que vão vestir uma), enquanto o tempo cobrou o seu tributo em cima de sua pele. Decotes profundos como a filosofia de Kant, sinuosa e dourada como a serpente que se enrolava na macieira do Paraíso. Linda, linda. Crueldade, oh, crueldade!

       Todos terão o corpo que tinham quando morreram? Ou poderão escolher o corpo que desejarem? E poderão ser reconhecidos? E quem os reconhecerá?

       O que fazer se você teve pais que faleceram durante a sua infância? Você terá um corpo infantil para que eles o reconheçam? Ou você teve amigos e amigas que morreram durante a adolescência e vida adulta e você escolhera um corpo adulto? Ou prefere ficar com a melhor parte da sua vida madura, aquela com a qual mais se acostumou?

       E se você for uma daquelas modelos que eram muito feias, que eram gordas quando crianças e adolescentes passaram por dezenas de cirurgias plásticas, e de repente, você voltou à sua antiga forma, com a pele flácida, manchas, cicatrizes, pequenos defeitos, e um pouco de feiúra aqui, feiúra acolá, com os seios caídos, bunda chata, sem todo aquele conjunto que fez sucesso em sua vida? Ou então um homem que passou por muita e muita academia para ter um corpo esculpido de músculos, e voltar à sua condição original de gordinho barrigudo? Michael Jackson chegará lá com cabelo Black Power e cara de menininho ou com a máscara disforme que chamavam de rosto ao final de sua vida? Aliás, ele cantará Thriller? Mortos é que não faltarão para participar do corpo de baile, hehehehe.

     Não há nada que diga que você poderá ter o corpo que deseja ter. Tu vais ficar com o corpo com a qual morreu, meu filho. Não importa como, mesmo que o Paraíso se transforme em um asilo de eternos idosos.

     Um belo problema, sem contar que muitas e muitas pessoas, durante os últimos milênios antes de nossos séculos XX e XXI, morreram bem mais jovens que os seres humanos atuais (que hoje podem viver ate os 70 anos), e naqueles tempos mal se chegavam aos 40 anos em média. Imaginem só a quantidade de crianças e bebês no céu. Conseguem imaginar a demanda por babás e creches divinas para cuidar de tudo isso? E passar a eternidade cuidando de milhões de bebês chorando, trocando as suas fraldas sujas (até porque elas não se limparão magicamente, não há nenhum livro sagrado afirmando isso. Enfim, o pensamento crental é esse “Se não está na Bíblia, não está valendo”). Qual o sentido da vida de um ser humano eternamente bebê, sem aprender nada, sem poder crescer, sem poder falar, sem poder se expressar adequadamente, sem poder vir aquilo que poderia ser, e assim por diante? Um tremendo desperdício de espaço e energia. O mesmo vale para velhinhos com Alzheimer. Quem cuidará deles? Que maravilha de problema, não é mesmo?

       E o que vestir no Paraíso? Cada qual ficará com a sua própria roupa da época em, que viveram? E se você morrer usando um fio-dental, ou aquela camiseta horrorosa de cor laranja totalmente fora de moda? Por isso piadas de judeus alfaiates são bastante populares nas sinagogas. Imaginem que um cara machão, mas que tomou uns goros durante o carnaval e resolveu sair no Bloco das Piranhas. Chega lá, vestido à á Priscila, a Rainha do Deserto e encontra seus confrades lutadores de Vale Tudo. Ihhh

      Os problemas de logística não acabam nunca. Administrar um paraíso deve exigir muito mais atenção desse deus judeu-cristão-islâmico, do que tomar conta do Planeta Terra, em que é notória a ausência dele nos assuntos mundanos, do qual foi desaparecendo paulatinamente do cenário da “história” humana, até ficar invisível, fantasmagórico, transparente etc. Lembram das antigas fábulas bíblicas, em que o tri-omni-fodão aparecia em tudo que era lugar, entrava na briga com o povo judeu, massacrava um monte de gente, aparecia em topo de montanhas, andava em Jardins do Éden, enchia o saco do Faraó do Egito, causava hemorróidas de ouro (sério!) em adversários, ficava de pinimba com Baal, tinha chiliques semelhantes a Primas Donas e surtava geral, como muitos “relatavam”. Tudo isso numa presença mais visível e atuante. Depois desapareceu. Ninguém nunca mais o viu. Tudo o que resta desse deus é o que esta nos livros sagrados, permanece na mente dos crentes como conceito abstrato, nos sussurros em latim de padres, ou na gritaria ensandecida de pastores evangélicos, ou no jargão popular onde ele leva todos os méritos por coisas na qual não teve a menor participação – aquele “graças a deus” – e esse ser fica com os testículos sendo puxados até o além. A mesma coisa com o Jesus, com a sua demora em retornar ao mundo dos vivos após 2000 anos desde que inventaram a lenda (lembrando que ele supostamente falou que chegaria quando o pessoal lá do século I ainda não teria morrido).

       E eu já posso imaginar que, depois de ler todo o exposto acima, e isso foi só o começo, você já deve estar horrorizado e de saco cheio. Como bem disse Mark Twain – “Prefiro o Paraíso pelo clima, o inferno pela companhia”.

      E, imagine, Você tem uma vida eterna toda para agüentar tudo isso, sem reclamar! Sim, por toda a E-T-E-R-N-I-D-A-D-E. Você ira preferir se suicidar e por fim à sua vida, pois até mesmo os imortais se cansam de viver. Mas, pode-se cometer suicídio num lugar onde não se morre? Tolkien foi sábio quando disse que os elfos invejavam os homens pois estes últimos tinham a dádiva da morte, pois cansavam-se de ver tudo o que amavam deteriorar-se, enquanto que eles e seus reinos permaneciam imutáveis.

       Não, suicídio está fora de questão, pois, como bem frisou John Constantine em uma de suas memoráveis frases (nos quadrinhos e não naquele filme comparativamente ridículo e vazio) – “Para onde vai o Diabo quando morre?”. Outra questão para os teólogos ( Satanás tem seu nome muito citado por evangélicos)  de plantão se entreterem por uns bons mil anos discutindo entre si.

       Por esses motivos, eu é que não quero ir para o Paraíso. Prefiro dar valor à minha vida, que é limitada, curta, efêmera e breve, diante de um Universo que vai perdurar por vários bilhões de anos, e nem vai perceber que nos existimos um dia, e nem sentirá a nossa falta. Prefiro fazer minha vida ter significado HOJE. Não quero esperar por uma oportunidade que pode não vir. Religiosos usam e abusam da Aposta de Pascal. Daí eu pergunto: E se você se privou dos prazeres mais simples, como pegar a mão do seu filho e dar uma volta pela praia, no parque, ao invés de se meter numa igreja calorenta, com trajes desconfortáveis, e nos últimos momentos perceber que esteve errado? Arrependimento? Em poucos instantes nem isso você terá, o que não fará diferença. E se você aparecer num Paraíso totalmente diverso do que você pensava, onde membros de sua religião seriam escravos miseráveis dos religiosos que enveredaram pela religião “certa”? Ok, eu corro este risco. O que isso significa? Que eu ficarei te lembrando pelo resto da maldita Eternidade:

        Eu amei, eu vivi, eu rolei no tapete com meus filhos pequenos, amei minha mulher sob as estrelas, eu brindei com meus amigos, eu defendi pessoas injustiçadas entre tantas outras coisas. Cometi erros, mas também acertei. E você? Nada fizeste e parou no mesmo lugar que eu. Coitado de você. Não adianta chorar, pois nem esse tipo de emoção você terá aqui, nada para lhe consolar. Bem-vindo ao desespero.

       Como disse Stephen King: “o Inferno é repetição”. Se é assim, então não importa qual religião você tenha, onde quer que você, eu e toda humanidade for depois que morrer será o Inferno.

Somente um louco não quereria. Quem deixaria de ir para o paraíso, caso

houvesse uma chance? Quem não optaria pelo céu no lugar do inferno?

Quem não quer viver eternamente num lugar no qual a paz e alegria se

estenderão pela eternidade? Somente um louco não haveria de querer.

 

A questão é: não é porque queremos algo maravilhoso que tal maravilha

passa a existir, exista ou tenha existido...

 

Eu também quero o paraíso, desde que ele exista. 

 

Desejar que ele exista, crer que ele exista... Tudo isso é bonito, mas

efetivamente nada fica comprovado. Esperança não é verdade, desejo não é realidade.

É melhor você viver a vida aqui e agora, ou como Aristóteles disse:

               “Pense no hoje, não confie no amanhã”.

"Não acredito em vida após a morte, por isso não preciso passar toda minha vida temendo o inferno, ou temendo o céu mais ainda. Quaisquer que sejam as torturas do inferno, penso que a chatice do céu seria ainda pior."

"Embora o tempo de morte estar se aproximando de mim, eu não tenho medo de morrer e ir para o Inferno ou (o que seria consideravelmente pior) ir para a versão popularizada do Paraíso. Espero que a morte é nada e, para remover-me de todos os medos possíveis da morte, eu sou agradecido ao ateísmo. " (Isaac Asimov)

"Nada me da mais prazer que a consciência de que a crença na punição eterna está se desvanecendo a cada dia, que milhares de ministros se envergonham dela. Alegra-me saber que os cristãos estão se tornando compassivos, tão compassivos que as chamas do inferno estão extenuando-se – enfraquecidas, abafadas pelas cinzas, destinadas a morrer definitivamente em poucos anos."

                                   Robert G. Ingersoll

“ NÃO HÁ UMA BOA VIDA APÓS A MORTE PARA AQUELES QUE FORAM BONS, SÁBIOS, FIÉIS E JUSTOS, ou PUNIÇÃO PARA AQUELES QUE MORREM EM SEUS PECADOS. NÃO HÁ RECOMPENSAS OU PUNIÇÕES DEPOIS DA MORTE – A VIDA É SÓ O QUE HÁ, E PORTANTO DEVE SER ACALENTADA ENQUANTO A TEMOS AQUI E AGORA”

Bíblia (se preferir) - Eclesiastes: 9:1-10.

 

Inspirado no original de Abbadon. Site: http://ceticismo.net/

Reescrito pelo autor.

Oiced Mocam

(mais artigos pesquise na Web ou no site Irreligiosos)

 

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Comentário de Diego de Oliveira Francisco em 13 janeiro 2014 às 20:57

Desculpe sempre esqueço...Boa noite, o comentário abaixo se refere aos comentários do Oiced Mocam

Pense sobre a vida após a morte!

O conceito de "alma" foi inventado pelas religiões.

Comentário de Diego de Oliveira Francisco em 13 janeiro 2014 às 20:55

Quando a bactéria morre, ela tem uma vida após a morte?


Nunca me perguntaram isso! Eu acredito que sim! o/

O conceito de uma "alma" foi inventado pela religião.


Acho esse texto muito determinista. Antes das religiões serem formadas, surgiu o conceito de alma, afinal a religião não foi criada junto com o pensamento humano, caso contrário ela seria inerente ao raciocínio e não haveriam irreligiosos. Platão falava de alma e de espirito. Acho que isso é um conceito inerente a atividade de pensar.

Para mim alma é a consciência gerada pelas experiências e que sobrevive quando a vida do corpo se vai, através de uma individualidade criada durante a vida material. Podendo então habitar outro corpo material ou vagar errante até encontrar um novo corpo em um "plano espiritual". Afinal na minha mente, dentro do tempo e do espaço: nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.

O conceito de céu para mim é justamente o "mundo espiritual", entendendo de mundo espiritual como um lugar dentro do espaço onde a matéria não habita, onde não há corpo material. Não estou nem aí para o que as religiões pensam ou dizem. Para mim cada qual deve chegar por si só na resposta de "Quem sou Eu?". Eu já tenho minhas convicções sobre mim, o resto é conhecimento e experiências. Como eu disse no meu texto para mim tanto a vida material quanto a espiritual deve se pautar em: Entender e Amar. O resto vem com a experiência que temos durante nosso caminho.

No caso das bactérias e animais eu creio sim que elas tem vida após a morte do corpo, porém de acordo com sua própria consciência. Como não sou capaz de definir até onde vai a consciência de seres microscópicos como bactérias, ou outros seres vivos não posso afirmar como se passa isso. Mas penso que no caso de organismos mais simples que realizam fissão binária por exemplo e possuem pouca variabilidade genética e quase nenhuma individualidade, a consciência deva ser mais limitada, logo a permanência no mundo espiritual também, devendo abrigar outro corpo material ou se diluir em fluidos espirituais. Mas isso é tudo um mistério de abstração onde não há provas e apenas intuição, imaginação e lógica individual tomam conta. Fora isso pra mim tudo é apenas probabilidade.

As religiões podem ter surgido da imaginação. O fato é que hoje representam algo complicado que atravanca o pensamento de muitas pessoas, porém ao mesmo tempo é libertador para outras. Sou a favor da liberdade. Porém a liberdade as custas de mentiras, enganação e "hipnose" não é liberdade verdadeira. Todos deveriam ser livres pensadores e capazes de chegar as próprias conclusões com base na sua experiência. As religiões (não apenas elas) limitam muito a consciência e pra mim isso é inaceitável.

Eu penso que o fato de algo parecer absurdo não o torna menos real, só menos provável dentro da nossa razão. Da mesma forma que o homem pisar na lua era absurdo a 150 anos atrás. Ou você falar em microrganismos a 1000 anos. Como eu disse o limite do impossível é limitado pela nossa consciência, quanto mais aptos estamos para aceitar o improvável menos improvável ele parece. 

Mas vamos supor que não exista alma e não exista real motivo para a vida. Logo quaisquer de nossas ações de nada vale, pois (pelo pouco que sei de astronomia) o sol vai acabar com as possibilidades de vida em certo tempo que já deve até ter sido calculado, ou seja nossa existência individual vai ser perdida para sempre. Caso a espécie humana consiga sobreviver (provavelmente já não será a espécie humana pela lógica das mutações) uma hora inevitavelmente irá sucumbir ao tempo e a condição de não vida. Assim o materialismo me parece mais danoso a evolução, pois nos tira a liberdade de poder ter a probabilidade sobreviver em consciência pelo menos, já que uma hora ou outra nossa matéria vai se diluir pelo espaço. Como falar de evolução se no fim todos os caminhos retomam a extinção?

Acho que o conceito de alma não é ligado a religião alguma por natureza, elas que se utilizam por saber que é um conceito presente na mente humana. A Alma é ligada a Esperança. E esperança...é a última que morre.

Comentário de Oiced Mocam em 13 janeiro 2014 às 19:22

Pense sobre a vida após a morte!

O conceito de "alma" foi inventado pelas religiões.

Se você é um cristão, então o suposto Jesus promete que a sua “alma” tem a vida eterna. Em João 3:16, a Bíblia diz: "Porque Deus amou o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Tudo o que você tem a fazer é crer em Jesus e sua “alma” irá para o céu. Será?

Na tradição hebraica o cão é considerado um animal impuro. Por isso encontramos na Bíblia certos textos em que o cachorro foi usado como meio de reprovação ou humilhação (1 Samuel 24,14; 2 Samuel 3,8; 9,8; 16,9). Paulo chama os falsos apóstolos de “cães” (Filipenses 3,2).

E disse Deus (deus falando):

Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra”. Assim como,

Ficarão de fora os cães do Reino dos Céus, os feiticeiros, os adúlteros, os homicidas, os idólatras, e todo o que ama e pratica a mentira”. (Apocalipse 22,15).

Os animais não têm alma. Logo, não vão para o céu. Como é que alguém pode ter certeza que o sopro de vida do ser humano vai para cima e que o sopro de vida do animal desce para a terra?"
Isso teria uma razão de ser: ninguém quer ter que lidar com alguns bichos sujos, como guaxinins, gambás, texugos, entre outros, quando estiver em um belo piquenique com Jesus. Rsrsrs

Em contradição na *** balburdia bíblica,

Pois o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos brutos; uma e a mesma coisa lhes sucede; como morre um, assim morre o outro; todos têm o mesmo fôlego; e o homem não tem vantagem sobre os brutos; porque tudo é vaidade”. (Eclesiastes 3:19). 20 “Todos vão para um só lugar. Todos eles vieram a ser do pó e todos eles retornam ao pó. " (Será que Eclesiastes, foi escrito por um ateu???)

Do ponto de vista teológico, animais irracionais são uma criatura de Deus e como tal devem ser submetidos.  A Bíblia, porém, sublinha a supremacia da pessoa na criação, que recebe o “sopro”, a “alma”. Isso, contudo, não significa apenas privilégio sobre as outras criaturas (que tem menos neurônios mas tem consciência (note que, animais não tem crise de consciência alguma por devorarem uns aos outros ou aos seres humanos). E sentimentos como o cachorro, abaixo do Homo sapiens, mas também responsabilidade.

Mas você já pensou realmente sobre a sua “alma”? 

Alguma vez você já pensou em como a vida após a morte iria acontecer?

Comecemos com uma bactéria. Será que ela tem uma alma e ele começa uma vida após a morte? Uma bactéria é uma membrana celular preenchido com uma variedade de moléculas. Estas moléculas reagem juntas em maneiras diferentes para criar o que chamamos de vida. Apesar de todas estas moléculas estarem reagindo de formas fascinantes, entrelaçados, eles ainda são nada mais do que produtos químicos reagentes. O "milagre da vida" não é nenhum milagre - é uma reação química grande. Quando estas reações param, a célula morre.

Agora aqui é a questão: Quando a bactéria morre, ela tem uma vida após a morte?

Não há muitas pessoas no Brasil que acreditam que as bactérias vão para o céu. A Bíblia não fala sobre o céu a ser preenchido com todas as doenças a putrefação e a peste que bactérias causam.

E o que, exatamente, iria para o céu? 

Se todas as moléculas da bactéria fossem transportadas para outra dimensão, para que possam continuar a reação? Se isso estivesse acontecendo, haveria milhares de toneladas de produtos químicos deixados na Terra a cada dia. Claramente não há outra vida para as células de bactérias.

E sobre os mosquitos?  Um mosquito é muito mais complexo do que uma célula de bactéria. Por um lado, um mosquito é um inseto multicelular com capacidades surpreendentes. Mas se você olhar para cada célula de um mosquito, é muito parecido com uma bactéria em seu funcionamento básico.

Mosquito tem uma vida após a morte? Claro que não. Pense em quantos mosquitos viveram e morreram ao longo de milhões de anos. Ninguém imagina o céu cheio de mosquitos eternos. Há também o problema que vimos com bactérias - a única maneira de um mosquito para "ir para o céu" seria de alguma forma o transporte de todos os produtos químicos em um mosquito da terra ao céu.

E sobre ratos? Eles não são diferentes de mosquitos. Ratos são organismos multicelulares, mas cada célula é uma fábrica de produtos químicos muito pouco parecido com uma bactéria. Cães? Os chimpanzés?

Então, e os seres humanos?

O corpo humano não é nada, mas um conjunto de reações químicas.  As reações químicas que alimentam uma vida humana não são diferentes as reações que alimentam a vida de uma bactéria, um mosquito, um rato, um cão ou um chimpanzé. Quando um ser humano morre, as reações químicas param.  Não há "alma” misturada com os produtos químicos, assim como não há alma em uma bactéria, um mosquito, um rato, um cão ou um chimpanzé.  Por que haveria uma vida após a morte para os produtos químicos que compõem o corpo humano?

Toda a noção de sua "alma" é completamente imaginária. O conceito de uma "alma" foi inventado pela religião, porque muitas pessoas têm dificuldade para enfrentar sua própria mortalidade. Ela até pode faz as pessoas se sentir melhor com essa auto ilusão, mas o conceito é uma completa invenção.

É quando você pensa sobre as reações químicas que alimentam a sua vida e seu cérebro que você percebe o quão completamente imaginário sua "alma" é verdadeiramente. E nesse ponto, tudo sobre religião é desvendado e desmistificado.

Pense para trás quando você era criança e você percebeu que o Papai Noel era imaginário. Assim que você sabia que, era óbvio. Renas não voam. Um homem não pode deslizar para baixo de chaminés. Não há nenhuma maneira de um trenó poder transportar todos os brinquedos para todas as crianças do mundo. Etc. É óbvio que o Papai Noel é fazer crer.

Da mesma maneira, é óbvio que os seres humanos são grandes reações químicas. Sua "alma" é fazer crer como Santa. Quando as reações químicas param, você morre. Esse é o fim de tudo.

Sabendo disso, você pode ver que tudo sobre a religião é imaginação. Deus, a Bíblia, Jesus, a ressurreição, os milagres, o poder da oração, os Dez Mandamentos, a história da criação, sua alma, a vida eterna, o céu... Aquelas antigas historinhas e contos medievais do criacionismo de que Deus criou isso e aquilo já estão pra lá de ultrapassadas e refutadas. Aliás, nem foi preciso muitos esforços para se chegar a essa conclusão, apenas coragem para enfrentar a fogueira e a intolerância fanática religiosa. Em fim, caminhamos para uma nova era: A era do conhecimento e da tecnologia.

Tudo é produto da imaginação humana (ao meu ver), para submeter e iludir os incautos e sustentar os mercadores da fé com suas idéias através do misticismo, do sobrenatural.

As religiões são UMAS FRAUDES uma GRANDE FRAUDE MENTAL. A religião fala sobre a bem-aventurança do próximo mundo, mas quer o poder neste. É de se esperar, pois foi feita pelo homem. O mesmo vale para Deus, Jesus, o Alcorão e assim por diante. É tudo ficção, ter acreditado em todas essas crendices e dogmas religiosos por séculos, essa ilusão é a psicose coletiva criada pelas religiões.

Hoje o "Deus" é tão fictício e imaginário como eram os deuses dos egípcios, os romanos e os astecas. Deus está nu. Pode não ter muita graça. Essa é a realidade, nua e crua.

Espero estar falando também para conscientizar os que estão enganados e enganam os outros, com quem eu era e pensava há 50 anos quando era religioso. Só podemos evoluir quando agimos com consciência, bom senso e o livre pensamento! E com todo o respeito para os que pensam diferentes.

Como funcionam as células: http://saude.hsw.uol.com.br/celulas.htm

 ***Pense sobre a Vida antes da morte:

http://livrodeusexiste.blogspot.com.br/2012/05/vida-antes-ou-depois-da-morte.html

Saudações e apreciei os vossos comentários Diego e Divina,

Oiced Mocam, um eterno aprendiz!

Comentário de Diego de Oliveira Francisco em 13 janeiro 2014 às 11:56

Boa tarde! Vamos ao comentários.

Desculpe se pareci meio deseducada falando com você assim de forma indireta, Diego, não tenho nenhuma intenção de ser grossa, apenas me pareceu muito "na nuvem" tudo isso que você colocou no seu comentário sobre o texto do nosso amigo Oiced.

Tudo bem! Eu gosto de ler sua opinião. Te acho uma pessoa bem inteligente e apesar de termos opiniões e formas de pensar completamente diferentes eu te respeito muito. Compreendo que todos tem os motivos de pensar como pensam. Sempre fui visto como louco por todos com quem converso então para mim é ao contrário. Quando conheci minha esposa falei pra ela: -"A pior ofensa que alguém pode me fazer é dizer que eu sou normal e comum."

 Eu bem que gostaria de ver textos "lógicos" tão bem elaborados como os do Diego defendendo a irracionalidade de não aceitarmos as fadas como seres logicamente existentes e a Terra do Nunca como possibilidade real.

Se quiser eu posso tentar elaborar. Afinal eu tenho convicção que fadas existem, inclusive já conheci uma.

Eu costumava dizer que o limite da impossibilidade é limitado pela nossa consciência. Acho ilógico afirmar que algo não existe só por não podermos perceber. Afinal como você mesma disse em outro tópico: "O universo é MUITO grande e não conhecemos praticamente nada dele." Saudações!

Comentário de Divina de Jesus Scarpim em 12 janeiro 2014 às 12:38

Boa tarde!

Oiced Mocam, gostei muito do seu texto e acho que não discordo de nada. Quando penso na possibilidade do paraíso que para os cristãos parece tão maravilhoso o que sinto é algo mais próximo do asco do que até mesmo da indiferença, e quando tento pensar em como poderia uma vida eterna ser legal consigo chegar bem longe com boa parte do que você citou no seu texto (ler todos os livros, aprender todas as línguas, etc) mas sempre vai chegar um tempo em que tudo isso terá sido feito e o eterno tédio tornará qualquer coisa num inferno, não vejo como mudar isso. A mais longa das vidas, para ser realmente legal, teria que ter uma morte voluntária como fecho "de ouro", caso contrário não me parece possível pensar em nenhum paraíso.

E quanto a "qual eu vai viver eternamente" acho que você colocou muito bem as muitas possibilidades de problemas que teríamos nesse tal paraíso, independente da escolha. Fora os problemas de comunicação (em todos os níveis) que também foram colocados muito bem no seu texto.

Agora, pensar a vida eterna sem um corpo físico, como o Diego coloca, eu diria que não resolveria os problemas, pelo contrário, criaria outros talvez ainda piores. Eu sou meu corpo e minha mente (seja lá o que isso for, que para mim são "meras" atividades cerebrais e para os religiosos é uma tal "alma" ou coisa que o valha), não importa como se defina cada um, eu sou a união dos dois e uma só dessas duas partes simplesmente NÃO SOU EU. E o que você falou sobre o corpo, eu acho que vale da mesma forma para a mente (ou alma), a pergunta seria parecida: Qual eu "espiritual" irá para o tal paraíso? E novamente se pode levantar os muitos problemas que a "escolha" de qualquer das minhas muitas mentes, ou estágios da mente, pode acarretar.

Não, decididamente negar a possibilidade do paraíso ou da vida eterna não é uma atitude ilógica, muito pelo contrário. Eu bem que gostaria de ver textos "lógicos" tão bem elaborados como os do Diego defendendo a irracionalidade de não aceitarmos as fadas como seres logicamente existentes e a Terra do Nunca como possibilidade real.

Desculpe se pareci meio deseducada falando com você assim de forma indireta, Diego, não tenho nenhuma intenção de ser grossa, apenas me pareceu muito "na nuvem" tudo isso que você colocou no seu comentário sobre o texto do nosso amigo Oiced.

Bom domingo aos dois rapazes!

Comentário de Diego de Oliveira Francisco em 11 janeiro 2014 às 2:59

Boa noite! Esse texto é bem grande e estou com sono, mas me despertou curiosidade, vou comentar em partes.

Introdução: Concordo, religiões se focam muito em ritos, alegorias, conceitos, interpretações oportunas, etc e ignoram grande parte do conhecimento racional. Porém, o mesmo olhar de preconceito e interpretações oportunas são usados por Ateus ao descrever "crentes", sem buscar o lado racional da questão. Acredito que ambos possuem seguidores que tem fé cega. E essa fé cega que deve ser foco dos nossos comentários racionais. Ela que permite aos lideres mal intencionados fazerem o que quiserem com as "ovelhas".

Ficarei feliz em expor minha análise racional sobre o tema "Céu." (não o que eu acredito, porém o que me parece lógico baseado no conceito de céu monoteísta, com citações do livro "Manual de Defesa da Fé, Apologética Cristã de Peter Kreeft e Ronald K. Tacelli)

Quais são as evidencias que sustentam as alegações dos religiosos de que há uma “vida eterna”?

     Para sermos sinceros, a resposta é NÃO! Simplesmente não há evidências da existência de tal lugar. Tudo o que os religiosos possuem são apenas as suas crenças e as palavras que constam de seus livros ditos “sagrados”.

Poderia refutar dizendo que obviamente não podem ser "criadas" evidências materiais para conceitos não materiais. Da mesma forma que não existem evidências materiais para o pensamento. Me prove que você pensa, com algo material. Essas evidências só podem ser alcançadas através da lógica. A lógica não é algo material, porém é de valor racional. Você pensa pois consegue transformar sensações captadas do mundo em conceitos "ideais". E é daí que surge a lógica e o pensamento.

Não há evidências materiais nem para o céu nem para muitas outras concepções que todos admitem como válidas, até os cientistas. Quando um cientista fecha seu laboratório, vai para casa e beija sua mulher, ele não acredita que não exista nada ali a não ser hormônios, neurônios e moléculas. Vou começar utilizando um argumento um pouco sentimental, mas que nada tem haver com "sagrado" das escrituras que tanto são repudiadas por preconceitos irracionais. (Se fossemos recusar toda a ciência e conhecimento com base no sangue derramado ou alterações realizadas ao longo da história poderíamos descartar grande parte e fechar todos os hospitais, pois nas grandes guerras que a medicina se desenvolveu por necessidade.)

Premissa Maior: Todo desejo natural, inato, em nós - para distingui-lo dos desejos artificiais e condicionados - corresponde a um objeto real (nota-se que real não significa material necessariamente), que pode satisfazer esse desejo. Para satisfazer a fome, existe a comida; para satisfazer a sede, há bebida, para satisfazer o amor eros (erótico), existe o sexo; a curiosidade, o conhecimento; a solidão, a companhia, a sociedade. Como observou C.S. Lewis, seria bem estranho se encontrássemos criaturas se apaixonando em um mundo que não houvesse sexo.

Premissa menor: Existe em nós um único desejo que nada nesta vida pode satisfazer, uma misteriosa sensação de saudade, que de duas formas difere de todos os demais: (1) seu objeto é indefinível e intangível nesta vida; e (2) a mera presença de desse desejo na alma é sentido como mais precioso e prazeroso do que qualquer outra satisfação.

Por mais inadequada que seja nossa maneira de entender o que queremos, nós todos queremos o "paraíso", o "céu", a "eternidade", a vida "divina". Agostinho disse: "Nossos corações vivem inquietos enquanto não encontram descanso em Ti". Mesmo que não saibamos ao certo quem é esse ti, algo profundo em nossa alma não fica satisfeito com esse mundo inteiro de tempo e mortalidade. Até o Ateu Satre admitiu que "chega um tempo em que perguntamos, inclusive a Shakespeare, a Beethoven: "Isso é tudo que existe?".

Conclusão: Portanto, esse "algo mais", a vida eterna, existe.

Esse sentimento de saudade é presenciado por quase todos. Em alguns momentos vem como uma indignação. Vemos coisas que nossa mente julga como errado, injusto. Esses conceitos estão presentes em toda a história humana. Fora isso temos nosso desejo que nunca se satisfaz. Por mais que as coisas melhorem por mais feliz que estejamos, sempre parece faltar algo. E é disso que se trata o argumento da saudade. Temos noção de que falta algo, que esse mundo material nunca será suficiente para nossa realização, por isso percebemos nossos erros e eles nos causam sofrimento e aflição, independente de ter uma religião ou não. Somos ligados ao conceito de "um lugar melhor" por algo superior a nós. 

(Nota: Eu de forma alguma acredito em um paraíso, porém de forma lógica não há como negar sua existência, sempre há a probabilidade dele existir.)

Outro argumento utilizado pode ser o da presença, de forma resumida temos:

1- Se a presença de um sujeito transcende a do objeto, o sujeito não é condenado a morte quando o objeto é removido.

2- A presença de um sujeito transcende mesmo a de um objeto.

3-Portanto, o sujeito não é condenado a morte.

Esse argumento também retoma a sentimentos que podem ser observados por todos. A presença não é meramente física, por exemplo, quando duas pessoas desconhecidas se esbarram no meio da rua sem se conhecerem, nenhum dos dois é "presente" para o outro. Da mesma forma a presença de uma pessoa em relação a outra não é idêntica a presença de um objeto para um sujeito. Portanto, a presença de uma pessoa não precisa ser removida quando um corpo físico não puder se fazer presente em função de sua morte física.

Quando essa presença é experimentada antes da morte da pessoa, temos um argumento de experiência comum. Quando é experimentado depois da morte, temos um argumento de experiência extraordinária (a Saudade)

Agora pensando de forma um pouco menos sentimental podemos comparar a vida eterna com um motivo pelo qual viver vale a pena.

Premissa maior: Se a vida termina em aniquilação final, então ela não tem um fim pelo qual viver vale a pena.

Premissa menor: A vida deve ter um fim pelo qual viver vale a pena.

Conclusão: Portanto, a vida não termina em aniquilação final.

Seguindo...

Crenças não provam nada, como todos sabemos.

Afirmação tendenciosa que descarta o que lhe é conveniente, da mesma forma que religiosos incluem e descartam o que lhes é conveniente. 

A Crença de que "crenças não provam nada", também não prova nada em relação ao conceito de "céu". A partir do momento que se escolhe quais são as "verdades" e excluem-se os outros documentos de origem histórica, estamos descartando possibilidades por pura arrogância. Como querer uma 

  Não há provas. Não há fatos. Não há evidências. Não há registros. Não há documentos. Não há relatos fidedignos. Não há testemunhas. Não há fotos. Não há filmes. Não há objetos “celestiais”. Não há indicações diretas. Não há base sólida que sustente as alegações. Ninguém nunca voltou da morte para contar o que há após a morte. Não há indicações da localização de tal lugar. Nada de nada.

Também não existe evidência científica para a noção de que: "não existe nada exceto o que é comprovado por evidência científica". Logo, é apenas uma suposição, na verdade uma decisão, um desejo arbitrário de reduzir os limites da realidade aos limites do método científico. É uma decisão de vontade, não do intelecto. Isso me parece um pensamento cíclico e irracional. Se você parte do princípio que tudo que é religioso, ou de experiência mística, milagrosa como não evidência. Qual a lógica de pedir evidências para algo imaterial? Sempre que for apresentada uma evidência (seja uma carta psicografada, um rosto de santa na janela, relatos de milagres, pessoas que voltaram do coma e descrevem o "céu") será recusada.

Tudo o que as religiões oferecem são apenas fantasias, ilusões, conceitos abstratos, e pedem (ou exigem) que o crente tenha fé, acredite por acreditar, ou seduzi-lo com promessas, confortar com falsas miragens, a idéia de algo melhor do que a vida na Terra.

O que faz com que as histórias tenham caráter de fantasia, e ilusões é a nossa própria opinião. Por que não encarar de forma literal? Em que se baseia sua tese de que qualquer relato, por mais abstrato que seja, é uma fantasia ou ilusão? A matemática também nos oferece conceitos abstratos, e nem por isso é desmerecida. Temos teorias como a do Big Bang, que mesmo incompletas também são aceitas por grande parte dos Ateus. Com sinceridade, o que impede de acreditar de forma literal nas ditas "fantasias" e "ilusões" relatadas? Arrogância ou preconceito? Se não for nenhuma das duas, qual a lógica para recusar?

      Enfim, todas essas coisas que fazem parte do imaginário religioso, ou seja, crendices e lendas. Fábulas mitológicas.

 Pessoas diferentes tem ideias diferentes. Como representar algo imaterial para pessoas primitivas que não conseguiriam compreender? Por isso se utilizam alegorias. Da mesma forma que utilizamos até hoje alegorias com nosso filhos para ensinar conceitos que para nós são básicos de moral. Por exemplo. Quando olhamos diretamente para o sol, não conseguimos perceber sua natureza. Dessa forma ele foi descrito como carruagem de fogo, bola de fogo, etc. Usamos alegorias para tentar descrever como referência conceitos que no momento nos são inexplicáveis, porém isso não caracteriza sua inexistência. Sabemos hoje que o sol existe, que tem por natureza moléculas de hidrogênio realizando constantes fusões e liberando incríveis quantidades de energia em diversos comprimentos, e que nada tem haver com o fogo, que ocorre da liberação da energia térmica através da combustão. Veja que nossos conceitos tem a tendência de evoluir, quando usamos a lógica. E não de deixar de existir. Propor que não existe não é uma atitude lógica, e sim propor uma alternativa lógica que explique. O que levou ao surgimento da ideia do "céu" em diversas culturas e em diferentes épocas, e fez com que a mesma continuasse presente até hoje?

Ainda mais, sabemos que as ondas existem. E são um conceito abstrato. Ela carregam a energia. Se formos cada vez mais fundo podemos abstrair até a teoria das cordas, onde são criadas multidimensões para explicar cada vez melhor o funcionamento do universo. Porém nada disso exclui de forma lógica a ideia de Céu,

O que exatamente eu vou fazer com o tempo de uma vida eterna?

 Ler todos os livros que já foram escritos no planeta? Assistir todos os filmes e seriados que tenham sido lançados desde que inventaram esta arte? Conhecer cada um dos moradores do Paraíso em sua totalidade? Andar a pé pelo Universo todo? Assistir tudo e todos na Terra nascerem, viverem e morrerem, até a extinção da vida na Terra daqui a 5 bilhões de anos, quando o Sol se tornar uma Gigante Vermelha? Assistir a evolução de uma nova espécie inteligente, milhões de anos após o Homo sapiens se for?

Será que há possibilidade de trabalhar no Paraíso, construir uma sociedade, uma civilização? Escrever e ler livros? Criar filmes ou assistir TV com o programa do Ratinho ou do Faustão? Realizar obras de arte e arquitetura? Desenvolver a ciência e a tecnologia? Lançar-me numa exploração espacial? Explorar os segredos da vida e do Universo? Visitar em excursão Marte nos anéis de Saturno, onde sabemos que não existem marcianos. Os políticos estarão lá, onde vicejam nos lugares mais inóspitos? Estabelecer relacionamentos, casar, ter filhos e filhas, divorciar-me e casar de novo? Ter relações sexuais? Aprender novas línguas? Mas, isso tudo durante a Eternidade.

Todas as alternativas apresentadas acima são egoísticas e materialistas, referentes a nossa percepção sensual (referente aos sentidos). Sendo o céu um lugar não material e misterioso, como supor coisas tão ilógicas? 

Vou lhe responder quais atividades terrenas provavelmente devem continuar ocorrendo no céu, Segundo Richard Purtill em Thinking About Religion, no capítulo 10 e por Peter Kreeft em "Tudo o que você já ques saber sobre o céu." no capítulo 3.

O sentido da vida, tanto no céu quanto na terra, é:

1- Entender a Deus.

2- Amar a Deus.

3-Entender aos outros.

4-Amar os outros

5-Entender a si mesmo.

6-Amar a si mesmo.

Se quiserem desconsiderar os dois primeiros pela descrença em Deus tudo bem, pois ainda restam duas outras atividades. Nossa concepção de tempo também só existe nesse mundo material concebido como nossa realidade. Pela lógica, algo imaterial também pode ser atemporal, assim nosso pensamento em relação ao tempo é limitado demais para conceber a ideia do céu em sua totalidade.

Mas, e quando TODOS os espíritos estiverem evoluídos? O que acontece? Ninguém diz, pois ninguém pensou nisso.

Se você parar para ler a fundo o espiritismo e perceber os 6 pontos citados acima do "sentido da vida" verá que como os espíritos são criados de "forma misteriosa", e pela atual conjuntura espiritual que se encontra o entorno da Terra (que é descrito apenas como um dos muitos mundos de espiação), pode se ter a noção de quão incomensurável é a questão da evolução do espirito. Veja bem: Se a evolução significar chegar a perfeição, e a perfeição é incomensurável, como definir que TODOS os espíritos vão alcançar a evolução pensando de forma temporal? E se em parte do universo desconhecido novos espíritos estão sendo criados nesse exato momento? Nossa noção da realidade é limitada demais pela nossa consciência para definirmos coisas do tipo.

 A maior característica da Humanidade é a sua capacidade de diversificação entre seus indivíduos. E a religião se propõe a destruir isso, para que tudo seja uniforme, uma só massa, um só rebanho, um só grupo para louvar a um mito automaticamente, sem voz, sem opinião, sem poder, sem nada de nada. Só os mais tirânicos governantes almejaram isso. Falharam, pois a cultura humana não se submete assim tão fácil.

Quanto a isso concordo plenamente.

Mas, claro, se um ser ultra-mega-poderoso quiser, nos curvaremos sob sua vontade. Então, por que permitiu que houvesse tantas diferenças culturais? Sadismo, por saber que tudo isso seria esmagado um dia?

Como você disse, isso é o que as religiões dizem. Não necessariamente o que "Deus" quer. Usando a lógica, se existe um Deus criador, causa primordial de todas as coisas e que é necessário para que haja sustento na existência (pretendo explicar isso em outra oportunidade) toda a cultura criada por nós, é co-criação dele. Logo seria ilógico a aniquilação desta cultura. Sendo assim temos que a cultura não pode ser destruída, pois ela é atrelada a criação do homem. Entretanto, quando a cultura não tem mais utilidade ela é esquecida naturalmente. Um exemplo simples são as marchinhas de carnaval. Minha vó as adora, eu as ignoro completamente. E assim com toda a cultura do planeta que vai se subjugando naturalmente. Caso exista um céu, a cultura seria naturalmente subjugada por sua inutilidade em questões não materiais como amor e entender a natureza do outro. Ela poderia a princípio auxiliar, desta forma se imaginarmos barras de progresso em cada um dos seis aspectos ao chegarmos no Céu, cada pessoa teria porcentagens diferentes baseado na sua cultura acumulada (isso na visão das religiões de raiz judaica do céu) Já no espiritismo (já que foi mencionado), a cultura é preservada na lembrança da alma imortal na teia Akashica de conhecimento, favorecendo e preservando toda a diversidade que nós possuímos.

E o que dizer dos comportamentos, costumes, gestos, manias, atitudes?


Achei interessante sua atitude de considerar que todas as personalidades citadas no seu texto estarão no Céu. Considerando essa possibilidade acredito que eles terão ainda mais motivos para 3- Entender aos outros, 4-Amar aos outros. Em relação a linguística, ela é material. Logo no Céu é mais provável que a comunicação se passe através de ideias. Da mesma forma que a nossa concepção de nudez também desaparece uma vez que não há mais corpo físico.

 Não há nada que diga que você poderá ter o corpo que deseja ter. Tu vais ficar com o corpo com a qual morreu, meu filho. Não importa como, mesmo que o Paraíso se transforme em um asilo de eternos idosos.

Isso como eu relatei acima me parece ilógico uma vez que o corpo físico morreu e só sobrou a parte imaterial. Por conta dos bebês que pouco possuem consciência e morrem (fora inúmeros outros fatores que todos devem ter na ponta da língua), o céu pregado pelo cristianismo parece altamente ilógico e improvável. Porém não deixa de ser possível.

Acabei lendo todo o texto. Consigo compreender e aceito grande parte da suas premissas em relação ao conceito de Céu. De fato as definições baseadas de forma insuficientes e dogmatizadas como verdade geram aversão. E por ser um tema de caráter espiritual e intimamente ligado a conceitos como Deus e livre-arbítrio é complicado compreender sem ter bases sólidas, pautadas em lógica racional, ao invés do que estamos habituados a acompanhar pelos meios de comunicação e pela sociedade através dos líderes religiosos com seus rebanhos de ovelhas obedientes. Espero ter mais oportunidades de expor mais meu pensamento, porém acho que meu comentário já está extenso demais.

Achei muito interessante o texto. Agradeço pela oportunidade e parabéns pelo pensamento.

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