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Se você não sabe, aceita e não questiona, embota-se e acaba virando crente.

JORNAL HUMANITAS Nº 55 – JANEIRO/2017 – PÁGINA 6

A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA LEVA O HOMEM À BARBÁRIE

 Especial para o Humanitas

Texto de Rafael Rocha jornalista, poeta e editor-geral deste Humanitas. Mora no Recife/PE

 

A intolerância religiosa é um dos problemas mais delicados de hoje no mundo.

O fanatismo religioso está entranhado no cérebro de milhões de pessoas o que faz com que elas realizem verdadeiras guerras umas contra as outras, em nome de qualquer deus ou religião, como se com isso possam estabelecer qual deus e qual religião “têm razão”.

A questão é complicada e termina por levar o ser humano à barbárie, na medida em que são colocadas em jogo a consciência humana e as crenças.

Na realidade, existe uma grande falta de bom senso e de respeito mínimo à diversidade e à livre escolha, e isso cria e fortalece situações de caos e violência em todos os lugares do mundo, e também no Brasil.

Tais fatos são decorrentes de divergências que levam um ser humano, inconformado com a consciência e a crença de outro ser humano, a tentar impor a sua própria consciência e crença. Um fato absurdo e sem razão.

Uma ação que ofende a liberdade fundamental de cada pessoa.

A Constituição do Brasil, em seu artigo 5º, inciso VI, diz que é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e às suas liturgias.

Os cultos religiosos de matriz africana são considerados como os mais discriminados no Brasil, ainda que existam leis específicas na Carta Magna a proteger seus seguidores, tal como a Lei nº 12.288/2010 (“Estatuto da Igualdade Racial”).

O legislador preocupou-se em resguardar as liberdades de cada indivíduo, inclusive com relação às diferenças humanas de consciência e de crença. Também se preocupou em combater a disseminação do ódio entre as pessoas, fundado em intolerância religiosa, tal como consta na Lei nº 11.635/07 que ainda instituiu o dia 21 de janeiro como o “Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa”.

Todas as pessoas e suas respectivas religiões e os sem religião merecem proteção e respeito, mas o que se nota em nosso país é um fundamentalismo cristão, defendido pelas igrejas cristãs neopentecostais, a caminhar na senda da intolerância, adotando uma postura de violência contra quem não segue as suas doutrinas.

Portanto, se for para seguir ao pé da letra o que diz a Constituição da República Federativa do Brasil ou a legislação que assegura a liberdade de crença religiosa às pessoas, devemos levar em conta que, além de proteção e respeito às manifestações religiosas, a laicidade do Estado deve ser buscada, afastando a possibilidade de interferência de correntes religiosas em matérias sociais, culturais e políticas etc.

Todos os livres pensadores têm o dever de estar nessa luta de aperfeiçoamento da tolerância às diferenças, pois isso é uma ação indispensável no regime democrático.

Fazendo valer a laicidade do Estado estaremos preservando direitos humanos fundamentais.

Desde a chegada dos portugueses ao Brasil que existe a intolerância religiosa.

Exemplo disso foi a clara intenção dos colonizadores lusitanos de converter, à força, os índios e os escravos ao catolicismo.

Ao longo dos séculos essa ideia parece ter sido perpetuada, tanto que na selva amazônica ainda existem grupos de evangelizadores catequizando índios e ajudando a que estrangeiros ocupem suas terras, com o apoio do fundamentalismo neopentecostal, que se prepara aos poucos para tomar o poder no Brasil, fato que pode levar o nosso país a regredir cultural e politicamente.

O combate à intolerância tem de receber apoio de setores os mais diversos da sociedade organizada.

É preciso que exista uma imprensa ativa e nunca manipuladora, canais de participação e de acesso às denúncias feitas pela sociedade e nas escolas públicas uma educação religiosa de cunho científico.

Essa educação religiosa nas escolas brasileiras não pode ser entregue às igrejas e às seitas particulares.

Deve, sim, ser um assunto de caráter científico, que transmita ideias vindas dos resultados de estudos. E que esses estudos das religiões que existem e que existiram no planeta desde séculos sejam honestos, para conhecer e saber quais os dogmas e o que pregam seus dirigentes e seguidores.

Nada de catequese! Nada de lavagem cerebral!

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Comentário de Edsonaldo Costa Santos em 25 janeiro 2017 às 22:20

Fiquei curioso em saber mais sobre uma educação religiosa de cunho científico. 

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